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Dupla dinâmica do Dortmund quebra muralha azul e lidera o massacre no clássico

Três vitórias seguidas no Campeonato Alemão e um pulo da zona de rebaixamento para o meio da tabela. O Borussia Dortmund conseguiu, enfim, emendar uma sequência de bons resultados, no começo de 2015, mas queria uma grande vitória para consolidar a reação tanto quanto precisava dela. A oportunidade era clara: o rival Schalke 04, no Westfalenstadion bonito como sempre. E a atuação dos comandados de Jürgen Klopp não decepcionou na vitória absolutamente justa por 3 a 0.

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Se a Muralha Amarela era responsável pela festa nas arquibancadas, Timon Wellenreuther, terceiro goleiro do Schalke 04, aos 19 anos, tratava de impedir que aqueles torcedores fossem felizes. Até o gol de Aubameyang que abriu o placar, aos 33 minutos do segundo tempo, estava impecável. Ao lado da ineficiência do ataque amarelo, liderado por Aubameyang, Reus e Mkhitaryan, o principal culpado pelo zero no placar.

Klopp deixou o seu centroavante Immobile no banco de reservas e escalou Aubameyang mais à frente, apoiado por Reus, Mkhitaryan e Kagawa. Sob um determinado ponto de vista, funcionou porque chances de gol foram criadas em abundância. Sob outro, talvez fosse melhor ter um grande finalizador em campo, porque o desperdício chegou a níveis assustadores.

Logo aos quatro minutos, Aubameyang saiu cara a cara com Wellenreuther, tentou tocar na saída dele, mas o goleiro executou ótima defesa. Foi apenas o começo do massacre do Borussia Dortmund, com 15 finalizações no primeiro tempo contra duas do Schalke 04 (nenhuma no alvo). Pouco depois, Mkhitaryan realizou um cruzamento alto e Reus pegou de primeira. Triscou a trave.

A pressão continuou, e como se não houvesse jogadores criativos o suficiente no meio-campo do Dortmund, Hummels descolou dois belos lançamentos da defesa. Um deles deixou o zagueiro Nastasic todo atrapalhado, a bola sobrou para Kagawa, que tentou encobrir Wellenreuther, mas errou o alvo. O zagueiro, de três dedos, achou Reus, na sequência, que rolou para trás buscando Aubameyang. Com o gol livre, o atacante chutou em cima de Nastasic.

Kagawa destoava do quarteto ofensivo do time da casa, uma marcha atrás dos seus companheiros em intensidade, mas Reus, como nas três vitórias seguidas das rodadas anteriores que tiraram o time da zona de rebaixamento, estava ligado como sempre. Pegou um rebote na ponta direita da grande área, de primeira, e não marcou apenas porque Neustäder desviou de cabeça para o travessão. Na jogada seguinte, dominou quase no mesmo ponto, cortou para o meio e chutou cruzado com a direita. Mais uma vez, a bola triscou a trave.

O jogo voltou para o segundo tempo na mesma toada. Minutos após o árbitro apitar, Reus recebeu lançamento em velocidade e tentou tocar na saída de Wellenreuther, que fez outra grande defesa. A estratégia das bolas longas para a velocidade do ataque do Dormuntd funcionava muito bem. Mkhitaryan ficou mais duas vezes cara a cara com o goleiro e parou nas jovens mãos do terceiro goleiro do time de Gelsenkirchen.

Roberto Di Matteo, bem fiel ao seu estilo, havia abdicado completamente do ataque. Aqueles dois chutes a gol continuaram sem companhia até os 23 minutos do segundo tempo, quando Marco Höger arriscou de fora da área e ganhou um escanteio. A esperança quase utópica do italiano era que o seu time aguentasse durante os 90 minutos e aproveitasse um erro do adversário.

O erro veio, mas não foi do adversário. Defender, correr, dar carrinho e se concentrar durante 90 minutos exige uma força mental imensurável. Uma bola enfiada por Mkhitaryan pegou a defesa desprevenida, e pela milésima vez, um jogador do Borussia Dortmund saiu cara a cara com Wellenreuther. Desta vez, Aubameyang tocou de bico no canto esquerdo e abriu o placar. Pegou um sacola atrás das traves, vestiu a máscara do Batman e deu a de Robin para Marco Reus.

Junto com Mkhitaryan, eram os destaques do Dortmund, apesar das chances perdidas (elas, afinal, precisam ser criadas antes de serem desperdiçadas). O trio funcionou muito bem no segundo gol: de Reus para Aubameyang, para Gundögan, que cruzou para Mkhitaryan matar o jogo, de carrinho.

Ainda deu tempo de Reus sublinhar sua importância para equipe. Depois de tantas defesas, e de ver o seu esforço ser em vão, deu tilt na cabeça de Wellenreuther. Recebeu uma bola recuada e simplesmente travou. Não soube o que fazer com ela. Reus, sempre esperto, fez o desarme e marcou o gol mais fácil da sua vida. Foi o quarto dele em quatro jogos de Bundesliga desde que voltou de lesão. Coincidência? Quatro vitórias.

E com elas, o Dortmund já está na nona colocação do Campeonato Alemão. Está a cinco pontos da zona de rebaixamento, a sete de classificação na Liga Europa e a oito da próxima Champions League. Ainda tem muitos degraus para galgar e precisaria de uma campanha perfeita para essas ambições virarem realidade. Precisaria de 11 jogos tão intensos quanto os deste sábado, mas com muito mais capricho nas finalizações.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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