Alemanha

Ex-goleiro da Alemanha lançou o “Tinder do futebol” para combinar jogadores e clubes no mercado de transferências

O 11TransFAIR, de René Adler, busca dar mais opções para jogadores em busca de melhores oportunidades em um cenário de escassez financeira por causa da pandemia

Um jogador quer trocar de clube. Ou precisa encontrar outro para trabalhar. Ele entra no aplicativo, configura o seu perfil, com seus dados e características, e informa se tem preferência de ligas, estilo de jogo ou salário. Os clubes fazem a mesma coisa em relação a potenciais reforços que estão procurando. Até aqui, tudo anônimo dentro das regras rígidas de privacidade de dados da Alemanha. Se houver uma combinação, a identidade dos dois lados é revelada e a negociação pode começar.

Essa é a ideia geral por trás do aplicativo concebido por René Adler, ex-goleiro de Hamburgo, Bayer Leverkusen e da seleção alemã, o 11TransFAIR. Não é o primeiro com essa natureza, mas parece bem redondinho e traz a reputação de um ex-jogador renomado atrelada a ele. Segundo Adler, já está sendo utilizado por 50 clubes de dez países diferentes. A maioria na Alemanha e alguns britânicos como o Leeds, além de centenas de jogadores.

Importante pontuar que os perfis dos jogadores são anônimos, o que permite que eles procurem novas oportunidades sem se queimar com seus atuais empregadores. As informações não estão disponíveis nem para Adler e sua equipe. Todas as contas são verificadas e avaliadas de acordo com índices de desempenho. Os atletas podem marcar até quatro itens prioritários em uma lista de 20 e precisam ser profissionais. Na Alemanha e na Inglaterra, por exemplo, o aplicativo chega até a a quarta divisão.

A página inicial do site do 11TransFair

O programa avalia também o atual nível das ligas e dos clubes do jogador. Quando o algoritmo chegar a uma combinação, os dois lados podem apertar o botão “chutar” e começar a negociar. Caso uma transferência seja fechada por meio do aplicativo, o clube comprador paga uma comissão em linha com as recomendações da Fifa – 3% do salário do jogador. O 11TransFAIR é completamente grátis para os jogadores.

“Eu chamo de Tinder para jogadores e clubes porque também reunimos duas partes por meio de combinações”, afirmou Adler ao jornal Bild. “Claro que os jogadores querem cuidar cada vez mais dos seus assuntos e não querem mais depender completamente do trabalho de seus empresários. Mas nem todo profissional pode fazer isso como as estrelas, Joshua Kimmich ou Kevin de Bruyne, que agora estão negociando eles mesmos, escolhendo as propostas que querem. Estamos tentando dar ao jogador opções de transferências adicionais além da rede já existente”.

Ao The Athletic, o diretor de futebol do Leeds, Victor Orta, afirmou que a plataforma tem uma “abordagem muito interessante” e está ansioso para ver como ela se desenvolve nos próximos meses e anos. Ao site Adler faz questão de deixar claro que não quer contornar o trabalho de empresários ou se livrar deles, mas abrir um caminho que dê aos jogadores mais opções, especialmente no cenário da pandemia em que há pouco dinheiro circulando e, portanto, menos oportunidades de trabalho.

“Muitos jogadores inclusive colocam o contato dos seus empresários nos perfis, mas o 11TransFAIR dá aos jogadores uma ideia melhor do que está lá fora e pode abrir novas portas”, disse, ao The Athletic. “Também ajuda os clubes. Eles às vezes gostam de um jogador que tem meia dúzia de pessoas dizendo que são autorizadas a representá-los, o que torna tudo muito complicado. Tendo o perfil dele no aplicativo, os jogadores podem deixar claro aos clubes com quem devem falar caso estejam interessados”.

“Alguns empresários podem ter uma rede muito pequena de clubes ou trabalhar apenas em países específicos, o que limita ainda mais as opções dos jogadores. Queremos oferecer opções a esses jogadores, especialmente no exterior. A total falta de transparência do mercado de transferências coloca os jogadores de um certo nível em uma imensa desvantagem. Nós queremos que eles consigam assumir a iniciativa e o controle das próprias carreiras”, completou.

Ano passado, um outro aplicativo como esse ganhou as manchetes. Chama-se Transfer Room e tem uma abordagem um pouco diferente. O seu objetivo é acelerar (bastante) as negociações. Ele permite uma conversa de apenas 10 minutos entre clubes interessados e jogadores antes de projetar um novo encontro. O mesmo Victor Orta, do Leeds, disse ao site oficial do Transfer Room que realizou cinco transferências na última janela usando o aplicativo, que tem mais de 500 clubes envolvidos. Ele é pago, entre £ 165 a £ 2,5 mil por mês, dependendo do nível do clube.

Acaba sendo mais atrativo a clubes que podem ver quais jogadores estão disponíveis e reunir informações sem necessariamente ter que passar pelo filtro dos empresários. Não se livram das comissões, mas aceleram bastante o processo. Nada disso deve superar o contato direto e as relações pessoais entre empresários e clubes, para o bem e para o mal, e são projetos embrionários, mas, se derem certo, tornam-se opções interessantes em um mundo cada vez mais virtual.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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