O é um clube histórico na Renânia do Norte-Vestefália. Os alvirrubros conquistaram o Campeonato Alemão Ocidental em 1955 e disputaram a elite da Bundesliga até meados dos anos 1970. O auge do clube seria, inclusive, decisivo à seleção. Herói da Mannschaft na conquista da Copa de 1954, Helmut Rahn nasceu em Essen e atuou em grande parte de sua carreira pelo time local. E esse gigante adormecido, que atualmente milita na quarta divisão, reviveu seus melhores momentos ao eliminar o na . O RWE conseguiu um milagre contra os Aspirinas nas oitavas de final, virando o placar por 2 a 1 no Estádio Essen já na prorrogação.

A Copa da Alemanha também faz parte da história gloriosa do Rot-Weiss Essen. Os alvirrubros conquistaram a Pokal em 1953, derrotando o Alemannia Aachen por 2 a 1 na final. Rahn, sempre ele, anotou o gol decisivo e antecipou o que ocorreria no Milagre de Berna. Todavia, as últimas décadas foram bastante penosas ao RWE. A partir da década de 1970, o clube passou a enfrentar problemas financeiros, alternando entre a segunda e a terceira divisão. A Pokal seria um breve alento, com nova final em 1994, agora perdida para o Werder Bremen. De qualquer maneira, desde 2009, o Rot-Weiss Essen atingiria seu fundo do poço. Acostumaria-se com a quarta divisão e até passaria brevemente pelo quinto nível.

Quando o Rot-Weiss Essen reinava na Alemanha, o Bayer Leverkusen era um mero clube regional. Hoje, os patamares são totalmente diferentes. O Essen já parecia fazer muito nesta Copa da Alemanha, ao eliminar Arminia Bielefeld e Fortuna Düsseldorf nas fases anteriores. No entanto, os alvirrubros acreditaram no milagre em Essen e conseguiram desbancar os Aspirinas, que também não atravessam grande fase nas últimas semanas.

O primeiro tempo seria disputado entre ataque e defesa. O Rot-Weiss Essen fazia uma partida consciente de suas limitações e se trancafiava na defesa. Embora o Leverkusen martelasse, não conseguia destravar o gol adversário. Com o passar dos minutos, o RWE tentou criar seus perigos na frente. Mesmo assim, os anfitriões dependeriam da sorte, com uma bola na trave de Patrik Schick e uma grande defesa do goleiro Daniel Davari. Pouco antes do intervalo, o clube de Essen ainda teria duas boas chegadas para abrir o placar.

No segundo tempo, um dos heróis da noite começaria a se afirmar: Davari. Peter Bosz acionou alguns titulares que começaram a partida no banco e o Leverkusen faria 45 minutos finais ainda mais sufocantes. Davari acumulava grandes defesas, assim como se veria de novo salvo pela trave, em tentativa de Moussa Diaby. No final, os Aspirinas sentiriam que a sorte estava mesmo do outro lado. Aos 44, Diaby e Aránguiz (este, após desvio do goleiro) pararam no poste mais duas vezes. Assim, o duelo seguiria à prorrogação.

O jogo parecia se resolver no fim do primeiro tempo extra. Aos 15 minutos, Leon Bailey finalmente anotou o gol do Leverkusen. Recebeu o passe de Aleksandar Dragovic e, desmarcado, balançou as redes. Porém, se o tento se sugeria um golpe no moral do Rot-Weiss Essen, na verdade o lance teve o efeito contrário. Os alvirrubros evocaram o espírito antigo do clube para uma virada épica.

Logo no início do segundo tempo da prorrogação, o Rot-Weiss Essen empatou. Numa linda jogada individual, Simon Engelmann limpou a marcação e soltou uma pancada. Lukasz Hradecky rebateu, mas Oguzhan Kefkir apareceu livre para marcar no rebote. E quando a definição ficava para os pênaltis, a três minutos do fim, Engelmann se confirmou como o protagonista da noite. Depois de um bom lance de Cedric Harenbrock pela direita, o camisa 11 recebeu quase sem ângulo e conseguiu vencer Hradecky. O inimaginável acontecia. No fim, ainda houve um pênalti revisado para o Leverkusen, mas a arbitragem não marcou.

O Rot-Weiss Essen alcança as quartas de final da Copa da Alemanha e fica a um passo de repetir o Saarbrücken da temporada passada, que se tornou o primeiro time da quarta divisão nas semifinais da Pokal. A sorte pode ter pesado a favor do RWE nesta terça, mas isso não apaga o tamanho do feito da equipe no segundo tempo da prorrogação. Contra um dos primeiros colocados da Bundesliga, o representante da quarta divisão se impôs com muito mais atitude e uma crença inesgotável. Feito imenso de uma camisa que, afinal, também tem muito peso.