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Frankfurt anuncia saída de Oliver Glasner, após título, finais e uma explosão em coletiva

Derretendo na Bundesliga, Glasner perdeu a paciência na derrota para o Hoffenheim no último sábado: foi expulso e depois deu bronca em um jornalista

O Eintracht Frankfurt anunciou nesta terça-feira que encerrará o contrato do técnico Oliver Glasner ao fim desta temporada, depois da final da Copa da Alemanha contra o RB Leipzig, um ano antes do previsto. O ex-jogador austríaco foi campeão da Liga Europa de 2021/22, mas novamente não conseguiu uma boa campanha na Bundesliga e seu comportamento estava incomodando os dirigentes internamente, até transbordar ao público com uma bronca dura a um jornalista na entrevista coletiva após a derrota por 3 a 1 para o Hoffenheim no último sábado.

Parecia haver alguma coisa de errado com o Frankfurt há aproximadamente dois meses. Chegou a ser vice-líder antes da virada do turno e estava junto com o pelotão de frente. No entanto, não vence desde o fim de fevereiro pelo Campeonato Alemão, com cinco empates e cinco derrotas. Ainda pode se classificar para competições europeias. Está a cinco pontos do Bayer Leverkusen, em sexto, com Mainz e Wolfsburg no meio do caminho, e tem a possibilidade de vaga na Liga Europa pelo título da DFB Pokal. Mas uma campanha promissora simplesmente derreteu.

E o jogo contra o Hoffenheim está sendo tratado pela imprensa alemã como a gota d’água. Para começar, Glasner foi expulso no fim do primeiro tempo por deliberadamente jogar uma segunda bola ao gramado, com a partida em andamento, no que ele caracterizou como um “protesto silencioso” contra a arbitragem. Entre os jogadores mais experientes de um elenco jovem, Mario Götze e Kevin Trapp levaram cartão amarelo por reclamação.

Na entrevista coletiva, o jornalista perguntou ao técnico se o time havia entendido que poderia ter aproveitado tropeços de Leverkusen e Mainz se vencesse o Hoffenheim, indicando falta de vontade ou concentração, e Glasner perdeu a paciência. “Não aceito essa acusação. Eu já disse várias vezes. Parem de me perguntar sobre essas coisas, se o time não ‘entende’ ou se ‘não vem para jogar’. Makoto Hasebe, 39 anos, fez seu terceiro jogo de 90 minutos esta semana. Ele está praticamente mijando sangue a esta altura porque está muito exausto e ainda joga. Pare com esse lixo. Aceite que o Hoffenheim ganhou o jogo, mas não me dê isso de ‘não entende’, ‘não compreende’. O time está em sua segunda final em dois anos. Eles estão andando sobre fogo pelo Eintracht”, disse.

A possibilidade de que Glasner deixaria o Eintracht Frankfurt começou a ganhar força quando o porta-voz do Conselho do clube, Axel Hellmann, o repreendeu em público. “Não foi correto ou adequado agir desse jeito. O que eu não entendi é descontar a decepção em um jornalista que estava fazendo seu trabalho. Eu acho que o próprio Glasner sabe que não é a melhor maneira de reagir. Temos que nos perguntar se estamos bem posicionados para uma postura pensando no futuro. Estamos muito abaixo das expectativas”, disse, ao Bild.

O Frankfurt construiu um histórico copeiro nos últimos anos. Chegou a duas finais de Copa da Alemanha consecutivas entre 2016 e 2018, com um título em cima do Bayern de Munique. Fez semifinais de Liga Europa, três anos antes de vencê-la e conseguir classificação à Champions League, na qual foi até as oitavas de final. No entanto, as campanhas na Bundesliga nunca acompanharam o sucesso. A melhor foi em 2020/21, com Adi Hütter, antecessor de Glasner.

O ex-treinador que levou o Wolfsburg ao quarto lugar da Bundesliga, com vaga na Champions, e foi vice-campeão austríaco pelo LASK Linz chegou em um momento de reformulação da diretoria do Eintracht Frankfurt e após a saída de André Silva, então artilheiro do time, para o RB Leipzig. Foi 11º colocado em sua primeira campanha no Campeonato Alemão e agora está em nono lugar, precisando desesperadamente reencontrar a sua forma, nem que seja para chegar com mais confiança à final da Copa da Alemanha, no começo de junho.

“Aceito a decisão do clube, que me foi explicada de forma plausível”, disse o profissional de 48 anos. “Mas agora não é hora de dizer adeus ou olhar para trás, ainda temos uma missão crucial pela frente e faremos de tudo nas próximas semanas para usar nosso desempenho na reta final da Bundesliga para criar condições para uma grande final em Berlim e para trazer a Copa de volta a Frankfurt. Pessoalmente, é muito importante para mim que o Frankfurt tenha grandes noites no cenário internacional novamente na próxima temporada”.

Se pode estar começando a construir uma fama inconveniente de atritos internos, Glasner é um técnico jovem e de muito potencial que pode atrair o interesse de clubes importantes, agora que está livre no mercado. Mais um da escola Red Bull, assistente de Roger Schmidt no Salzburg, antes de assumir o SV Ried, no qual passou a maior parte da sua carreira como jogador. O Frankfurt está de olho em Dino Toppmöller, auxiliar técnico de Julian Nagelsmann que também deixou o Bayern de Munique no fim de março, para substituí-lo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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