Bundesliga

Pressão popular funciona, e Bundesliga desiste de vender direitos comerciais para investidores estrangeiros

Após inúmeros protestos de torcedores na Alemanha, a Bundesliga voltou atrás na procura por parceiros comerciais de outros países

Para quem acha que protesto não vale de nada, a Alemanha deu um belo exemplo de como isso pode fazer a diferença. Nesta quarta-feira (21), a Deutsche Fussball Liga (Liga Alemã de Futebol, em português, também conhecida como DFL) anunciou que desistiu de vender os direitos comerciais de suas duas primeiras divisões – Bundesliga 1 e 2 – para investidores estrangeiros.

A decisão foi baseada nas inúmeras contestações dos torcedores e clubes alemães nas últimas semanas, que deixaram claro que não queriam uma maior comercialização da Bundesliga e a possível influência dos investidores. A preocupação era que o futebol do país abandonasse o modelo 50+1, que torna os times locais propriedades de seus sócios, gerando uma maior equidade.

A ideia da DFL era vender 8% dos direitos comercias das Bundesliga 1 e 2 para um investidor externo nos moldes de “private equity”. Essa possibilidade foi aceita em dezembro de 2023, cuja expectativa era negociar os direitos de transmissão dos campeonatos dos próximos 20 anos por até € 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões). Só que a recepção do público não foi nada positiva.

Desde então, a pressão popular tomou conta das arquibancadas das principais divisões alemãs, ao ponto que a Bundesliga chegou a cogitar cancelar jogos se os protestos continuassem. Por conta disso, uma reunião extraordinária realizada em Frankfurt definiu o recuo da Deutsche Fussball Liga em comercializar os direitos de transmissão para investidores estrangeiros:

“A continuação do processo não parece possível, diante dos atuais desdobramentos. A viabilidade de uma conclusão bem sucedida de termos contratuais para o financiamento de 36 clubes não pode mais ser garantida”, disse Hans-Joachim Watzke, porta-voz da direção da DFL e CEO do Borussia Dortmund.

Bundesliga foi palco de protestos na Alemanha

Torcedores de clubes da Bundesliga 1 e 2 se organizaram através da plataforma ‘Fan Scenes' para coordenar ações de protestos nas partidas. Na ‘final' entre Bayer Leverkusen x Bayern de Munique no último dia 10, que valia a liderança do campeonato, a partida precisou ser adiada em oito minutos após a torcida atirar objetos em direção ao gramado.

Entre outras manifestações, o jogo entre Dortmund x Frankfurt ficou marcado pelo lançamento de moedas de chocolate dentro de campo vindas das arquibancadas. No duelo entre Hertha x Union Berlin, bolas de tênis foram jogadas nos gramados. Para tentar convencer o público da comercialização dos direitos de transmissão das Bundesliga 1 e 2,  a DFL chegou a dar uma resposta contundente:

“Não venderemos nossas ações, não há perda de controle ou desvio da regra 50+1 e, portanto, não há motivo para protestos”.

Ou seja, o parceiro de marketing não teria influência nas competições, nos horários das partidas, nos preços dos ingressos ou qualquer outro aspecto que alterasse o regulamento competitivo da Bundesliga. O private equity é um modelo de investimentos que envolve a compra de participações em empresas que não estão listadas na Bolsa de Valores.

As Bundesliga 1 e 2 se encaixavam nessas questões por não estar disponível no mercado de ações. Mesmo assim, o objetivo dos investidores é o mesmo: ter lucros significativos. Esse modelo tem ganhado cada vez mais força no futebol mundial. Apesar de todo esse cenários, os alemães fizeram de tudo para a Deutsche Fussball Liga voltar atrás na decisão de comercializar as principais divisões do país para o exterior. E o esforço foi atendido.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo futebol. Ama escrever sobre o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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