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Comemoração racista? Não, foi apenas uma coreografia tradicional de torcidas alemãs

“Alemães racistas! Tiraram sarro dos argentinos chamando de macacos!”

Será? A dancinha que Weindenfeller, Mustafi, Schürrle, Klose, Götze e Kross fizeram nas comemorações  do título mundial da Alemanha em Berlim causou polêmica. Ainda mais porque vinha acompanhada de uma música “So gehen die Gauchos, die Gauchos, die gehen so. So gehen die Deutschen, die Deutschen, die gehen so”.

Tradução: “Assim andam os gaúchos, gaúchos andam assim [abaixados]. Assim andam os alemães, alemães andam assim [em pé]”.

A imprensa argentina acusou os campeões de fazerem menções racistas, até porque, quando andam abaixados, os jogadores parecem imitar macacos.

A acusação é séria, mas não parece ser a intenção. Até porque o Facebook da seleção alemã e a ZDF, rede de TV, reproduziram essa dança, com letra e tudo. Dificilmente fariam isso se houvesse alguma conotação racista (alemães são neuróticos para não soarem racistas – pelo menos em público – devido ao que ocorreu na Segunda Guerra Mundial).

E, de fato, não há motivos para levar a polêmica muito adiante. A coreografia é muito comum entre as torcidas alemãs. No final, ela realmente quer dizer que um time derrotado está de cabeça baixa e o time vencedor está pulando. É uma forma quase infantil de cutucar um adversário (é bem menos agressivo que dizer xingar a mãe ou ameaçar bater). Vejam abaixo.

Torcida do Munique 1860 provoca o Bayern de Munique:


Torcida do Union Berlin provoca a do Werder Bremen:

Torcida do Stuttgart provoca a do Schalke:

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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