Alemanha

Capitão da seleção pela primeira vez, Hummels jogou como um Kaiser no morno clássico de Wembley

O dono da braçadeira de capitão na seleção alemã, em teoria, é Manuel Neuer. Depois da lacuna deixada por Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger nos últimos anos, o goleiro se tornou o próximo na linha sucessória. As seguidas lesões do goleiro nos últimos meses, no entanto, permitiram que a faixa passasse por diferentes braços. Thomas Müller, Sami Khedira, Julian Draxler e outros foram designados à função. Mas, com todo respeito à história dos mencionados na última frase, nenhum deles pareceu combinar de maneira tão categórica com a função. Com a mítica camisa 5 às costas, que significa tanto ao Nationalelf, Mats Hummels honrou a braçadeira em sua primeira partida pela seleção como capitão. Teve uma senhora atuação em Wembley, por mais que o arrastado empate por 0 a 0 com a Inglaterra tenha prevalecido ao longo dos 90 minutos. Certamente orgulhou Franz Beckenbauer.

Joachim Löw e Gareth Southgate trataram esta Data Fifa como todas as grandes seleções classificadas para a Copa do Mundo deveriam ter feito: como uma oportunidade para testes. Tudo bem que as lesões tiraram jogadores importantes das duas equipes. Mas tanto Alemanha quanto Inglaterra utilizaram a ocasião para dar espaço a jogadores que podem ser úteis nos próximos meses. Quem sabe, que possam até brigar por uma vaga entre os titulares. Leroy Sané, Marcel Halstenberg e o ressurgido Ilkay Gündogan ganharam a vez entre os germânicos, principalmente. Já do lado britânico, merecem menção Jordan Pickford, Tammy Abraham e Kevin Trippier.

O primeiro tempo foi mais movimentado, muito pelas chances que a Alemanha criou. Sané chamava a responsabilidade e era quem mais incomodava, chegando a acertar o travessão. Pickford, por outro lado, fez boas defesas e, quando não conseguiu alcançar, teve Phil Jones para salvar em cima da linha. A Inglaterra começou a exigir um pouco mais de Ter Stegen antes do intervalo, até que o arqueiro operasse um milagre na etapa complementar, em cabeçada de Vardy rumo ao chão. De qualquer forma, o restante do duelo foi tomado por substituições, com os dois treinadores aproveitando as suas rotações.

E ao longo dos 90 minutos, ninguém se impôs tanto quanto Hummels. O capitão alemão foi o melhor da partida com certas sobras. Defendeu de maneira séria, bloqueando diversas tentativas da Inglaterra, sobretudo pelo chão. Não perdeu um desarme sequer. Jogou simples e limpo, como se exige de um bom defensor. E soube distribuir a bola com maestria, como pedia a sua função, líbero no sistema com três zagueiros de Löw. Se a noite em si não esteve à altura da história do confronto ou da mística que envolve Wembley, Hummels se encarregou disso. Valeu o ingresso.

Aos 28 anos, Hummels já passou das 60 partidas pela Alemanha. Por aquilo que joga e por aquilo que pode render, tem boas chances de se colocar entre os atletas que mais defenderam a equipe nacional. E com a qualidade para já ser incluído entre os melhores defensores que envergaram a camisa do Nationalelf – incluindo a grande Copa que fez em 2014. É um extraclasse. Que, às vésperas de seu segundo Mundial, figura entre as claras lideranças. Dificilmente permanecerá com a braçadeira, diante da hierarquia que leva em conta o tempo de seleção. A altivez exibida em Wembley, mesmo assim, eleva seu moral. Especialmente se continuar sendo escalado como líbero, uma função que escancara ainda mais as suas virtudes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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