AlemanhaBundesliga

Cinco derrotas em cinco rodadas, e o Schalke é a grande decepção deste início de Bundesliga

Em Gelsenkirchen, surgia a promessa de uma nova era para o Schalke 04. Os Azuis Reais iniciaram a Bundesliga buscando o treinador do Augsburg e o diretor esportivo do Mainz 05, dois profissionais referendados pelo bom trabalho em equipes menores, enquanto investiram € 36,8 milhões em reforços, sexto maior montante entre os clubes da primeira divisão. Mas, por enquanto, o que se vê na Veltins Arena é um verdadeiro desastre. O Schalke não conquistou um ponto sequer nas primeiras cinco rodadas do campeonato. A quinta derrota veio neste domingo, de virada, diante do Hoffenheim – que também ainda não havia vencido no torneio. Duro golpe que deixa o clube de Gelsenkirchen na lanterna isolada.

A tarde deste domingo até parecia guardar um destino diferente para o Schalke. A equipe começou mandando no jogo fora de casa. O time de Markus Weinzierl abriu o placar aos três minutos, com Eric Choupo-Moting. Ledo engano. O Hoffenheim voltou ao páreo rapidamente. Aos 17, Andrej Kramaric já havia buscado o empate. Quando era para marcar o segundo dos Azuis Reais, Klaas-Jan Huntelaar carimbou a trave. E, a partir de então, o que se viu foi a superioridade do time da casa, infernizando principalmente com Kerem Demirbay. Lukas Rupp virou para o Hoffenheim, enquanto a trave e o empenho da dupla de zaga do Schalke, formada por Benedikt Höwedes e Matija Nastasic, evitou o pior. De lamento ao clube de Gelsenkirchen, apenas um pênalti não marcado no final.

Especialmente pelas contratações, o Schalke possui um elenco interessante. Há várias opções em diferentes posições, principalmente no meio de campo. O problema é que o time sente a falta de jogadores que realmente tomem o protagonismo. Com apenas dois gols marcados, o setor ofensivo decepciona. Huntelaar aparece em declínio, enquanto os novatos não vêm correspondendo. Até o momento, Breel Embolo não justifica a fortuna paga em sua transferência, apesar da boa assistência neste domingo, e Yevhen Konoplyanka mal vem aparecendo em campo.

É óbvio, há margem para crescer. Com tantas novidades, o Schalke depende de tempo para o encaixe de seus reforços. Além disso, é um time essencialmente jovem. De qualquer maneira, isso não pode servir de justificativa para o péssimo início da Bundesliga. Até porque quem deveria chamar a responsabilidade não vai aparecendo. Os Azuis Reais conseguem administrar o jogo e até criar um bom número de oportunidades, mas falta resolver. Não à toa, quando a equipe enfrentou o Bayern de Munique, soube encarar de frente os bávaros, embora tenha cedido a derrota nos 10 minutos finais.

Se há um consolo para o Schalke, está no exemplo do Borussia Mönchengladbach na última temporada. Os Potros também perderam seus cinco primeiros jogos, mas foram capazes de uma arrancada marcante. E, diante do equilíbrio vigente na Bundesliga, conseguiram se classificar às preliminares da Liga dos Campeões. Curiosamente, o Gladbach é o próximo adversário dos Azuis Reais no campeonato. Para a reviravolta se concretizar, no entanto, é preciso mudar. Que não seja no comando, mas ao menos na postura. Weinzierl será cobrado por isso, ou seu pescoço ficará a prêmio rapidamente.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo