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Douglas Costa pode ser útil ao Bayern, mas precisará provar seu valor, e não só em campo

O valor até se sugere alto demais para os próprios padrões de contratações do Bayern de Munique. Por mais que o clube tenha muito dinheiro, esta é apenas a quinta vez em sua história que os bávaros gastam pelo menos € 30 milhões em uma contratação. Sinal da confiança da diretoria em Douglas Costa, um reforço que vai além do que aconteceu na Copa América. Embora não tenha ido bem com a Seleção, não é de hoje que o meia mantém um bom nível de desempenho no Shakhtar Donetsk. Vem como uma peça útil ao esquema de Pep Guardiola, mas que precisará se adaptar. Especialmente por uma questão de vestiários.

Durante a última temporada, ficou visível a maior urgência do elenco do Bayern: contratar jogadores para as pontas. Por mais que Ribéry e Robben sejam os dois grandes diferenciais dos bávaros, não dá para ficar tão dependente das condições físicas dos veteranos. Douglas Costa não é o talento individual que se espera para substituir os craques, longe disso – ainda que seja difícil achar no mercado alguém disponível que realmente seja. Mas é um nome versátil para ocupar o setor, com visão de jogo e qualidade nos passes para contribuir bastante no esquema de posse de bola do Guardiola. Além disso, que também ajuda na variação, com a capacidade nas jogadas de linha de fundo e nas chegadas à área. E tem potencial para crescer, até pela idade.

Em quatro temporadas e meia no Shakhtar Donestk, Douglas Costas se transformou. O meia promissor do Grêmio se tornou um jogador mais agudo, que assumiu o protagonismo do time diante das importantes perdas sofridas nos últimos dois anos (Fernandinho, Willian e Mkhitaryan). O Shakhtar perdeu sua hegemonia no Campeonato Ucraniano em 2014/15 por motivos que se explicam em campo, mas também tem influências além, com o mando dos jogos fora de Donetsk. Apesar disso, o jogador de 24 anos se saiu bem. Em 202 partidas pelo clube, são 38 gols e 40 assistências, números razoáveis. Com a versatilidade de poder atuar em qualquer uma das posições na trinca de meias – em especial na direita, futura sombra a Robben.

Outra questão para Douglas Costa estará no relacionamento com os novos companheiros. Durante o duelo entre Shakhtar e Bayern na Liga dos Campeões, um áudio de Rafinha criticando a postura dos brasileiros do time ucraniano circulou nas redes sociais, sob a afirmação de que Schweinsteiger teria se recusado até mesmo a trocar camisas com Douglas Costa. Após a repercussão, os jogadores afirmaram que tudo não passou de um mal entendido. E é difícil imaginar que a contratação de um reforço mal visto internamente passaria pelo crivo das lideranças, como o próprio Schweinsteiger. Boato ou não, o assunto deverá voltar à tona, em um desgaste já desnecessário.

Somente na bola, Douglas Costa tem potencial para vingar no Bayern. Talvez não para solucionar as reais carências, ou para convencer que valeu mesmo € 30 milhões. Isto é algo que ele só responderá ao longo da próxima temporada, em que a exigência será novamente por uma campanha massacrante na Bundesliga e a reconquista da Champions. Para tanto, precisará jogar, e se integrar realmente a um time cuja grande marca é o coletivo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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