Heidenheim faz história ao bater Bremen e conquistar sua primeira vitória na Bundesliga
Fundado em 1846, Heidenheim superou o Werder Bremen e levou três pontos pela primeira vez na história da Bundesliga
Fundado em 1846 para a prática de ginástica e desde 1910 no futebol, o Heidenheim escreveu um dos capítulos mais bonitos de sua história neste domingo (17) ao conquistar sua primeira vitória na primeira divisão alemã. Disputando a Bundesliga pela primeira vez nesta temporada 2023/24, o modesto clube venceu o Werder Bremen por 4 a 2 na Voith-Arena e se afastou das últimas posições.
Um dos triunfos mais marcantes do clube centenário começou construído pelo artilheiro Tim Kleindienst – segundo maior artilheiro da história do time com 71 tentos -, teve dois gols de Eren Dinkci (ex-atleta do Bremen) e foi fechado por Jan-Niklas Beste. Marvin Ducksch e Mitchell Weiser descontaram para o Werder.
Em quatro rodadas da Bundesliga, a equipe da pequena cidade Heidenheim soma quatro pontos e já havia conquistado um histórico empate com o Borussia Dortmund após sair perdendo por 2 x 0.
Primeira etapa tem gol de artilheiro no início e ‘lei do ex’ nos minutos finais
Em comparação à escalação do empate com o Dortmund, o técnico Frank Schmidt (no cargo desde 2007) manteve o 4-2-3-1, mas promoveu as entradas do volante Norman Theuerkauf e do meia Marvin Pieringer nos lugares de Denis Thomalla e Adrian Beck.
Com o apoio das arquibancadas, a equipe rubroazul não precisou de muito tempo para abrir sua vantagem. Aos quatro minutos, o ala pela esquerda do Bremen, Anthony Jung, cometeu penalidade em Beste. O centroavante Kleindienst deslocou Jiří Pavlenka ao bater de canhota e abriu o placar.
O gol condicionou a partida, que contou mais com a posse do Bremen – praticamente ineficaz, visto que o time visitante não finalizou contra a meta de Kevin Müller nos primeiros 45 minutos. As únicas chances do Werder foram desperdiçadas por Mitchell Weiser e Dawid Kownacki.
Por outro lado, o Heidenheim era melhor e mais efetivo quando ia ao ataque. Conseguiu emplacar boas chances Kleindienst (mais de uma vez), Dinkci e Pieringer, mas só ampliaria a vantagem próximo do fim. Dinkci começou seu show individual ao receber do centroavante Kleindienst pela direita do ataque aos 43. O meia partiu para cima da marcação, limpou dois e bateu de canhota no canto esquerdo de Pavlenka, que ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o segundo gol dos donos da Voith-Arena. O atleta não quis comemorar contra seu ex-clube.
⏰ 45. Min. Mit einer 2:0 Führung im Rücken gehts in die Pause!
⚽️ #FCHSVW 2:0 | @mhp_de pic.twitter.com/AnpqIfnYz1
— 1. FC Heidenheim 1846 (@FCH1846) September 17, 2023
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Bremen reage e busca empate, mas Heidenheim rapidamente retoma controle do jogo
A superioridade na posse de bola do Werder Bremen seguiu na etapa final, mas dessa vez com mais efetividade e com o dedo do técnico Ole Wenger. No intervalo, três mudanças foram feitas e entraram no jogo Marvin Ducksch, Oliver Deman e Milos Veljkovic.
O resultado das mudanças foi imediato, com Haktab Omar Traore cometendo pênalti com apenas dois minutos. Ducksch cobrou à meia altura e nem tão no canto e viu Müller espalmar para o meio da área. Por sorte, a bola veio na medida para cabecear, dessa vez às redes.
Os visitantes precisaram de mais 15 minutos para igualar o placar. Deman, outro colocado por Wenger que entrou bem no jogo, carregou pela esquerda e cruzou na medida para Weiser testar forte e vencer Müller. Na sequência ao empate, o colombiano Rafael Santos Borré, emprestado pelo Eintracht Frankfurt até o final da temporada, estreou com a camisa do Werder Bremen saindo do banco de reservas.
Todo esforço do Bremen pareceu em vão três minutos depois. Bem aberto pela esquerda, Beste fez boa jogada, deixou Amos Pieper para trás e cruzou para trás, rasteiro. A bola passou por quase todo mundo ao encontrar Dinkci do outro lado, que, de primeira, colocou a bola onde quis para desempatar a disputa. Não havia mais perna para o time de Ole Wenger querer algo diferente no jogo, e o Heidenheim aproveitou para ampliar.
Coroando um ótimo jogo, Beste recebeu de Kleindienst (outro inspirado, autor de um gol e duas assistência) no contra-ataque, cortou para perna direita e bateu no contra-pé de Pavlenka.
Da quinta divisão até a Bundesliga: a história de filme do Heidenheim nos últimos 20 anos
A trajetória do Heidenheim poderia muito bem ser contada por Hollywood em uma produção cinematográfica ou como uma série nos principais streamings tamanha a superação e imprevisibilidade.
Começando pelo fim da temporada passada – que poderia muito bem ser uma produção a parte -, na rodada final da segunda divisão, a equipe de Frank Schmidt ocupava a segunda colocação, com os mesmos 64 pontos do líder Darmstadt e um a mais do tradicional Hamburgo. O Heidenheim perdia para o Jahn Regensburg até os acréscimos, cenário no qual o levava aos playoffs para subir à Bundesliga. Eis que aos 48 minutos do segundo tempo, Beste marcou de pênalti e, sempre ele, Kleindienst, o camisa 10 e artilheiro da temporada 2022/23 com 25 gols, marcou com 54 minutos para a incrível reviravolta que deu o título ao time de Schmidt no saldo de gols porque o Darmstadt foi goleado pelo Greuther Fürth.
Mas para chegar na segundona – e ter chances de subir – foi um caminho árduo para o Heidenheim, começando na quinta divisão em 2003/04. Desde lá até o acesso para Bundesliga, o time não foi rebaixado nenhuma vez. Frank Schmidt também é um capítulo a parte. Nascido na cidade localizada no Sul da Alemanha, começou a trajetória no clube ainda como jogador, justamente em 2003, e quatro anos depois, passou a ser o técnico que garantiu todos os acessos a partir da quarta divisão. De longe, é o treinador mais longevo das cinco grandes ligas da Europa, com quase 600 partidas sob o comando dos rubroazuis.



