ENTREVISTA: Dante, do Gladbach: “O sufoco do ano passado nos fortaleceu”

Do quase rebaixamento à quase liderança. Essa é a trajetória do Borussia Mönchegladbach entre o fim da temporada passada e os primeiros 14 jogos da Bundesliga 2011/12. O time atualmente soma 29 pontos, mesma quantidade do Borussia Dortmund, atual campeão e adversário deste sábado, que lidera apenas no saldo de gols, e vem de duas vitórias convincentes, contra Werder Bremen (5 a 0) e Köln, o arquirrival (3 a 0).
Um dos principais jogadores da equipe é o zagueiro brasileiro Dante. Carismático, ele contagiou a torcida com seu estilo de jogo aguerrido, a ponto de ser homenageado com perucas similares ao seu antigo penteado black power, da mesma maneira que os torcedores do Cleveland Cavaliers, da NBA, fizeram com Anderson Varejão. Após a confirmação da permanência do Gladbach, porém, os cabelos do zagueiro foram impiedosamente cortados pelos companheiros da equipe ainda dentro de campo.
Em entrevista à Trivela, Dante comenta que o sufoco vivido na temporada passada foi fundamental para que a equipe se unisse e passasse a mostrar força também dentro de campo. Feliz com o atual momento, o zagueiro fala também sobre a vida na Alemanha, outros destaques da equipe, como Marco Reus e Marc-André ter Stegen, e o confronto contra o Borussia Dortmund. Confira:
Na temporada passada, o Gladbach só se livrou do rebaixamento no play-off contra o Bochum. O time praticamente não se reforçou para 2011/12, mas a campanha é completamente diferente. Na sua opinião, quais os motivos de todo esse crescimento?
Acho que, depois que saímos daquela situação complicada, nos fortalecemos muito. O fato de termos conseguido nos livrar do rebaixamento criou um ambiente muito bom dentro do clube. Percebemos que precisávamos nos unir e, a partir daí, crescemos muito como equipe.
O Marco Reus, que foi fundamental na luta contra o rebaixamento em 2010/11, tem sido muito elogiado na atual temporada e é já é especulado em várias equipes. Como ele se comporta no dia a dia, nos treinos?
O Reus é um cara muito simples, de grupo, mesmo se destacando ele conversa com todo mundo e mantém os pés no chão, segue trabalhando do mesmo jeito, sem se deslumbrar. É um jogador que, se continuar assim, irá muito longe.
Como tem sido a expectativa aí na Alemanha para o confronto contra o Borussia Dortmund?
Estão todos muito ansiosos em Mönchengladbach. Toda hora falam sobre a partida na TV, torcida está muito feliz com o time e também não vê a hora do jogo chegar. A cobertura é um pouco menor do que no Brasil, onde o futebol é tratado quase como religião, mas toda a cidade está no clima do jogo.
Na temporada passada, o Gladbach derrotou o Dortmund e, além de conseguir alimentar a esperança de evitar o rebaixamento, evitou o título por antecipação dos pretos-amarelos. Foi uma partida marcante na reação. Esse jogo é comentado agora, antes do duelo pela liderança?
Até se fala sobre aquela partida, mas muito pouco. No geral, as pessoas sabem que o valor desse jogo é outro, agora estamos disputando a liderança da competição.
Como você vê a equipe do Borussia Dortmund? O que já foi passado pelo técnico Lucien Favre a respeito dos rivais deste sábado?
Nosso treinador já conversou conosco sobre o Dortmund, e sabemos mais ou menos como eles jogam. É um time muito rápido, intenso, ofensivo, com meias que tentam criar jogadas em velocidade durante toda a partida. Até os zagueiros tentam criar jogadas de ataque. Mas nós vamos jogar o nosso jogo também e buscar a vitória.
Você e o Felipe Santana (zagueiro do Borussia Dortmund) foram eleitos no fim de semana passado para a seleção da rodada da revista “Kicker”. Gladbach e Dortmund são cidades relativamente próximas. Como é a relação entre vocês dois? Vocês conversam entre si?
Sim, o Felipe é meu amigo. No mês passado, fiz uma festa de aniversário aqui em Mönchengladbach e ele veio aqui. Nos falamos constantemente, sempre que temos uma folga. Além dele, converso muito com o Renato Augusto, e com outros brasileiros que atuam por aqui por perto.
O Borussia Mönchengladbach se notabilizou nos últimos anos por ter revelado jovens talentosos, como Marko Marin e Alexander Baumjohann, além do já citado Reus, e de outros nomes que compõem a equipe, como Patrick Hermann e Marc-André ter Stegen. Achas que a presença de jogadores mais experientes no grupo em 2011/12 tem sido importante para dar o respaldo a esses jovens ou eles já conseguiriam dar conta do recado por si próprios?
Acho que a presença de jogadores experientes é importante sim. Às vezes, quando há um time só com jovens, a equipe sente falta de alguém que possa administrar determinadas situações que acontecem durante uma partida. Essa mescla precisa ser feita.
Recentemente, os jornais alemães têm elogiado bastante o goleiro Marc-André ter Stegen, apontando-o como possível terceiro goleiro da seleção alemã. Você acha que ele já está pronto para encarar esse desafio, mesmo com apenas 19 anos?
Acho que a seleção é o caminho natural dele. O Ter Stegen é um goleiraço, que demonstra uma maturidade impressionante, sabe controlar as suas emoções, e, além disso, também é um menino muito simples, com os pés no chão. Se continuar nessa evolução, será um dos melhores goleiros do mundo em breve.
No ano passado, após o Gladbach fugir do rebaixamento, seus cabelos foram cortados pela equipe. E agora, se a equipe for campeã alemã, já pensou em algum tipo de promessa para fazer?
Se formos campeões, vou cortar o cabelo de todo mundo (risos).



