Alemanha

Com a guilhotina no pescoço

Assim que a Bundesliga começou, logo se viu que algumas equipes grandes não teriam vida fácil na temporada. No início, foi o Schalke 04, vice-campeão, que assustou sua torcida perdendo vários jogos seguidos e frequentando a zona de rebaixamento por diversas rodadas. Ao mesmo tempo, o Stuttgart era o lanterna do campeonato e dava pinta de que não conseguiria se recuperar, o que acabou acontecendo na última rodada. A bola da vez agora é o Wolfsburg, que, faltando quatro rodadas para o fim, corre sérios riscos de cair para a segunda divisão alemã.

Alguns fãs mais preciosistas da Bundesliga podem argumentar, não sem boa dose de razão, que o Wolfsburg não é grande, pois não tem tradição e o título em 2008/09 foi apenas um lapso em sua história de clube intermediário. O argumento para responder essa tese é simples: o clube mantém a segunda maior folha salarial do país – perdendo apenas para o Bayern Munique. E o investimento em contratações para a temporada, sobretudo Kjaer e Diego, mostra que os lobos se preocuparam em reforçar o elenco para não repetir a discreta campanha de 2009/10, quando ficaram com a oitava posição.

Outros jogadores também enchiam a torcida de esperanças. No gol, Benaglio é sinônimo de segurança e voltou com prestígio após a ótima Copa do Mundo que fez pela seleção suíça. Na zaga, Arne Friedrich chegou do rebaixado Hertha Berlim para dar segurança, junto com o supracitado Kjaer, a um setor que de fato não inspirava a mínima confiança em anos anteriores. No ataque, Grafite e Dzeko reeditaram a dupla campeã nacional até janeiro, quando o bósnio foi vendido ao Manchester City. O time também conta com os bons laterais Riether e Schäfer, convocados recentemente para a seleção alemã.

O fracasso, então, pode ser explicado em parte por outras peças. Josué, importantíssimo na campanha do título, caminha para os 35 anos e já não exibe o mesmo vigor físico de antes. Cícero, que veio do Hertha Berlim junto com Friedrich, até faz seus golzinhos, mas nunca foi um grande marcador, e, escalado como volante, deixa espaço para os meias adversários. Na criação, Diego é muito inconstante, mas poderia ser ajudado por Misimovic, que forçou para sair do clube. No ataque, Mandzukic e Tuncay até são bons jogadores, mas não resolvem o problema, assim como Helmes, que veio para substituir Dzeko.

Tudo isso, na teoria, não faz do Wolfsburg uma equipe muito mais fraca do que as outras como se tem visto dentro de campo. O ambiente nos vestiários, que não é dos melhores, também contribui bastante para agravar a situação. O fracasso de Steve McClaren, que chegou com muito prestígio após ser campeão holandês com o Twente e saiu se dizendo incapaz de resolver alguns problemas de relacionamento da equipe, também é sintomático. A falta de sorte ajuda a piorar a situação.

Felix Magath, campeão em 2008/09, voltou para tentar evitar o pior, mas até agora a chegada dele não surtiu grande efeito. Na última partida, o Wolfsburg empatou em casa com o St. Pauli, penúltimo colocado, por 2 a 2, e segue na 16ª colocação, com os mesmos 29 pontos do rival. A posição colocaria os Lobos no play-off contra o terceiro colocado da 2. Bundesliga, que no momento é o Bochum, mas poderá ser o Greuther Fürth ou o ErzgerbirgeAue. Hertha Berlim e Augsburg estão praticamente garantidos na elite alemã em 2011/12, pois abriram folga sobre os rivais nas duas primeiras posições.

A esperança dos Lobos aumenta um pouco quando observamos que faltam apenas quatro rodadas para o fim do campeonato e o Eintracht Frankfurt, 15º colocado e time mais próximo dessa zona da degola, já soma 33 pontos, mas vem de uma longa fase ruim e encara o Bayern Munique na 31ª rodada. O Wolfsburg, por sua vez, precisa vencer o Köln em casa para poder sonhar em escapar automaticamente de um rebaixamento que pode desencadear de vez uma grave crise na Volkswagen Arena e devolver os torcedores do clube à mesma realidade vivida até o início da década de 90.

Borussia Dortmund: cinco pontos para o título

Com a vitória sobre o Freiburg por 3 a 0 e a goleada do Bayern Munique sobre o Bayer Leverkusen por 5 a 1, o Borussia Dortmund precisa apenas de cinco pontos para garantir matematicamente seu sétimo título na história da Bundesliga. Os gols da vitória aurinegra foram marcados por Götze (que mais uma vez arrebentou com o jogo), Lewandowski e Grosskreutz e a atuação coletiva do time foi, mais uma vez, irrepreensível.

O título poderá ser conquistado neste fim de semana. Para que isso aconteça, basta que o Dortmund vença fora de casa o Borussia Mönchengladbach fora de casa, o que é muito provável, e o Leverkusen não vença o Hoffenheim na BayArena, o que não é muito provável, já que o Hoffe não luta por mais nada na Bundesliga e flutua despreocupado pelo meio da tabela já há algum tempo.

O grande destaque da rodada, porém, foi Mario Gómez, que arrebentou com a zaga do Bayer Leverkusen, foi às redes três vezes e reassumiu a artilharia do campeonato com 22 gols, dois a mais do que Papiss Cissé, do Freiburg. Os bávaros mostraram novamente a consistência defensiva e, sem Arjen Robben, jogaram com dois atacantes enfiados. A entrada de Klose no time, porém, não foi tão determinante quanto a mudança de atitude coletiva em campo.

O Leverkusen, por sua vez, sofreu com as falhas seguidas de seu sistema defensivo. Até Arturo Vidal, melhor jogador do time na Bundesliga, entregou o segundo gol ao tentar um toque de calcanhar na grande área e dar a bola de presente para Thomas Müller, que cruzou para Mario Gómez empurrar para as redes. Quem destoa na equipe, porém, é o zagueiro Stefan Reinartz, que surgiu como revelação, mas comprometeu em alguns momentos capitais dessa temporada.

O copo de 587 mil euros

Após o incidente da partida contra o Schalke 04, quando um torcedor acertou um copo no bandeirinha e a partida foi paralisada, o St. Pauli foi multado em €587 mil pela Federação Alemã. Além disso, a equipe perdeu o mando de campo para a primeira partida da temporada 2011/12, quando a equipe provavelmente estará de volta à 2. Bundesliga. A punição, justíssima por sinal, é mais um acontecimento melancólico no terrível segundo turno vivido pelo primo pobre de Hamburg.
 

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Equipe Trivela

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