Dante: “Jogador do Bayern tem que pensar em Seleção”

A já confirmada ida do zagueiro Dante do Borussia Mönchengladbach para o Bayern Munique envolveu cerca de € 4,7 milhões, valor da cláusula de rescisão do jogador com seu antigo clube. Apontado como um dos melhores da posição na temporada, ele chega para suprir uma carência no elenco bávaro, que conta com poucos nomes para a posição. Para se ter uma ideia, o técnico Jupp Heynckes não sabe ainda quem irá escalar no lugar de Holger Badstuber na final da Liga dos Campeões contra o Chelsea porque não há um especialista na posição entre os reservas.
Alheio a essa confusão e ainda impossibilitado de atuar por seu novo clube, Dante se mostra feliz com a negociação e vê o novo contrato assinado como uma recompensa por toda uma história de luta. Sem oportunidades em times grandes do Brasil, o zagueiro de 28 anos começou a carreira aos 15 na Catuense-BA, passou pelo Galícia e pelo Capivariano antes de chegar ao Juventude, onde se profissionalizou. Depois, atuou pelo Lille e pelo Standard Liège, da Bélgica, antes de chegar ao Gladbach, onde se tornou ídolo da torcida. Em entrevista à Trivela, ele fala um pouco sobre a transferência. Confira:
– Como você encara essa transferência para o Bayern?
Para mim, é uma vitória. Uma vitória de um longo caminho que começou lá atrás, uma recompensa por todo o trabalho realizado até aqui nos clubes em que atuei no Brasil e na Europa. É a conquista de um objetivo, mas não adianta pensar que chegar aqui é o suficiente. Tenho que batalhar muito para conquistar o meu espaço.
– Vendo o Bayern chegar à final da Liga dos Campeões com Boateng e Badstuber fazendo dois jogos muito bons contra o Real Madrid, dá para pensar em chegar e ser titular?
Respeito todos os jogadores que estão por lá, mas chego com a mentalidade de fazer o meu trabalho e jogar o máximo possível. Vou me empenhar muito para conquistar a confiança de todos e esperar as decisões do treinador. Caso ele não me escolha, continuarei trabalhando, sei que em um clube grande como o Bayern há 15, 20 jogadores de alto nível e é importante estar sempre preparado para aproveitar as oportunidades que aparecerem.
– Quais as principais lembranças que você levará de Mönchengladbach?
Saio com a sensação de dever cumprido. Conseguimos nos livrar do rebaixamento com uma grande reação na temporada passada, e em 2011/12, fizemos algo que ninguém esperava: classificamos o Gladbach para uma competição europeia (N.R: O Gladbach está a um ponto de garantir vaga na Liga dos Campeões, faltando duas rodadas para o final da Bundesliga).
– Você já atuou várias vezes contra o Bayern Munique. Qual atacante é o mais difícil de marcar?
Jogo mais diretamente contra o Mario Gómez, que é um grande atacante, mas o Ribéry é um jogador muito agressivo, rápido, difícil de marcar. Todos os jogadores ofensivos do Bayern são de classe mundial, e é difícil destacar um em especial.
– Você pensa em atuar na seleção brasileira?
Claro que sim! Um jogador do Bayern Munique tem que pensar em seleção brasileira, sem dúvida alguma! É um objetivo na minha carreira. Hoje, o Thiago Silva sobra na turma, e temos outros jogadores chegando, como David Luiz e Dedé, mas acredito que é possível entrar nessa briga. O zagueiro vive sua melhor fase entre os 28 e os 32 anos e espero mostrar isso dentro de campo.
– E na seleção alemã? Você jogaria?
A seleção alemã também seria bem vinda, mas o processo para a obtenção do passaporte alemão é demorado. Penso mais na seleção brasileira mesmo.
– Nos últimos anos, vários zagueiros brasileiros têm feito sucesso na Alemanha, como Bordon, Naldo, Pedro Geromel, Lúcio e Juan. Achas que há alguma relação com o estilo de jogo nos dois países ou tem mais a ver com a postura de cada um na Alemanha?
Creio que tem mais a ver com a postura de cada um, e a prova disso é que jogadores de outras posições, como Élber, Zé Roberto e Jorginho também fizeram sucesso. O Renato Augusto hoje é um grande jogador do Bayer Leverkusen. É mais uma questão de estar focado, saber o que quer e superar as dificuldades de adaptação.
– Quais foram as suas principais dificuldades de adaptação na Alemanha?
A principal delas foi o idioma. No primeiro ano sofri muito com isso, mas depois que aprendi a falar, passei a me sentir melhor e as coisas começaram a acontecer com mais facilidade.



