Alemanha

De volta à realidade

Depois das duas belas vitórias contra a Internazionale, o Schalke 04 passou, com todo o direito, a sonhar com voos mais altos. Afinal de contas, eliminar o atual campeão do torneio de maneira incontestável dá a qualquer clube, seja qual for o tamanho dele, a perspectiva de poder vencer qualquer desafio. A derrota contra o Manchester United em casa, porém, devolveu os azuis reais à realidade. E a realidade, nesse caso, é cruel, pois o confronto está praticamente decidido e não há mais muito o que fazer, além de três gols em Old Trafford e tomar no máximo um contra um adversário notavelmente superior no aspecto técnico.

Quando observamos a partida, é simples perceber que 2 a 0 foi pouco. Neuer, melhor goleiro da Liga dos Campeões e talvez o melhor do mundo na temporada 2010/11, evitou um massacre ainda maior com uma atuação soberba no primeiro tempo. Pegou tudo, mais um pouco e fez outras belas defesas na etapa final até ser superado por Ryan Giggs e Wayne Rooney. O resto do time, porém, não ajudou muito e foi facilmente envolvido no toque de bola durante todos os 90 minutos e, em que pesem as tentativas desesperadas de Ralf Rangnick para mudar o quadro, não houve jeito.

Rangnick, porém, foi infeliz ao escalar a equipe. Sarpei, improvisado na lateral esquerda, sentiu o peso da idade e em nenhum momento conseguiu parar quem quer que caísse pelo seu setor durante a partida, fosse Valencia, na maioria dos lances, ou Rooney, esporadicamente. No outro lado, Uchida mostrou suas antigas deficiências na marcação e também não conseguiu parar nem Giggs, nem Park Ji Sung. Na zaga, sem o importante Hôwedes, Metzelder e Matip sofriam com Rooney e Chicharito.

O jogo, porém, foi perdido no meio-campo, que em nenhum momento conseguiu manter a posse de bola. O grego Papadopoulos, único marcador por ofício, ainda lutou bastante, mas Baoumjohann e Jurado estiveram longe de repetir as boas atuações do confronto contra a Internazionale. Farfán, pelo lado direito, ainda conseguiu vencer a marcação de Evra na velocidade em alguns momentos, mas o cruzamento era sempre bem cortado por Vidic e Rio Ferdinand, que anularam os atacantes Raúl e Edu.

Não há, porém, muito o que lamentar em Gelsenkirchen. O time, que foi praticamente desmontado no início da temporada com a perda de Rafinha, Kuranyi, Bordon e outros, sofreu ainda mais com a saída de Rakitic para o Sevilla, mas conseguiu sua melhor campanha na história da Liga dos Campeões. Algo que ninguém, nem mesmo o mais xiita dos mineiros que bebem cerveja e torcem apaixonadamente pelo clube, seria capaz de imaginar. A conquista também foi excelente em termos financeiros e permitirá que os azuis reais respirem com saúde por um pouco mais de tempo.

A euforia pela boa campanha, porém, pode ser freada de duas maneiras. A primeira é quando lembramos que o clube sequer está garantido na Liga Europa e precisa vencer o Duisburg na Copa da Alemanha para adquirir esse direito. Tarefa não muito difícil na teoria, mas que terá de ser completada com êxito no próximo dia 21 de maio. E, mesmo que se classifique, será apenas um prêmio de consolação para um time que fez uma campanha horrorosa no primeiro turno da Bundesliga e ficará no meio da tabela.

A questão que tira o sono da torcida, no entanto, é a permanência ou não de Manuel Neuer na equipe. O goleiro já recusou uma proposta de renovação e poderá ir ao Bayern Munique na próxima temporada. Os bávaros, que já o hostilizaram recentemente com cartazes escritos “Koan Neuer” (Sem Neuer) na Allianz Arena, parecem mais flexíveis, pois Butt e Kraft já não inspiram mais confiança nenhuma em ninguém. A partida entre as duas equipes, neste fim de semana em Munique, mostrará se a torcida do Bayern se arrependeu e o tratará bem.

Borussia Dortmund: derrota inesperada

O Borussia Dortmund pressionou bastante durante boa parte do jogo, mas perdeu por 1 a 0 para o Borussia Mönchengladbach e agora vê o Bayer Leverkusen a apenas cinco pontos de distância, faltando três rodadas para o fim. Os comandados de Jürgen Klopp agora enfrentam o bom time do Nürnberg e, se vencerem e o Leverkusen tropeçar contra seus rivais do Köln, serão campeões alemães pela sétima vez em sua história. A briga pelo título só esquentará caso aconteça o contrário e a diferença entre as equipes cair para dois pontos.

A disputa que certamente mexerá com o país nesse fim de campeonato será pela terceira posição. Hannover 96 e Bayern Munique estão separados por apenas um ponto e as duas equipes jogam em casa nesta rodada contra, respectivamente, Borussia Mönchengladbach e Schalke 04. A tendência é que vençam e levem o duelo adiante até o fim. Na briga contra o rebaixamento, Gladbach e St. Pauli seguem firmes e determinados a disputar a 2. Bundesliga. O Wolfsburg, que reagiu na semana passada ao golear o Köln, parece disposto a fugir dos play-offs.
 

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Equipe Trivela

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