Alemanha

Com o respaldo do chefe

Falar que Arjen Robben é um craque e finaliza muito bem de fora da área é, definitivamente, chover no molhado. Dizer que o troglodita Mario Gómez vive um excelente momento e tem feito diversos gols parecidos com o que decretou a vitória do Bayern Munique contra a Internazionale nesta quarta-feira, pela Liga dos Campeões, também. A grande novidade do triunfo bávaro foi a estabilidade defensiva da equipe, à qual pode ser creditada de maneira mais explícita a três nomes que ganharam muito espaço com Louis van Gaal recentemente: Thomas Kraft, Luiz Gustavo e Breno.

Entre os três, a história de Kraft é a que mais impressiona. Na temporada passada, ele atuava pelo Bayern Munique II e tinha pouquíssimas perspectivas de ser aproveitado na equipe principal, pois Michael Rensing era tido como o sucessor natural do recém-aposentado Oliver Kahn e Hans-Jörg Butt, o reserva imediato. Pois bem, Rensing falhou seguidamente e Butt ganhou a posição ainda em 2009/10, mas esperava-se que o clube contratasse outro goleiro com mais cancha internacional. Nomes como Eduardo, Hugo Lloris e Akinfeev foram cogitados, mas nenhum deles acertou com os bávaros.

No início da temporada 2010/11, Butt continuava como titular e respaldado pelo fato de ter ido à Copa do Mundo como terceiro goleiro, e os bávaros continuavam procurando alguém para a posição. A diretoria chegou até a cogitar a possibilidade de emprestar Kraft, que, já aos 22 anos, não pretendia mais ficar estagnado no Bayern II e se dedicou nos treinos para continuar no time principal. Um dia, a oportunidade chegou e ele tratou de aproveitar, pegando um pênalti contra o Wolfsburg na primeira partida após a pausa de inverno e ganhando definitivamente a posição.

Nesta quarta-feira, ele não chegou a ser brilhante, até porque o jogo não teve tantas oportunidades de gol assim. Mas fez pelo menos três boas defesas – uma delas espetacular, em um chute de Eto’o – e esbanjou segurança, calando os críticos que duvidavam de sua capacidade em jogos decisivos. De quebra, ainda viu o badalado goleiro adversário, Júlio César, falhar no fim do jogo e dar nos pés de Mario Gómez o gol da vitória do Bayern. Se mantiver o nível, poderá constar nas convocações para a seleção alemã em breve e disputar um lugar na reserva do hoje intocável Manuel Neuer.

Outro destaque da partida, Luiz Gustavo chegou ao clube em janeiro vindo do Hoffenheim, mas quem o vê jogar e não sabe disso é capaz de afirmar que está há tempos como titular, tamanha a facilidade de adaptação. Em Milão, comandou o meio-campo junto com Schweinsteiger, que dispensa apresentações e voltou a jogar muita bola, exibindo eficiência na marcação e no passe, provando que é, no momento, o melhor brasileiro em atividade no futebol alemão e merece um olhar mais atencioso de Mano Menezes.

Breno, por sua vez, é um ano mais novo do que Kraft, mas parece bem mais velho, em função da rodagem profissional que possui e do tempo em que é badalado como um grande zagueiro. Contratado a peso de ouro pelos bávaros em 2008 após brilhar no Campeonato Brasileiro do ano anterior com o São Paulo, ele passou por um processo difícil de adaptação, sofreu com lesões e só agora consegue se firmar no time. Não é titular absoluto, mas tem entrado com frequência nas partidas em 2010/11 e, exceto pelas falhas na derrota contra o Schalke 04, tem tido boas atuações.

Contra a Inter, ele entrou na “fogueira” no lugar de Pranjic. Com uma atuação segura, deu pouco espaço aos atacantes nerazurri e travou um grande duelo com Eto’o, vencendo a maioria das disputas por baixo e exibindo eficiência no jogo aéreo. Na única jogada em que o camaronês levou a melhor, Kraft estava lá para evitar o gol. A boa partida o credencia a continuar lutando por um lugar no time titular e começa a justificar os milhões investidos em sua contratação.

O restante do time, como foi dito no primeiro parágrafo, manteve o padrão. Robben chamou a responsabilidade, fez uma jogadaça que parou na trave de Júlio César e criou o lance do gol com seu tradicional corte para dentro seguido do chute forte de esquerda. Ribéry incomodou bastante Maicon pela esquerda, e Mario Gómez resolveu a parada quando acionado. Thomas Müller foi outro que participou intensamente da partida.

A força do ataque bávaro, no entanto, não surpreende ninguém. O fato novo que a partida desta quarta-feira mostrou é que, se conseguir manter a consistência defensiva, o time de Louis van Gaal se torna muito mais perigoso e, se somarmos isso ao talento da equipe e à experiência na Liga dos Campeões passada, é possível dizer que o Bayern Munique está mais forte do que em 2009/10 e pode, desta vez, ser encarado como um dos grandes favoritos ao título.

Jogo decisivo (ou não)

Neste sábado, Bayern Munique e Borussia Dortmund se enfrentam pela 24ª rodada da Bundesliga na Allianz Arena, em um jogo que poderá ser a revanche do primeiro turno, quando os aurinegros venceram por 2 a 0, fora o baile. Além disso, a partida poderá ser fundamental para trazer de volta a emoção em um campeonato que, à primeira vista, parece decidido.

A matemática é simples: se o Dortmund vencer, abre 16 pontos de vantagem sobre os bávaros e praticamente só terá o Bayer Leverkusen como adversário nas dez rodadas (30 pontos em disputa) que restam. Se perder, o time de Jürgen Klopp provavelmente será campeão, mas sem a folga necessária para descansar nas últimas rodadas. De qualquer forma, apenas uma partida assume caráter mais decisivo do que essa na temporada: Bayern Munique x Bayer Leverkusen, marcado para a 30ª rodada no dia 16 de abril.

O Leverkusen, que venceu o Stuttgart por 4 a 2 no último domingo e não deverá ter dificuldades para seguir adiante na Liga Europa, enfrenta o ameaçado Werder Bremen fora de casa. Ambos precisam da vitória, o que certamente fará com que seja um jogo aberto, franco, com o favoritismo dos aspirinas. Nos outros jogos, destaque para o duelo entre Wolfsburg e Borussia Mönchengladbach, na rabeira da tabela. O Schalke 04, por sua vez, enfrenta o Nürnberg, líder do segundo turno com 13 pontos.
 

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Equipe Trivela

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