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Erros iguais, resultado igual

Uma das máximas que sempre se aplica à seleção mexicana na Copa do Mundo é: “Jogamos como nunca, perdemos como sempre”, em alusão ao fato da equipe sempre prometer vencer e no final das contas se apequenar diante de times mais tradicionais. No caso do Borussia Dortmund, porém, a frase deve ser um pouco alterada. “Jogamos como sempre, e perdemos como sempre”. Frase que se aplica somente quando o clube disputa competições europeias, como nesta quarta-feira, na derrota por 3 a 1 para o Olympiacos em Piraeus.

Não adianta querer tapar o sol com a peneira, ou botar a culpa na falta de sorte, na bola, no juiz, ou em qualquer ser sobrenatural que possa influenciar os rumos de uma partidas. O fato é que quando o jovem time comandado por Jürgen Klopp atravessa a fronteira alemã, algo os impede de vencer. Ou mesmo quando recebe forasteiros. A exceção foi o Karpaty Liviv, na Liga Europa 2010/11, derrotado por duas vezes. Mas, convenhamos, derrotar o Karpaty Lviv não mudou os rumos das bolsas de valores no mundo. Não trouxe sequer a vaga na segunda fase. Pior ainda, não trouxe o respeito de ninguém no continente para essa temporada.

O enredo é praticamente o mesmo em quase todas as partidas. O time começa a partida bem, pressiona durante boa parte do primeiro tempo e perde um caminhão de gols, um atrás do outro. Depois, toma um gol de contragolpe, se desestabiliza, vai para cima em busca do empate e toma outro gol, talvez até dois. Só não foi assim contra o Arsenal, quando Ivan Perisic fez um gol espetacular no fim do jogo. Mas contra o Olympique de Marseille, não existiu salvador, assim como contra o Olympiacos. Ao todo, foram seis gols levados nos dois jogos, e apenas um feito.

Na partida desta quarta-feira, a decepção foi ainda mais evidente. Aos cinco minutos de partida, o Dortmund já havia perdido pelo menos três chances claras de abrir o placar, com Perisic, Kagawa e Lewandowski. Aos oito, já perdia o jogo por 1 a 0, gol marcado pelo alemão José Holebas em bela cabeçada de cruzamento vindo da esquerda. Falha de marcação da zaga. O empate, que veio com Lewandowski aos 26 minutos, deu a impressão de que as coisas poderiam melhorar. O time seguiu perdendo gols e levou o segundo aos 39, com Rafik Djebbour, girando em cima do irreconhecível Neven Subotic, que na temporada passada foi cogitado pela Juventus e nessa é um dos pontos fracos da equipe.

No segundo tempo, o ataque do time alemão perdeu a força, mas ainda assim desperdiçou uma chance incrível de empatar, com Jakub B?aszczykowski aos 23 minutos. O castigo veio dez minutos depois, quando François Modesto fez o terceiro e praticamente definiu a partida, mostrando que a turma de Klopp ainda precisa de força e principalmente de maturidade para crescer em nível continental.

Após a derrota, o discurso era quase unificado. “Faltou foco e tomamos gols fáceis”, disse o lateral esquerdo Marcel Schmelzer. Logo ele que estava em lugar incerto e não sabido na jogada do segundo gol do clube grego. Jürgen Klopp, com a cara de quem jogou a toalha, disse algo semelhante, afirmando que o time deveria ter feito mais gols no primeiro tempo. De fato, devia, assim como contra o Olympique de Marseille, contra o Arsenal, e em pelo menos duas derrotas na Bundesliga para Hannover 96 e Hertha Berlim – se tivesse vencido, o time estaria dividindo a liderança do torneio contra o Bayern Munique -.

A saída agora é a resignação. Mas poderá ser vencer os três jogos do returno. Contra o Olympiacos em Dortmund, é obrigação. Contra o OM, também em casa, é mais do que possível. E contra o Arsenal, que já deverá estar classificado, é uma possibilidade existente, embora remota. O jeito é levantar a cabeça e seguir achando que a classificação é possível e que essa geração de Götze poderá cravar seu nome na história do time com algo além de uma Bundesliga. É esperar para ver.

Leverkusen complica Valencia; Bayern Munique domina, mas empata

O Bayer Leverkusen representou completamente o inverso do Borussia Dortmund nesta quarta-feira. Fez uma partida ridícula no primeiro tempo, tomou um gol de Jonas e poderia ter sofrido pelo menos mais dois. Parecia com o jogo perdido. Mas, eis que de repente André Schürrle empata a partida aos sete minutos da segunda etapa, e Sidney Sam vira aos 11, em assistência do sempre importante Michael Ballack, novo titular do time com a lesão de Renato Augusto.

A vitória manteve o time na vice-liderança do Grupo E com seis pontos e amenizou um pouco as pressões sobre o técnico Robin Dutt. Os jogadores foram comemorar o gol com ele, sinalizando que o grupo está unido, o que não necessariamente é verdadeiro. O fato real é que Schürrle resolve boa parte dos jogos do time e vem ganhando cada vez mais espaço, assim como Sidney Sam. Dois jogadores que custaram pouco aos cofres do clube e poderão, em um futuro não muito distante, ser vendidos por uma boa grana para equipes maiores da Europa.

Quem também jogou pela Liga dos Campeões foi o Bayern Munique, que ficou no empate por 1 a 1 com o Napoli e perdeu a possibilidade de encaminhar de vez a sua classificação para as oitavas de final. Os bávaros dominaram a maior parte do jogo, abriram o placar com Toni Kroos, mas tomaram o empate com Holger Badstuber, contra, e perderam um pênalti com Mario Gómez. Ainda assim, apesar do empate, paira no ar a sensação de que está tudo sob controle no vestiário.

A conta é simples de ser feita: os bávaros lideram o Grupo A com sete pontos, e enfrentam o Napoli, vice-líder com cinco, em casa. Se vencerem, ainda terão pela frente o Manchester City na Inglaterra, mas precisariam apenas de um empate contra o Villarreal na Allianz Arena para se garantir sem muito esforço. O fator mais animador é o desempenho do time, que não tem oscilado muito e é um dos sérios candidatos a chegar pelo menos às semifinais.

Bundesliga: Bayern Munique segue soberano

No Campeonato Alemão, o Bayern Munique simplesmente atropelou o Hertha Berlim, sem dar tempo para qualquer tipo de reação. Aos 12 minutos, já vencia por 3 a 0, sem problemas, e tinha a partida definida. Depois, fez mais um para sacramentar a goleada que o mantém na liderança da competição com impressionantes 22 pontos em nove jogos, cinco a mais que o vice-líder, Borussia Mönchengladbach, que empatou por 2 a 2 com o Bayer Leverkusen e perdeu a chance de se manter encostado nos bávaros, apesar do esforço de Marco Reus, que faz grande temporada até aqui.

O terceiro colocado é o Borussia Dortmund, que, ao contrário do que faz nas competições europeias, vem de três vitórias seguidas e já soma 16 pontos. Contra o Werder Bremen, mesmo com um a menos durante todo o segundo tempo, o time praticamente não sofreu pressão e soube definir a vitória por 2 a 0 com muita autoridade, mostrando que está de volta ao páreo por uma vaga na Liga dos Campeões em 2012/13.

Quem venceu pela segunda vez no campeonato foi o Hamburg, ainda sem o novo técnico Thorsten Fink, que bateu o Freiburg fora de casa e já começa a tirar a cabeça do fundo do poço. O time ainda ocupa a última colocação, com sete pontos ganhos em nove jogos, mas já vislumbra um cenário um pouco mais agradável com a chegada de um treinador de verdade, que poderá pelo menos evitar o mal maior do rebaixamento inédito para a segunda divisão.
 

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