Luís Díaz e Tah são o suficiente para mudar o patamar do Bayern na Europa?
Dominante na Alemanha, clube da Baviera tem enfrentado dificuldades na Champions League principalmente pelo elenco curto
O discurso comum no Bayern de Munique durante o Mundial de Clubes, que marcou a virada de temporada, era de que o clube quer entrar em todas as competições para vencer, independentemente da complexidade do torneio ou dos adversários que estejam no caminho.
Voltar a levantar o troféu da Bundesliga na campanha passada — depois de ver o Bayer Leverkusen se sagrar campeão invicto em 2023/24 — ajudou a aliviar os ânimos na Baviera, mas o time tem dominado o Campeonato Alemão e conquistou 12 das últimas 13 edições, então, teoricamente nunca deixou o posto de equipe a ser batida na Alemanha.
Mas quando o assunto é Champions League as coisas mudam. A taça da competição continental não fica na Allianz Arena desde 2019/20 e é uma das principais ambições do dirigente Max Eberl e seus aliados. Havia a expectativa de conquistar a “Orelhuda” em casa no ciclo passado, mas ter um elenco curto foi considerado um dos motivos da eliminação para a Internazionale.
Neuer e Musiala desfalcaram o time nos dois jogos das quartas de final e o grupo sequer segurou empate em casa na partida de ida. O jovem Jonas Urbig não comprometeu na meta, mas a falta de um meia-atacante criativo e bom em se virar em espaços pequenos como Musiala dificultou a missão dos Bávaros.
Ano novo, velhos problemas no Bayern de Munique

Mudou a temporada, mas os problemas continuam os mesmos. Aliás, talvez estejam piores.
Musiala sofreu grave lesão no Mundial e não tem previsão de retorno. Além disso, saíram Thomas Müller, Leroy Sané e Eric Dier, e Kingsley Coman se transferiu para a liga Arábia Saudita.
A questão é que os reforços são apenas Tom Bischof, Luís Díaz e Jonathan Tah. O lema do Bayern no mercado foi de economia máxima, determinado a aproveitar opções boas e de baixo custo.
Bischof e Tah eram agentes livres, mas o ponto fora da curva foi na negociação por Díaz. O valor acertado junto ao Liverpool pode alcançar 75 milhões de euros. O clube almejou uma alternativa a Musiala e mirou em Nick Woltemade, porém, esbarrou na resistência do Stuttgart. Também não há indicativos de se buscar na janela substituto para Coman, de modo a abrir caminho a Gnabry entre os titulares.
Do trio recém-chegado, o meia ex-Hoffenheim é o único que não chega para assumir a titularidade de imediato. Os onze iniciais do Bayern de Munique no começo de temporada devem ser então: Neuer; Laimer, Upamecano, Tah, Stanisic; Kimmich, Goretzka; Olise, Gnabry, Luís Díaz; Harry Kane.

Como Kompany costuma preferir opções mais seguras, é possível que recorra a esses nomes inicialmente. Esse seria o time mais experiente, com Goretzka no lugar do lesionado Pavlovic — Bischof seria o substituto imediato — e Gnabry na função que deveria ser de Musiala.
O principal problema neste caso é que o camisa 7 enfrenta dificuldades em desempenhar papel semelhante ao jovem compatriota e assumir protagonismo das partidas.
Em jogos da Champions League, isso faz a diferença. As aparições da reta final de ciclo já colocavam o Bayern em desvantagem frente alguns de seus principais adversários na briga pelo título europeu.
O meio-campo do Liverpool é composto por Mac Allister, Gravenberch e Wirtz, além de Szoboszlai como opção. Mohamed Salah, Cody Gakpo e Ekitiké completam as peças ofensivas dos Reds, e Arne Slot ainda dispõe de laterais velocistas que aparecem bem na área como Frimpong e Kerkez.
A equipe com mais títulos do torneio, Real Madrid, mudou o posicionamento no mercado e se voltou às joias com o objetivo de conquistar muitos títulos a longo prazo — e tem dado resultado. As novidades no time incluem Álvaro Carreras (22 anos), Dean Huijsen (20) e Franco Mastantuono (17), que somam a Arda Guler, Jude Bellingham, Vinicius Junior, Mbappé e companhia.

Já o Barcelona tem um grupo equilibrado. Frenkie de Jong, Raphinha e Lewandowski são alguns dos atletas estrelados e veteranos que Hansi Flick pode contar. Cubarsí, Gavi, Pedri, Fermín López, Dani Olmo e a estrela Lamine Yamal estão do outro lado da balança, mas são igualmente confiáveis.
O atual campeão PSG tem situação semelhante ao do clube catalão. Jogadores como Marquinhos, Fabián Ruiz e Dembélé representam os experientes do plantel de Luis Enrique, enquanto Désiré Doué, João Neves e Barcola contrapõem com a juventude.
Imprevisibilidade do futebol e táticas aplicadas à parte, o time do Bayern não supera esse quarteto no papel atualmente. É preciso antes encontrar solução à ausência de Musiala e um ponta para ser o “número 2” de Luís Díaz, e isso só para começar.
Se a direção não buscar no mercado, talvez seja a hora de Kompany adotar uma estratégia mais arriscada para seus moldes e dar oportunidade a jovens do Bayern Campus. Lennart Karl e Wisdom Mike são promessas que pedem passagem.



