Alemanha

Ganhar é fundamental

Semifinalista das duas últimas Copas do Mundo (perdeu para as campeãs), vice-campeã da última Eurocopa, a seleção alemã chega à Euro 2012 com apenas um objetivo: vencer, para coroar o talento de uma geração de craques que reergueu o futebol no país após a ridícula campanha nas Eurocopas de 2000 e 2004. E não há mais como culpar as circunstâncias, a bola, o tempo, a inexperiência dos jogadores ou qualquer outro fator. A vitória, nesse caso, é fundamental.

O time é excelente. Individualmente e coletivamente. Manuel Neuer é um dos melhores goleiros do mundo, Bastian Schweinsteiger é um dos melhores volantes do mundo. Mesut Özil, quando está a fim de jogo, é excelente meia e tem reservas como Mario Götze e Marco Reus. No ataque, Mario Gómez e Miroslav Klose botam a bola para dentro com facilidade. A defesa, com Philipp Lahm, Per Mertesacker e Mats Hummels, também se mostra segura.

Existem alguns problemas. A lateral esquerda é o principal deles. Mas basta um rápido exercício de reflexão. Quem, no mundo, pode contar vantagem com um bom lateral esquerdo? Talvez o Brasil, com Marcelo, e isso até a página cinco, por falta de responsabilidade do próprio Marcelo. Schmelzer é menos experiente internacionalmente e não repete na seleção os bons jogos do Borussia Dortmund, mas alguém confia em Jordi Alba, ou Balzaretti, ou mesmo o jovem Jetro Willems? São todos apostas. Podem fazer sucesso, mas são apostas. Evra, da França parece um pouco acima, mas só. Já tem alguns quilômetros rodados a mais e mostrou que não é nenhuma sumidade. Utilizar Lahm por ali é provável, mas seria, em princípio, um erro, pois mata o que ele tem de melhor: o cruzamento.

Coletivamente, o time está azeitado. O contragolpe é o mais vertical e melhor do mundo. A variação de jogadas de velocidade pelos dois lados é impressionante e o volume de jogo no meio-campo assusta, como bem sabe a seleção brasileira. Seja com Khedira ou Kroos como segundo volante, as coisas funcionam bem por ali em função da dinâmica implantada por Joachin Löw. Todos atacam e todos defendem no meio, assim como na Copa do Mundo.

A combinação entre juventude e experiência também ajuda para que a proposta de jogo possa ser executada. Se fosse um treinador bundão, Löw poderia ter convocado Michael Ballack nesses dois anos após a Copa do Mundo, ou mesmo Simon Rolfes, do Bayer Leverkusen. Não o fez. Miroslav Klose, aos 34 anos, é o jogador mais velho do time e vinha fazendo uma boa temporada na Lazio até se machucar. O segundo mais velho é o inexplicável Tim Wiese, 31 anos. O resto é uma mistura entre a garotada e os quase trintões que estão no time desde que se entendem por profissionais: Podolski, Lahm, Schweinsteiger e Mertesacker já beiram os 100 jogos pelo Nationalelf.

O banco alemão também é muito melhor do que na Copa de 2010. Mario Götze, André Schürrle e Marco Reus são infinitamente melhores do que Piotr Trochowski e estão numa fase melhor do que a de Marko Marin. Toni Kros é outro jogador em relação ao que atuou na África do Sul, assim como Holger Badstuber, que fez boa temporada no Bayern Munique.

Toda essa conversa é muito legal, mas será completamente esquecida se a Alemanha não ganhar. A frustração tomará conta de todos mais uma vez. Está na hora de mostrar que a Espanha não é invencível, mas antes, é preciso passar por Holanda, Portugal e Dinamarca. A vida não será fácil para o Nationalelf em nenhum momento, mas isso não pode mais impedir que eles vençam. A pressão é gigantesca, as expectativas também, o mundo poderá cair na cabeça de Joachin Löw caso essa geração bata na trave mais uma vez. E a julgar pelos amistosos, o sinal de alerta precisa estar aceso.

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Equipe Trivela

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