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Defesa no divã

 Jogar com um time misto,  conseguir uma vitória com o pé nas costas e seguir em frente em uma competição com muitas dificuldades. Quando lemos algo parecido e sabemos que o time vencedor foi o Bayern Munique, pensamos logo que foi algum jogo mequetrefe da Copa da Alemanha nas primeiras fases contra um Arimateia alemão qualquer. Mas não. Foi contra o Olympique de Marseille pelas quartas de final da Liga dos Campeões. A vitória era prevista até pelas múmias de Munique – se é que elas existem -, e a facilidade também, mesmo com o time misto, mas as coisas foram ainda mais tranquilas do que o esperado.

Tudo conspirou a favor dos bávaros. A boa vitória do primeiro jogo deu a tranquilidade necessária para que Jupp Heynckes pudesse poupar alguns jogadores importantes, como Arjen Robben e Mario Gómez. Robben, ao que tudo indica, não gostou de ter ficado no banco, pois lá estava com cara de criança que teve o lanche roubado no recreio da escola, danado da vida. Gómez entrou no segundo tempo e não fez muita coisa, mas perdeu a oportunidade de se manter igual a Lionel Messi na artilharia da Liga dos Campeões.

Restava Frank Ribéry no time. E Ribéry é sinônimo de feiura e talento em proporções iguais. Fez uma jogadaça pela direita no primeiro gol marcado por Ivica Olic, e outra jogadaça pela esquerda no segundo gol, também assinalado por Olic em cruzamento de David Alaba. Artilheiro solitário da vitória por 2 a 0, o croata comprovou de vez seu ódio por clubes franceses – marcou três vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Lyon na semifinal da Liga dos Campeões de 2009/10 – e mostrou ser um ótimo reforço nessa reta final da temporada, dando a Jupp Heynckes a possibilidade de poupar ou Mario Gómez ou Thomas Müller – que saiu no primeiro tempo e preocupa em determinadas partidas.

Toni Kroos também estava em campo e, como em quase todos os jogos da Liga dos Campeões, fez boa partida. Eficiente na distribuição de jogo, atuou desta vez como meia central, assustando em chutes de fora da área e fazendo com que a bola chegasse aos pés de Ribéry. Os volantes Luiz Gustavo e Anatoly Tymoshchuk avançaram mais do que o costume e mostraram que podem chegar ao ataque com qualidade quando necessário, com chutes de fora da área potentes que obrigaram o goleiro Steve Mandanda a trabalhar bastante durante o jogo.

Engana-se, porém,  quem pensa que só exista a parte boa. O ataque do Bayern Munique é poderosíssimo? É, sim senhor. Mas a defesa é uma mãe. O time é o 16º colocado em desarmes na Bundesliga, que conta com 18 times – a média é de apenas 16 por jogo, contra 27 do líder Borussia Dortmund -. Mais do que isso? Holger Badstuber é um dos zagueiros titulares, e a cena mental dele correndo com seu arranque de motor de fusca – e corpo de caminhão – atrás de qualquer um da linha de frente do Real Madrid não é favorável ao time alemão. Jérôme Boateng, seu companheiro de zaga, é mais seguro, mas não chega a ser uma maravilha nos duelos mano a mano.

Sobram os laterais. Philipp Lahm, ok, é um dos melhores do mundo e segura o rojão tranquilamente. Voltou a jogar bola e se preocupar menos em expor seus companheiros com verdades desnecessárias em livros. David Alaba é um menino, um guri que vai muito bem no ataque e ainda não foi realmente testado na defesa. Será contra os merengues, seja qual for o jogador que cair no seu setor.

Quem também será bastante exigido é Manuel Neuer, que fez pelo menos duas defesaças contra o Olympique de Marseille e é novamente um dos melhores goleiros da Liga dos Campeões. Seguro debaixo das traves, ainda falha bastante com a bola nos pés, mas é indubitavelmente o melhor goleiro alemão em atividade e já rivaliza, na opinião deste colunista, com Iker Casillas pelo posto atual de melhor do mundo. É nas mãos dele que repousam as esperanças dos torcedores bávaros de que essa defesa claudicante possa segurar um dos melhores ataques do mundo.

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Equipe Trivela

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