Xhaka recuperou sua imagem no Arsenal, mas sai de cena para encabeçar o Leverkusen
Xhaka queria um novo desafio e será central a Xabi Alonso no Bayer Leverkusen, que fez outro negócio de peso ao tirar Jonas Hofmann do Borussia Mönchengladbach

Granit Xhaka teve altos e baixos no Arsenal, mas esteve entre os jogadores mais importantes do clube nos últimos sete anos. O meio-campista se alçou como capitão e, mesmo depois de perder a braçadeira, recobrou seu prestígio pelo futebol apresentado em campo. Os últimos meses foram agridoces pela maneira como as chances de conquistar a Premier League implodiram, mas o suíço evidenciou sua liderança e sua melhor forma na volta do clube à Champions League. No entanto, buscará novos ares rumo à próxima temporada. Perto de completar 31 anos, Xhaka volta ao futebol alemão, anunciado como reforço pelo Bayer Leverkusen.
Xhaka é uma contratação que até foge dos padrões do Leverkusen. O volante é bem mais velho do que os reforços geralmente garantidos pela política de mercado dos Aspirinas. Também será mais caro. O Bayer pagará €25 milhões pelo suíço, no terceiro negócio mais alto já feito pelo clube. Outro detalhe importante é o contrato de longo prazo: Xhaka assina por quatro anos com sua nova equipe. Parece compromissado a virar uma liderança na BayArena durante a reta final de sua carreira. Também terá um bocado a aprender com Xabi Alonso, um antigo especialista de sua posição e um treinador que se firma em Leverkusen.
“Conheço a Bundesliga por completo e sempre assistia aos jogos em Londres. O Bayer é um clube com uma história impressionante e objetivos ambiciosos. Vejo um clube com um grande futuro. As discussões com os responsáveis foram extremamente motivadoras. Você é ambicioso e quer alcançar algo – estou muito ansioso para viver isso durante os próximos anos”, declarou Xhaka, em sua chegada. Bola dentro não só de Xabi Alonso, mas também de Simon Rolfes, antigo ídolo do Leverkusen que atualmente é o chefe-executivo da agremiação.
O que fez Xhaka deixar o Arsenal
Se Xhaka não era exatamente o futuro do Arsenal, ainda indicava que poderia contribuir nos próximos anos. No entanto, optou por sair de cena diante da oferta para voltar à Alemanha, pronto para encabeçar um clube relevante. Outro fator importante foi sua esposa, alemã e com familiares na região. Segundo relatos da imprensa inglesa, era seu desejo “viver um novo desafio”. Diante da boa relação com o jogador, a direção dos londrinos também abriu alas à sua despedida. Não existiam conversas para a renovação de seu contrato e, nos últimos 12 meses de vínculo, os Gunners optaram por facilitar sua vontade e fazer dinheiro com a venda.
Diante do adeus, Mikel Arteta exaltou Xhaka em nota do Arsenal: “Estamos nos despedindo de um jogador fantástico e de uma pessoa amada por todos nós. Foi uma incrível jornada e ele deu absolutamente tudo por este clube. A influência que Granit teve sobre seus companheiros de equipe em campo e sobre os colegas no clube mostra como ele é popular. Não podemos agradecê-lo o suficiente por seus serviços e sua contribuição ao clube ao longo dos anos. Desejamos a Granit e a sua família o melhor no próximo passo de suas vidas”.
Sem Xhaka, o Arsenal abre espaço em seu meio-campo para novos reforços. Declan Rice é a principal cartada do clube, em conversas avançadas para tirá-lo do West Ham. Moisés Caicedo é outro nome vinculado na imprensa inglesa. Até o momento, a única contratação garantida pelos Gunners é a de Kai Havertz, apresentado após o pagamento de €70 milhões junto ao Chelsea.
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Xhaka amadureceu na Bundesliga e foi importante no Arsenal
A ascensão de Xhaka aconteceu no Basel. O meio-campista foi formado nas categorias de base do clube e se destacou nos primeiros anos como profissional no Campeonato Suíço. A temporada de 2010/11 garantiu visibilidade com a campanha até as oitavas de final da Champions League e também pelo vice no Campeonato Europeu Sub-21 com a seleção da Suíça. Aos 18 anos, o meio-campista custou €8,5 milhões aos cofres do Borussia Mönchengladbach. E continuou a crescer na Bundesliga.
Xhaka virou um dos melhores meio-campistas em atividade na Alemanha. Foram quatro temporadas pelo Gladbach, quase sempre como titular. Teve bons desempenhos pela Bundesliga e auxiliou os Potros a se classificarem duas vezes para a Champions League. O período também foi importante para que ele deslanchasse como uma referência na seleção principal da Suíça, presente na Copa de 2014 e na Euro 2016. Logo na volta do torneio continental, o volante fez as suas malas para o Arsenal. Os Gunners apostaram alto e pagaram €45 milhões pela transação.
Não se nega a importância de Xhaka no Arsenal ao longo dos últimos sete anos. O meio-campista disputou 297 partidas pelo clube, com 23 gols e 29 assistências. Teve momentos muito bons e virou capitão dos Gunners. Entretanto, também teve atritos com a torcida e momentos de queda técnica, enquanto os londrinos perdiam forças na tabela da Premier League. Sua recuperação mais recente, ao menos, transformou sua imagem dentro do Emirates e auxiliou a retomada com Mikel Arteta. Não dá para dizer que a temporada do suíço foi impecável, mas ele viveria ótima fase e teria seu impacto na guinada dos londrinos. Foi para o seu clube mais próximo do protagonista que se vê na seleção, como deixou expresso na Copa de 2018, na Euro 2020 e na Copa de 2022.
Jonas Hofmann é um negócio até mais surpreendente

Xhaka não foi a única boa notícia do Bayer Leverkusen nesta semana. Os Aspirinas também anunciaram a contratação de Jonas Hofmann. Tal qual o suíço, o alemão foge da linha de reforços do Bayer, aos 30 anos. Contudo, não se nega que é um baita negócio, diante da maneira como ele vinha se colocando entre os melhores pontas da Bundesliga e protagonizava o Borussia Mönchengladbach. É um jogador da seleção da Alemanha, comprado por somente €10 milhões. O valor, correspondente à cláusula de rescisão, é relativamente baixo àquilo que pode acrescentar. Também assina por quatro temporadas.
Hofmann surgiu na base do Hoffenheim e o Borussia Dortmund o levou antes da profissionalização. O ponta teve certo espaço nos aurinegros, mas nunca fez o suficiente para se tornar titular, em tempos nos quais a concorrência na equipe era bem mais forte. Fez bem a mudança para o Gladbach em 2015/16, por €8 milhões. O ponta ainda levou um tempo para engrenar nos Potros e frequentou a reserva em suas primeiras temporadas. Entretanto, a maturidade o impulsionou e ele cresceu demais nas últimas edições da Bundesliga. Virou um jogador mais agressivo, capaz de contribuir com muitos gols e assistências. Seus números falam por si: foram 12 gols e 10 assistências em 2022/23, na melhor temporada da carreira.
O reflexo deste crescimento se viu na seleção. Jonas Hofmann ganhou a primeira convocação em 2020 e, a partir da chegada de Hansi Flick, virou um nome recorrente. Atuou como ponta e tantas vezes como lateral / ala. O momento do Nationalelf não é o mais inspirador e Hofmann também não parece o tipo de jogador que impulsionará o time, mas a sequência respalda seu auge. Disputou a Copa do Mundo de 2022 como reserva e segue no elenco na tentativa de jogar também a Euro 2024.
Quem não gostou muito da transferência foi o Borussia Mönchengladbach. O Bayer Leverkusen pagou a cláusula de rescisão sem precisar prestar contas aos vizinhos. Os Potros se enfureceram ainda mais com a atitude do próprio jogador, que preferiu buscar um novo destino. Hofmann não aceitou nem mesmo a oferta para antecipar a renovação de contrato e ampliar seus ganhos salariais. Num momento em que o Gladbach se vê estagnado, o Leverkusen possui um projeto esportivo bem mais claro. A debandada no Borussia Park é enorme, ainda mais depois que o elenco perdeu Lars Stindl, Marcus Thuram e Ramy Bensebaini – todos ao fim do contrato.
“Sou muito grato ao Borussia pelos últimos sete anos. Passei por momentos incríveis lá. Recentemente, entretanto, tive o sentimento de que queria fazer algo novo. O Bayer Leverkusen se encaixa nessas ideias. O clube é um dos principais da Alemanha há anos e sempre teve grandes ambições internacionalmente. O time atual é empolgante e tem muita qualidade. Estou realmente ansioso por esse novo capítulo”, declarou Hofmann, em sua chegada.
Outro excelente negócio do Bayer Leverkusen para a próxima temporada, confirmado anteriormente, é a chegada de Alejandro Grimaldo. O lateral esquerdo de 27 anos assinou sem custos, depois de não renovar seu contrato com o Benfica. Já na lateral direita, a novidade é o brasileiro Arthur. O defensor de 20 anos nem teve muitos jogos pelo América Mineiro no Brasileirão, mas se destacou bastante no Sul-Americano Sub-20 com a Seleção e os Aspirinas pagaram €7 milhões. Mais recentemente, esteve no Mundial Sub-20.



