Alemanha

Diego: Meia palavra basta

No início do ano, em vez de fazer a pré-temporada de inverno junto a seus companheiros de Werder Bremen, Diego conseguiu a liberação do clube para se reabilitar fisicamente com Luís Rosan, fisioterapeuta da Seleção Brasileira e do São Paulo, no clube do Morumbi. Na ocasião, o editor da revista kicker pediu que este colunista fosse entrevistar o meia, para saber quando ele retornaria para a Alemanha e quais eram suas perspectivas quanto ao restante da temporada, sobre seu futuro e também sobre a saída de Tim Borowski, que, poucos dias antes, havia definido sua saída para o Bayern de Munique.

Quando questionado sobre sua permanência no clube e sobre a possibilidade de deixar a Alemanha, tendo em vista as especulações que envolviam seu nome e a Juventus, Diego foi enfático: “Tenho mais três anos de contrato com o Werder e quero cumpri-los até o final. Estou adaptado e quero conquistar títulos”, disse o ex-santista, sem parecer muito convincente. Poucos dias depois dessa entrevista, o tema desta coluna foi justamente a pouca força que o Werder Bremen faz para segurar seus principais jogadores, como aconteceu com Miroslav Klose no começo de 2007 e, agora, com Borowski.

Pouco mais de dois meses depois, o discurso de Diego muda à medida que a imprensa alemã e italiana voltam a ventilar o interesse da Vecchia Signora no meio-campista, eleito no último ano o melhor jogador da Alemanha. Nesta semana, a kicker voltou a falar com ele. Repetiu a pergunta que fiz em janeiro. A resposta começou igual, mas terminou diferente: “Tenho contrato até 2011 e quero cumpri-lo até o final. Tenho para mim que fico. Entretanto, cabe à direção do Werder decidir isso.” O ex-santista até tenta mostrar que não quer sair (“se perguntarem para mim aqui se quero ir, direi não”). Não é, porém, o que parece. E o clube, ao que tudo indica, não fará tanta força assim para manter o jogador.

De acordo com as especulações das últimas semanas, a Juve estaria disposta a pagar algo próximo de € 30 milhões para tirar Diego do Weserstadion. Os alemães, ao menos por enquanto, fizeram jogo duro. Deram a clássica resposta de que “o jogador não está à venda”. Quem se lembra da novela envolvendo a saída de Miroslav Klose para o Bayern de Munique, porém, deve ver algumas semelhanças entre os dois casos. Ambos começaram da mesma maneira, com especulações e declarações de que o jogador ficaria e jamais reforçaria o rival.

Hoje, um ano depois, todos sabemos como terminou a história. Com o retrospecto recente de perdas de seus principais jogadores – seja para o mercado interno quanto para o externo –, não há nada que não leve a crer que Diego continuará em Bremen na próxima temporada. Indícios para tal? O próprio meio-campista deu a pista de sua saída antes mesmo de ser questionado pelo repórter Hans-Günter Klemm especificamente sobre o assunto. A pergunta era: “Mesmo tão jovem, você já conquistou uma série de títulos, mas ainda nenhum pelo Werder. Pelo jeito não será desta vez, não?” E a resposta: “Infelizmente tivemos azar e fomos eliminados da Copa Uefa. Nunca joguei uma partida tão desequilibrada (a favor do Bremen) como a contra o Glasgow. Sou um cara que gosta de vencer. Seria decepcionante deixar o clube sem conquistar um título”.

Para bom entendedor, meia palavra basta.

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Equipe Trivela

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