Copa da Alemanha

A Pokal é o desfecho dourado à temporada assombrosa de Nkunku pelo Leipzig

Nkunku tinha sido eleito o melhor jogador da Bundesliga e foi herói na final da Copa da Alemanha

Não é todo mundo que vai se lembrar de Christopher Nkunku, mas o atacante merece figurar nas listas de melhores jogadores da temporada europeia. O francês teve números excelentes com a camisa do RB Leipzig, mas o primeiro semestre ruim da equipe freou seu impacto. Nestes últimos meses, então, o atacante liderou os Touros Vermelhos ao G-4 da Bundesliga e à semifinal da Liga Europa. Se nada disso parecia suficiente para fazer jus ao seu alto nível, ele terminou como grande protagonista na Copa da Alemanha. Foi o principal jogador no primeiro título do clube da Red Bull.

Revelado pelo PSG, Nkunku chegou como aposta ao RB Leipzig em 2019/20. Tinha 21 anos e parecia no lugar certo para fazer seu futebol desabrochar, já que não ganhava muitos minutos em campo com os parisienses. Desde a primeira temporada, o novato se tornou uma peça importante na rotação de Julian Nagelsmann. Era um nome recorrente em diferentes posições do meio para frente, especialmente como ponta, e dava suas principais contribuições com assistências. Porém, não era considerado uma das estrelas da equipe, por mais que rendesse em bom nível e tenha crescido em 2020/21.

As saídas de Timo Werner e Marcel Sabitzer ajudaram Nkunku a subir na hierarquia. Mesmo assim, a transformação do francês na atual temporada impressiona. O camisa 18 passou a atuar mais solto, se aproximando do ataque. Desandou a fazer gols. Se o time de Jesse Marsch era uma bagunça, quase sempre Nkunku garantia os resultados nas costas. E a chegada de Domenico Tedesco também ajudou a potencializar o jovem de 24 anos, agora numa equipe mais bem estruturada. Fato é que sua fonte de gols não secou, independentemente do contexto, embora os resultados só tenham melhorado no segundo semestre.

Nkunku terminou a Bundesliga eleito o melhor jogador da competição pela própria liga. Não é pouco, considerando a concorrência de Robert Lewandowski. O francês acumulou 20 gols e 15 assistências, presente nos 34 compromissos do Leipzig na campanha. Seu desempenho no segundo turno foi especialmente marcante, balançando as redes em 11 das 17 rodadas, num total de 13 tentos e oito assistências. Durante as competições europeias, Nkunku também se saiu bem. Fez sete gols na fase de grupos da Champions, com hat-trick diante do Manchester City, e depois anotou mais quatro na Liga Europa, fundamental nas quartas contra a Atalanta. Entretanto, é a Copa da Alemanha que fica na história.

Nkunku foi decisivo ao longo da Pokal. A contribuição se tornou mais marcante a partir das quartas de final, com dois gols nos 4 a 0 sobre o Hannover 96. Nas semifinais, sofreu o pênalti que iniciou a reação contra o Union Berlim. Já na decisão, numa partida em que o Leipzig nem jogou tão bem, representou o principal tormento ao Freiburg. Quase todos os lances de perigo dos Touros Vermelhos no Estádio Olímpico vinham com o camisa 18. Num momento em que seu time parecia morto, ele foi muito inteligente para determinar o placar de 1 a 1. E mesmo numa equipe com um homem a menos, o francês puxava ataques perigosos de tempos em tempos. Foi fundamental, até converter o primeiro pênalti que valeu o título, com a vitória por 4 a 2 na marca da cal.

O RB Leipzig teve grandes talentos nessa ascensão recente. Mesmo assim, dá para discutir se a temporada atual de Nkunku é a de maior nível – superando inclusive o ápice de Timo Werner no clube. O rendimento do francês, afinal, rendeu taça. O camisa 18 não possui a representatividade de Yussuf Poulsen, Emil Forsberg, Péter Gulácsi e ainda outros na Red Bull Arena. Mas não tem nem como questionar que ele é a face principal na conquista que, enfim, começa a cumprir as ambições da Red Bull na Alemanha.

A fase de Nkunku é tão boa que ele parecia uma ausência sentida nas convocações da seleção francesa, até começar a ser chamado. Mesmo com toda a concorrência, parece pronto a se integrar na lista para a Copa do Mundo de 2022. Já por clubes, tudo depende de seu projeto de carreira. Pelo que fez nesta temporada, pode continuar como dono do time do Leipzig. Mas tem capacidade para saltos ainda maiores e também para render uma bela grana aos Touros Vermelhos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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