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Catarse em Madri

Santiago Bernabéu, 14 minutos do primeiro tempo. o Real Madrid já vencia por 2 a 0 e indicava que a máquina de fazer gols. A maioria dos times se desesperaria e poderia tomar até mais gols ainda na primeira etapa. Mas o Bayern Munique não. Ressurggiu das cinzas, diminuiu e fez algo que poucos times fizeram em 2011/12: segurou um ataque que já marcou mais de 100 gols na temporada, jogou mais bola que os merengues na soma geral, levou o jogo pros pênaltis e venceu, calando mais de 70 mil pessoas e dando início a uma festa na Baviera regada a muita cerveja e que não tem hora para acabar.

Motivos não faltam para que a farra seja completa. O Bayern Munique foi melhor nos dois confrontos e, se alguém tivesse que vencer a disputa por pontos, seria ele. Mas o futebol não prima pela justiça em muitos momentos, e as duas equipes tiveram que ir para os pênaltis, para a incredulidade de boa parte do público que esperava que o Real Madrid passasse o trator sem pena. Não passou. Do outro lado estava a base da seleção alemã reforçada por Arjen Robben e Frank Ribéry, dois dos melhores jogadores do mundo. Um time que já havia ressurgido das cinzas depois de levar 3 a 0 do Manchester United em Old Trafford. Uma equipe que não tem medo de adversários tradicionais porque também é gigante, embora isso seja esquecido em alguns momentos.

Dentro de campo, foi um jogo de xadrez. O Real Madrid ganhou um pênalti no grito no início e pouco depois Cristiano Ronaldo fez o segundo numa jogada em que o talento de Mesut Özil se somou ao cochilo de Philipp Lahm. Estava montado o cenário da eliminação, mas aos 27 minutos do primeiro tempo, o árbitro Viktor Kassai resolveu compensar o pênalti dado para os merengues. Robben bateu, diminuiu, e o que se viu a partir desse momento foram dois times receosos em levar gols, atacando sem correr muitos riscos. Foi assim durante mais de 75 minutos, e a prova disso é que os goleiros Manuel Neuer e Iker Casillas trabalharam muito pouco no tempo normal e na prorrogação.

Individualmente, os bávaros tiveram bons momentos. A defesa, formada por Jérôme Boateng e Holger Badstuber, se mostrou incrivelmente segura em vários momentos. David Alaba não sentiu o jogo em momento algum, e Lahm falhou no gol, mas marcou bem Cristiano Ronaldo no mano a mano na maioria das ocasiões. Neuer, quando requisitado, deu vários chutões sem pestanejar e afastou o perigo da defesa, que foi bem protegida por Luiz Gustavo, apesar das faltas em excesso cometidas pelo brasileiro, que levou cartão amarelo e está fora da decisão, assim como Badstuber e Alaba.

Do meio para o ataque, a coisa não funcionou tanto assim. Robben fez um grande jogo no segundo tempo, mas foi bem marcado por Marcelo. Ribéry, decisivo em Munique, teve problemas para se livrar da marcação forte de Álvaro Arbeloa, e Toni Kroos fez um jogo abaixo da média. Restou Bastian Schweinsteiger, que cobriu os avanços de Alaba com maestria e ainda teve fôlego para chegar ao ataque e bater o pênalti da classificação Mario Gómez, que poderia aproveitar para encostar em Messi na briga pela artilharia da Liga dos Campeões, perdeu duas chances claras de gol.

Vieram os pênaltis, e, com eles, a consagração. Neuer, um gigante, pegou dois e viu Sergio Ramos mandar a bola na lua. Quando Schweinsteiger converteu a cobrança, a festa estava selada. Os bávaros estão mais uma vez na final e com cara de favoritos, ao contrário de 2009/10, quando chegaram aos trancos e barrancos. E desta vez jogam em casa, diante da torcida. O título é a chance de coroar o trabalho de uma geração de grandes jogadores que ainda não foi bem sucedida em nível continental por clubes e seleção, e que merece isso. Mas antes, há o Chelsea no meio do caminho, um time perfeitamente capaz de estragar esse cenário de festa.

Borussia Dortmund campeão com justiça

Mais do que merecido. Assim pode ser definido o bicampeonato do Borussia Dortmund, que está sem perder na Bundesliga há 26 jogos e garantiu a conquista com a vitória por 2 a 0 sobre o Borussia Mönchengladbach. Ao mesmo tempo em que acontecem as comemorações, porém, há a consciência de que um salto de qualidade precisa ser dado no clube. É necessário crescer em nível continental para poder pleitear a condição de segundo grande clube da Alemanha.

Os aurinegros deram dois vexames nas duas últimas competições europeias, e não podem mais se permitir isso. O técnico do time, Jürgen Klopp, sabe disso e já começou a se mexer para contratar jogadores como Marco Reus e Hiroki Sakai para fortalecer o elenco e deixar de ser apenas um time intenso e rápido nos contragolpes. É necessário voltar a ser protagonista aos poucos, sem loucuras, mas sempre avançando nessa direção.

Nas outras posições, há apenas duas dúvidas, e a mais clara delas é na briga por uma vaga direta na Liga dos Campeões. Schalke 04 e Borussia Mönchengladbach disputam a terceira colocação, e os azuis reais levam vantagem, pois somam 58 pontos contra 56 dos rivais, que ainda precisam de um empate para se garantir de vez na competição europeia. O Stuttgart, quinto colocado com 50, ainda sonha com um lugar na LC, mas sabe que sua realidade é a Liga Europa e precisa se garantir nela. Na briga contra o rebaixamento, Hertha Berlim e Köln ainda lutam para ver quem vai para a repescagem contra o terceiro colocado da segunda divisão. O Kaiserslautern já caiu.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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