Alemanha

Beckenbauer apoia permanência de Löw e aconselha: “Gratidão não o levará adiante”

A Alemanha viveu a sua pior campanha na história da Copa do Mundo ao ser eliminada na fase de grupo na Rússia, em 2018. Ficou em 22º lugar na classificação geral, mesmo sendo o campeão da edição anterior, 2014. O técnico Joachim Löw, porém, foi mantido. No cargo desde 2006, o treinador foi apoiado por Franz Beckenbauer, um dos grandes ídolos do futebol do país, mas foi cobrado também. Para o Kaiser, “Jogi”, como é chamado por lá, terá uma missão dura daqui para frente.

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Beckenbauer, de 72 anos, foi capitão do time de 1974, que levantou o título. Na Copa de 1990, ele era o técnico do time que conquistou seu terceiro título mundial. Com experiência, Löw terá pela frente a missão de reformular o time. E, com isso, terá algumas decisões muito difíceis a serem tomadas nos próximos meses.

A manutenção de Löw no cargo foi apoiada pelo Kaiser. “Foi uma decisão razoável, mas não é um novo começo. Jogi terá que mudar muitas coisas depois dos jogadores experientes não entregarem o que se esperava deles”, opinou. “Löw terá que ser duro na convocação, gratidão não o levará adiante”.

Para um dos melhores jogadores da história da Alemanha, houve um problema comportamental na seleção alemã. “Você não pode ir para uma Copa do Mundo desse jeito”, criticou. “Futebol é, acima de tudo, correr. Não houve vontade para fazer isso. A seleção alemã fez, na verdade, o contrário do que Löw pediu”.

O Kaiser deu um exemplo da sua própria experiência como treinador. “Em 1986, nós tínhamos chegado à final. Antes do começo da Copa [de 1990], eu tive que tirar alguns jogadores mais velhos e coloca-los em segunda linha. O único que não entendeu isso foi Uli Stein. Foi por isso que ele teve que ir para casa”, explicou.

O técnico Joachim Löw fez uma reunião, junto com os seus assistentes Marcus Sorg e Thomas Schneider, com o diretor Oliver Bierhoff na sede da DFB (A Federação Alemã de Futebol) para definir os rumos para o futuro. Nenhum deles comentou sobre o que se discutiu, segundo a Deutsche Welle.

A manutenção de Löw no cargo pode passar a impressão de tranquilidade, mas segundo um funcionário ouvido pela TV ZDF, o que acontece a portas fechadas na DFB é algo sério. “A atmosfera é terrível”, afirmou Hermann Winkler, presidente da federação de futebol do estado do leste da Saxônia (que funciona como uma espécie de federação estadual no Brasil). Segundo ele, há uma cisão entre os torcedores e uma seleção alemã que foi considerada “distante, até arrogante”. “Estamos em crise”, afirmou ele “É a maior que eu me lembro na DFB”.

A Alemanha voltará a campo no dia 6 de setembro, pela Liga das Nações da Uefa. O jogo será uma pedreira: contra a campeã do mundo, a França. Um encontro entre o antigo e o novo campeão. Três dias depois, no dia 9 de setembro, os alemães fazem um amistoso com o Peru. A pergunta que fica neste momento é: quem será que Löw irá convocar? Saberemos no final de agosto.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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