Bundesliga

O adeus a Gerd Müller, artilheiro que marcou para sempre o futebol alemão

Ídolo do Bayern tinha 75 anos e lutava contra o Mal de Alzheimer desde 2015

O futebol amanheceu neste domingo com uma dura notícia envolvendo um de seus maiores expoentes. O alemão Gerd Müller, ex-atacante do Bayern e da seleção alemã, morreu aos 75 anos. Gerd vinha sofrendo há alguns anos com o Mal de Alzheimer.

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Figura destacada de um momento muito vitorioso do futebol germânico, o centroavante foi, por décadas, o recordista em várias estatísticas de gols. Revelado pelo modesto Nordlingen, de sua cidade natal, em 1963, chegou ao Bayern em 1964 para se tornar uma referência mundial na posição. A facilidade para balançar as redes lhe rendeu um apelido peculiar: Der Bomber, o bombardeiro. A expressão, inclusive, virou sinônimo de grandes artilheiros.

As marcas do goleador

Müller era uma força da natureza dentro da área. Seus gols e presença perto das traves impulsionaram o sucesso bávaro no início dos anos 1970. Dominando a Alemanha e depois a Europa, o clube de Munique se sagrou tricampeão continental e ainda serviu como base para a seleção que faturou a Eurocopa em 1972 e a Copa do Mundo em 1974. Não houve nada que o Bayern não pudesse vencer naquele período.

Embora pareça fácil supor que a Bundesliga foi amplamente dominada pelo clube bávaro durante o período que Müller e seus colegas estiveram no auge, o camisa 13 levantou a salva de prata apenas quatro vezes. A rivalidade com o Borussia Mönchengladbach atravessou a década de 1970 e desafiou o poder de uma geração simplesmente formidável.

Apesar da baixa estatura (1,75m), Gerd não tinha problemas em marcar gols de cabeça ou em lances acrobáticos. Era uma ameaça em todas as oportunidades em que recebia dentro da área. Apenas pelo Bayern, ele marcou 566 vezes em 607 partidas. Foi tricampeão europeu e campeão intercontinental. Venceu a Copa do Mundo e a Euro com a Alemanha. Triunfou em todas as competições que disputou. Também defendeu o Fort Lauderdale Strikers, nos Estados Unidos, de 1979 a 81, quando pendurou as chuteiras.

Monstro em Copas

Pela Alemanha, esteve presente nos Mundiais de 1966, 70 e 74, marcando 14 vezes. Sua marca foi superada apenas por Ronaldo, em 2006. O que engrandece o feito é que o alemão precisou apenas de 13 partidas para chegar ao recorde, enquanto o Fenômeno jogou 19. Ambos foram posteriormente ultrapassados por Miroslav Klose, na Copa de 2014, com 16 tentos em 28 aparições.

Foi de Müller o gol da virada contra a Holanda na incrível final de 1974, no Olímpico de Munique. A Laranja saiu na frente logo aos dois minutos, mas os donos da casa foram buscar a reviravolta ainda na primeira etapa, em uma grande exibição de dois gigantes.

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O reconhecimento

Ao longo de sua carreira de 18 anos, o goleador conquistou diversos prêmios individuais, que ajudam a explicar o seu impacto no futebol dos anos 1960 e 70. Foi Bola de Ouro em 1970, Chuteira de Ouro da Europa em 1970 e 72, artilheiro da Copa de 1970 e da Copa dos Campeões Europeus em quatro ocasiões, além de sete temporadas como goleador máximo da Bundesliga. Também foi artilheiro da Euro em 1972 e Futebolista do Ano na Alemanha em 1967 e 69. O homem tinha um salão nobre próprio para empilhar suas façanhas e premiações.

Na temporada 2020-21, Robert Lewandowski alcançou a marca de Gerd na artilharia da Bundesliga. Desde 1972, Der Bomber mantinha seu nome no topo da lista de goleadores de uma só edição do campeonato, com 40 gols. Em maio deste ano, Lewa conseguiu chegar aos 41, mas não esqueceu de demonstrar todo o seu respeito e admiração por Müller, ícone de sua agremiação:

“O tamanho do que Gerd alcançou me motiva a trabalhar todos os dias para, ao menos, chegar um pouco mais perto de sua grandeza. Fique forte, Rei Gerd”, comentou o polonês, que também fez questão de entregar presentes ao ex-atleta por meio de sua esposa.

O Bayern anunciou o falecimento de Gerd em seu site oficial, dando uma dimensão de sua grandeza às gerações que não o viram em campo. 

“Hoje é um dia triste para o Bayern e para todos os seus torcedores. Gerd Müller foi o maior avançado que já existiu – e uma ótima pessoa, uma personalidade no futebol mundial. Estamos unidos em profunda tristeza com a sua esposa e com a sua família. Sem Gerd Müller, o Bayern não seria o clube que todos amamos hoje. O seu nome e a sua memória viverão para sempre”, declarou o presidente bávaro Herbert Hainer, no site oficial do clube.

O ex-goleiro Oliver Kahn, hoje CEO no Bayern, também se manifestou via nota oficial no site: “A notícia da morte de Gerd Müller nos atingiu profundamente. Ele é uma das maiores lendas da história do Bayern, as suas conquistas são incomparáveis até hoje e farão, para sempre, parte da grande história do Bayern e de todo o futebol alemão. Como jogador e como pessoa, Gerd Müller representa como nenhum outro o Bayern e o seu desenvolvimento como um dos maiores clubes do mundo. Ficará nos nossos corações para sempre”.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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