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Foi um ideal de futebol, e não cifras, o que convenceu Ousmane Dembélé a fechar com o Dortmund

Ousmane Dembélé se tornou, em pouquíssimo tempo, um dos jogadores mais cobiçados do futebol europeu. E com motivos. O atacante de 18 anos estreou na equipe principal do Rennes em novembro, sem sentir nem um pouco o peso da responsabilidade. Acumulou 12 gols na Ligue 1, ganhou a titularidade e teve diversas atuações exuberantes. Dava mostras de uma combinação letal: explosão, qualidade com as duas pernas e muita habilidade. Não à toa, passou a frequentar os noticiários, diante do suposto interesse de diversos gigantes: Paris Saint-Germain, Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester United, Arsenal, Liverpool. Claudio Ranieri chegou a ligar para o francês para tentar convencê-lo a fechar com o Leicester. Não aceitou. Naquele momento, parecia ter se decidido pelo Barcelona, como cravava a imprensa. Mas o anúncio surpreendeu: Dembélé vai mesmo para o Borussia Dortmund.

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Os aurinegros apostam alto no prodígio, que completa 19 anos neste domingo. Dembélé chega por € 15 milhões, mas pode se tornar a contratação mais cara da história do Signal Iduna Park se cumprir as expectativas, com bônus que elevam o seu valor a até € 52 milhões. Além disso, a assinatura por cinco anos garante estabilidade tanto ao garoto quanto ao clube, caso algum de seus oponentes resolvam desembolsar alto nas próximas temporadas para tentar tirá-lo de Dortmund. E os dirigentes afirmaram que o acompanhamento dos olheiros ao francês vem de anos, e não apenas dos últimos meses.

Em sua chegada, Dembélé não escondeu sua grande empolgação pelo novo clube: “O BVB demonstrou muito interesse por mim desde o começo e eles sempre mantiveram um contato próximo. Realmente isso me impressionou. Estou totalmente convencido sobre o conceito esportivo do Borussia. Eu mal posso esperar para jogar na Bundesliga, diante de 80 mil torcedores no Signal Iduna Park, e caminhar ao gramado na Liga dos Campeões ao lado de meus novos companheiros”.

Ousmane Dembélé (Divulgação)

Dá para entender o deslumbramento do jovem. E também a sua decisão. O Borussia Dortmund certamente está entre os 10 melhores times da Europa neste momento – ainda que a ausência da Champions nesta temporada não tenha oferecido tanta visibilidade. A cobrança sobre o novato no Signal Iduna Park tende a ser bem menor do que sofreria em clubes midiáticos como Barcelona ou Real Madrid, assim como em equipes que vêm de desempenhos abaixo das expectativas, a exemplo de Liverpool ou Manchester United. Há um projeto sólido e contínuo desempenhado pelos aurinegros, algo que não é tão certo em Leicester. E, além disso, há o ambiente perfeito para o novato se desenvolver.

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Dembélé tem totais condições de chegar logo como titular, e seguir os passos de outras promessas que se consolidaram em Dortmund. Seu amadurecimento será fundamental, não apenas para melhorar o seu jogo, mas também a personalidade. Nos últimos meses, o garoto se envolveu em brigas de bastidores com o Rennes, embora o Dortmund tenha elogiado o caráter do novo contratado. “Eu não tenho nada além de respeito quando vejo quantos clubes de alto nível queriam assinar com Ousmane, mas que ele virou as costas e se manteve firme com seu compromisso com o BVB durante um longo período. Não é tão óbvio que alguém irá agir assim e demonstrar um caráter real. Ele sempre nos deu essa impressão, de que não desejava nada além de jogar o nosso futebol intenso, por nosso clube especial, em nosso estádio único”, declarou o presidente-executivo, Hans-Joachim Watzke.

Em campo, Dembélé precisa trabalhar principalmente com seu individualismo. Não foram poucos os momentos em que a vontade de resolver sozinho para o Rennes atrapalhou o atacante, independente de seu sucesso. Thomas Tuchel terá a chance de lapidá-lo, enquadrando também no jogo coletivo de sua equipe. No 11 inicial, Dembélé poderá entrar em qualquer uma das posições de ataque. Por ser ambidestro, atua nas duas pontas, assim como também tem capacidade para virar o homem de referência.

O negócio, por fim, serve como prêmio ao Borussia Dortmund. Os aurinegros venceram a corrida pelo atacante graças ao seu bom trabalho, e não necessariamente pelas cifras que apresentaram. Um projeto que valeu muito mais a Dembélé do que o deslumbramento por clubes que conquistam títulos todos os anos na Europa. O dinheiro pode ajudar, mas não compra um ideal de futebol, como o fomentado há anos no Signal Iduna Park.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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