Alemanha

E agora, Joachin?

Há duas semanas, escrevi por aqui sobre a renovação no meio-campo alemão comandada por Joachin Löw, e a qualidade dos garotos convocados por ele já foi posta em prova na Bundesliga desse ano. O comandante alemão, porém, certamente contava com o suporte que Michael Ballack daria a esses jovens dentro de campo nos momentos mais difíceis em que a experiência fosse necessária. E a lesão do meia do Chelsea, que o afastará da Copa do Mundo, foi um duro golpe para o treinador, que perdeu sua principal referência dentro das quatro linhas.

A contusão do meia ainda gerará muitas controvérsias. O ganes Kevin Prince Boateng, autor da entrada por trás que causou a lesão, foi flagrado jurando revide ao alemão após ter levado um tapa na cara. E agora pede desculpas dizendo que o lance não foi intencional, mas não convence ninguém. Ballack já declarou que irá processar o adversário, cujo irmão, Jerome, joga na seleção alemã, e não o perdoou, reiterando a maldade da jogada.

Ballack, porém, nunca foi lá um exemplo de jogador leal, e isso não é segredo para ninguém. Durante a carreira inteira, além de boas cabeçadas e chutes de fora da área, ele ficou marcado também por sempre deixar um cotovelo a mais, ou uma perna a mais, em divididas, de maneira covarde e desnecessária, chamando isso de “vontade de vencer”. O que, porém, não justifica o lance do qual foi vítima, nem ameniza o problema enfrentado pelo Nationaelf, sem capitão no momento.

A situação poderia estar melhor se Löw tivesse convocado Thomas Hitzlsperger, por exemplo. O meia, atualmente na Lazio, disputou a Copa do Mundo de 2006 e acrescentaria experiência ao setor, mas foi descartado até da pré-lista, mesmo tendo disputado o amistoso contra a Argentina, em março. Outra alternativa é deslocar Heiko Westermann, zagueiro que pode atuar como meio-campista em alguma emergência. Christian Gentner, do Wolfsburg, também poderia ser chamado.

O melhor nome para a posição parece ser o de Torsten Frings, que se aposentou da seleção em 2009, alegando desavenças com o comandante alemão. O próprio Ballack tentou intermediar, sem sucesso, uma reconciliação entre os dois, mas Frings, que fez boa temporada no Werder Bremen, já avisou que não voltará atrás da decisão tomada. E, convenhamos, mesmo que o fizesse, dificilmente seria chamado, pois Löw já mostrou em outras ocasiões ser bastante orgulhoso para voltar atrás das decisões que toma.

A solução, portanto, parece ser apostar na molecada e encontrar um substituto dentro da lista de pré-convocados. Sami Khedira, do Stuttgart, tem porte físico semelhante ao de Ballack e certamente será o primeiro a ser testado por Löw. Resta saber se ele conseguirá manter, dentro de campo, a posição de titular que praticamente caiu no seu colo. Christian Träsch, companheiro de Khedira no Stuttgart, também poderia ser testado no setor, enquanto os outros meio-campistas chamados por Löw possuem vocação naturalmente ofensiva e dificilmente se adaptariam à posição.

Com a saída de Ballack, fica também a expectativa pela escolha do novo capitão da equipe, e surgem pelo menos três candidatos naturais ao posto: Phillipp Lahm, Bastian Scheinsteiger e Miroslav Klose, todos do Bayern de Munique. Os dois primeiros fizeram uma excelente temporada, enquanto Klose, por sua vez, é reserva no clube, mas os dez gols marcados em Copas do Mundo e a artilharia em 2006 ainda lhe dão o respaldo necessário para ser um líder.

Para os jovens, o desafio aumenta. Afinal de contas, jogar bem com o apoio dos mais experientes é sempre mais fácil, e Ballack certamente poderia ajudar garotos como Mesut Özil, Toni Kroos, Thomas Müller e Marko Marin, que passarão pelo primeiro teste de fogo de suas vidas. É a hora deles mostrarem ao mundo que as conquistas nos campeonatos europeus de base não aconteceu por acaso e que há, de fato, muito talento na nova geração alemã.
A um passo do paraíso

O Bayern de Munique sofreu muito durante a temporada inteira, e ninguém dizia que iria chegar aonde chegou. Um primeiro turno claudicante na Bundesliga, somado à primeira fase sem brilho na Liga dos Campeões – exceto, é claro, pelos 4 a 1 na Juventus em Turim -, indicavam mais um ano decepcionante. Mas os comandados de Louis van Gaal deram a volta por cima, já faturaram o Campeonato Alemão e a Copa DFB Pokal e podem, se vencerem a Internazionale neste sábado, igualar o feito do Barcelona.

Os bávaros fizeram incontestáveis 4 a 0 em cima do Werder Bremen, no último sábado, pela final da Copa da Alemanha, com gols de Robben, Ribéry, Schweinsteiger e Olic, e faturou o título pela 15ª vez. Mais do que isso, confirmaram a condição de melhor time do país e, junto com a soberania nacional reconquistada, vão emplacar pelo menos cinco jogadores como titulares de suas seleções na Copa do Mundo: Robben, Ribéry, Van Bommel, Lahm e Schweinsteiger. Além deles, Demichelis pode figurar no onze inicial de Maradona na África do Sul.

Para a decisão da Liga dos Campeões, que será disputada neste sábado em Madrid, os italianos são tidos como favoritos, mas não se pode subestimar a capacidade de Arjen Robben, que poderá, se sair vencedor, entrar nas listas de candidatos a melhor jogador do mundo em 2010. A dupla de ataque, composta por Ivica Olic e Thomas Müller, também merece muito respeito e certamente dará trabalho à defesa nerazurri, tida como a melhor da competição até aqui.

Se excluirmos fatores alheios a análises como gols de bola parada ou originados em falhas grotescas, podemos dizer que a chave para a vitória dos alemães é a movimentação de Robben. Se ele ficar preso à faixa direita do campo, poderá ser anulado por algum marcador – provavelmente Chivu – e perderá em eficiência. Porém, se migrar para o meio ou para o lado esquerdo, poderá causar problemas em chutes de fora da área ou num eventual confronto com Maicon.

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Equipe Trivela

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