Balanço da Bundesliga

Geralmente caracterizada pelo equilíbrio entre as equipes ou pelo domínio do Bayern Munique, a Bundesliga viu em 2011/12 uma temporada atípica. O Borussia Dortmund, que assumiu a ponta na sétima rodada, disparou no primeiro turno e nadou de braçada até conquistar o título no fim. O Bayer Leverkusen, que fez boa campanha no returno, ficou com a segunda posição, e o time bávaro, aos trancos e barrancos, ficou com o terceiro posto, classificado para a fase preliminar da Liga dos Campeões.
Tudo isso, porém, é assunto para a segunda parte do Balanço da Bundesliga, que será publicada apenas na próxima semana. O que você, caro leitor, acompanhará nas linhas abaixo, são as campanhas deprimentes de Werder Bremen, Schalke 04, Stuttgart e Wolfsburg, a boa recuperação do Köln no segundo turno, a campanha insossa do Hoffenheim e, sobretudo, a reação espetacular do Borussia Mönchengladbach, que se livrou do rebaixamento nos play-offs contra o Bochum.
Confira, a partir de agora, um resumo das campanhas dos times que ficaram entre a 10ª e a 18ª colocação da Bundesliga.
Köln
Colocação final: 10º, com 44 pontos
Técnicos: Zvonimir Soldo, (até a 9ª rodada) Frank Schaefer (da 10ª à 32ª rodada) e Volker Finke
Maior vitória: 4×0 Hannover 96 (26ª rodada)
Maior derrota: 6×2 Hamburg (27ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Pedro Geromel (Zagueiro)
Decepção: Fabrice Ehret
Artilheiro: Milivoje Novakovic (17 gols)
Líder em assistências: Lukas Podolski (6 assistências)
Nota da temporada: 5,5
Depois de um primeiro turno catastrófico, quando marcou apenas 15 pontos, trocou de técnico e figurou pela zona de rebaixamento o tempo inteiro, o Köln reagiu a partir da 20ª rodada e conseguiu se livrar, com relativa tranqüilidade, da ameaça de degola no fim. A partida contra o Bayern Munique, quando o time perdia por 2 a 0 e virou para 3 a 2, foi determinante para a reação, assim como os gols de Milivoje Novakovic, atacante grandalhão esloveno, e Lukas Podolski. Juntos, os dois marcaram 30 dos 47 gols da equipe, mais de 60%.
Na defesa, porém, o bicho pegou,ao contrário do ano passado. O time sofreu impressionantes 62 gols, boa parte deles nos seis jogos em que foi goleado, mas se acertou no segundo turno, sobretudo com a segurança defensiva de Michael Rensing, goleiro que veio do Bayern Munique para substituir Faryd Mondragón. O pilar defensivo da equipe, porém, continua sendo Pedro Geromel, que salvou o time em vários momentos.
Hoffenheim
Colocação final: 11º, com 43 pontos
Técnicos: Ralf Rangnick (até a 17ª rodada) e Marco Pezzaiuoli
Maior vitória: 4×0 Hannover 96 (10ª rodada) e 4×0 Eintracht Frankfurt (13ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Bayern Munique (22ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Gylfi Sigurdsson (Meia)
Decepção: Vedad Ibisevic
Artilheiro: Gylfi Sigurdsson (9 gols)
Líder em assistências: Sejad Salihovic (9 assistências)
Nota da temporada: 5
Mais uma vez, o Hoffenheim começou a Bundesliga dando a impressão de que poderia lutar para pelo menos chegar a posições que o qualificassem para competições europeias. Mais uma vez, o time caiu de produção do primeiro pro segundo turno e não conseguiu cumprir esse objetivo. A eliminação na Copa da Alemanha diante do Energie Cottbus, nas quartas de final, serviu para aumentar ainda mais a sensação de que a equipe passou a temporada no limbo, relaxando no fim e perdendo um lugar que parecia certo entre os dez primeiros, mas sem ser ameaçada de rebaixamento em nenhum momento.
A saída de Carlos Eduardo, antes do início da temporada, deixou a equipe sem uma referência no meio-campo, e as partidas de Luiz Gustavo e Demba Ba pioraram ainda mais a situação. Percebendo isso, o técnico Ralf Rangnick pediu o boné e foi embora ainda na pausa de inverno. Entre “mortos e feridos” nesse ano insosso, porém, salvaram-se o islandês Gylfi Sigurdsson, autor de nove gols na temporada e principal destaque do time, o bósnio Sejad Salihovic e a revelação Sebastian Rudy, que foi um dos pilares de sustentação da equipe no meio-campo.
Stuttgart
Colocação final: 12º, com 42 pontos
Técnicos: Christian Gross (até a 7ª rodada), Jens Keller, (da 8ª à 16ª rodada) e Bruno Labbadia
Maior vitória: 7×0 Borussia Mönchengladbach (4ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Bayer Leverkusen (6ª rodada)
Competição continental: eliminado nos 16 avos de final da Liga Europa
Principal jogador: Tamas Hajnal
Decepção: Cristian Molinaro
Artilheiros: Zdravko Kuzmanovic e Martin Harnik (9 gols)
Líder em assistências: Martin Harnik (8 assistências)
Nota da temporada: 3,5
Atordoado com a perda inesperada de Sami Khedira, seu principal jogador, o Stuttgart começou a temporada 2010/11 de maneira catastrófica, com seis derrotas nas primeiras sete rodadas. No final do primeiro turno, o time somava apenas 12 pontos e amargava a penúltima colocação, correndo sérios riscos de rebaixamento. Nesse contexto, o técnico Bruno Labbadia assumiu o comando da equipe na 16ª rodada com a missão de tentar salvar o time da degola, e o objetivo foi bem sucedido.
Depois de mais algumas derrotas no início do segundo turno, a maré começou a mudar com a chegada de Tamas Hajnal, meia húngaro que estava encostado no Borussia Dortmund, mas revelou ser o articulador que os Schwaben precisavam para criar jogadas de ataque e conseguir manter um pouco mais a posse de bola. O atacante austríaco Martin Harnik, autor de nove gols e oito assistências, também merece elogios pela temporada que fez, assim como os meias Christian Träsch e Timo Gebhart.
Werder Bremen
Colocação final: 13º, com 41 pontos
Técnico: Thomas Schaaf
Maior vitória: 4×1 Borussia Mönchengladbach (9ª rodada)
Maior derrota: 6×0 Stuttgart (11ª rodada)
Competição continental: eliminado na primeira fase da Liga dos Campeões
Principal jogador: Marko Marin
Decepção: Marko Arnautovic
Artilheiro: Claudio Pizarro e Hugo Almeida (9 gols)
Líder em assistências: Marko Marin (8 assistências)
Nota da temporada: 3
Assim como o Stuttgart, o Werder Bremen perdeu seu principal jogador para a temporada para o Real Madrid. A saída de Mesut Özil simplesmente destroçou o setor de criação da equipe, que passou a depender quase que exclusivamente dos lampejos de Marko Marin e dos gols de Claudio Pizarro, maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga. A 13ª colocação, porém, é ridícula para um time que costuma figurar na parte de cima da tabela, e todos no clube parecem ter consciência disso.
As lesões de Naldo e Mertesacker, aliadas ao mau desempenho de Torsten Frings, minaram o sistema defensivo do time, e o ambiente no vestiário, com a diretoria cortando os salários após algumas derrotas em setembro, nunca foi dos melhores. De positiva, apenas a subida de produção da equipe no segundo turno e a boa adaptação de Wesley, que, apesar de não ter tido muita regularidade, também cresceu do meio para o fim do campeonato.
Schalke 04
Colocação final: 14º, com 40 pontos (Classificado para a Liga Europa por ter vencido a Copa da Alemanha)
Técnicos: Felix Magath (até a 27ª rodada) e Ralf Rangnick
Maior vitória: 4×0 Werder Bremen (13ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Kaiserslautern (14ª rodada)
Competição continental: eliminado nas semifinais da Liga dos Campeões
Principal jogador: Manuel Neuer
Decepção: Sergio Escudero
Artilheiro: Raúl (13 gols)
Líder em assistências: Jefferson Farfán (9 assistências)
Nota da temporada: 6
Com um início apenas um pouco menos desastroso do que o Stuttgart – quatro derrotas nas quatro primeiras partidas -, o Schalke 04 dava pinta de que lutaria contra o rebaixamento, mas reagiu no final do primeiro turno e dali em diante permaneceu no meio da tabela sem sobressaltos. A má campanha, obviamente, irritou a diretoria, e Felix Magath, que começou o campeonato no comando da equipe, foi demitido na metade do segundo turno.
A temporada só não foi completamente perdida por dois motivos, e o primeiro deles foi a classificação inédita da equipe para as semifinais da Liga dos Campeões após vitórias sobre a Internazionale. O segundo foi a conquista do título da Copa da Alemanha, que assegurou a vaga para a Liga Europa 2011/12. Além disso, as atuações memoráveis de Manuel Neuer e a rápida adaptação de Raúl servem como um alento para os torcedores que se acostumaram a ver o time ocupando a parte de cima da tabela.
Wolfsburg
Colocação final: 15º, com 38 pontos
Técnicos: Steve McClaren (até a 21ª rodada), Pierre Littbarski (da 22ª à 26ª rodada) e Felix Magath
Maior vitória: 4×1 Köln (31ª rodada)
Maior derrota: 0x3 Borussia Dortmund (20ª rodada) e Bayer Leverkusen (25ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Diego
Decepção: Josué
Artilheiro: Edin Dzeko (10 gols)
Líder em assistências: Diego (8 assistências)
Nota da temporada: 3
Um campeonato para ser esquecido na Volkswagen Arena. Assim pode ser facilmente definida a temporada do Wolfsburg, que em momento algum fez algo para justificar o fato de ser o segundo maior time da Alemanha em termos de poder de investimento no momento. A equipe foi vulnerável defensivamente, empatou jogos demais – 11, no total – e jamais, em momento algum, se acertou no ataque. A prova disso é que Edin Dzeko, que foi para o Manchester City na pausa de inverno, foi o artilheiro da equipe no campeonato com dez gols, um a mais do que Grafite, que decepcionou durante o ano.
O principal jogador da equipe, mesmo sem jogar o que sabe, foi Diego, que, com alguns brilharecos, seis gols e oito assistências, salvou o time em algumas partidas, mesmo sem ter rendido tudo o que sabe na temporada. Mas a briga dele com Felix Magath na ultima partida pode ter custado a permanência no clube, que precisa também reformular o meio-campo, sobretudo o setor de marcação. Hasebe, limitado, não da conta do recado por ali, assim como Cícero e Josué, este último já na fase final da carreira.
Borussia Mönchengladbach
Colocação final: 16º, com 33 pontos
Técnicos: Michael Frontzek (até a 22ª rodada) e Lucien Favre
Maior vitória: 4×0 Köln (12ª rodada)
Maior derrota: 7×0 Stuttgart (4ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Marco Reus
Decepção: Juan Arango
Artilheiro: Marco Reus (10 gols)
Líder em assistências: Marco Reus (8 assistências
Nota da temporada: 4
Depois de passar toda a temporada na zona de rebaixamento e ficar durante 18 rodadas consecutivas na última colocação, o Borussia Mönchengladbach acordou nas últimas quatro rodadas: venceu três partidas consecutivas, duas delas contra times que ponteavam a tabela: o campeão Borussia Dortmund e o quarto colocado Hannover 96, que naquele momento ocupava a terceira posição. Conseguiu ultrapassar o Eintracht Frankfurt e derrotou o Bochum na repescagem, finalizando uma reação histórica. Ainda assim, o sentimento deveria ser muito mais de alívio do que de comemoração.
O time, que contratou mal no início da temporada, dependeu quase exclusivamente de Marco Reus, artilheiro da equipe com dez gols e líder em assistências com oito. Convocado recentemente para a seleção principal alemã, Reus dificilmente permanecerá em Mönchengladbach para a próxima temporada. Especula-se que o destino dele seja o Borussia Dortmund. Outro destaque foi o zagueiro brasileiro Dante, que é muito respeitado pela torcida e também foi fundamental para a reação.
Eintracht Frankfurt
Colocação final: 17º, com 34 pontos
Técnicos: Michael Skibbe (até a 27ª rodada) e Christoph Daum
Maior vitória: 4×0 Borussia Mönchengladbach (3ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Hoffenheim (13ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Theofanis Gekas
Decepção: Martin Fenin
Artilheiro: Theofanis Gekas (16 gols)
Líder em assistências: Primin Schwegler e Theofanis Gekas (3 assistências)
Nota da temporada: 1
Pane total. Talvez esse termo seja adequado para explicar o que aconteceu com o Eintracht Frankfurt no segundo turno da Bundesliga. O time, que havia terminado na sétima colocação na primeira metade da temporada com 26 pontos, caiu vertiginosamente de produção e fez apenas oito pontos no returno, com uma campanha ridícula: em 17 partidas, venceu apenas uma, empatou cinco e perdeu 11, marcando apenas sete gols e sofrendo 28. O rebaixamento foi uma consequência inevitável.
Diante dessas circunstâncias, fica difícil apontar algo de positivo na campanha do clube, mas ainda assim é possível dizer que o atacante Theofanis Gekas foi um dos poucos a se salvar do vexame. Autor de 16 dos 31 gols marcados do time, também contribuiu com três assistências. Seu desempenho no primeiro turno foi importante para que o clube ainda mantivesse esperanças de não cair.
St. Pauli
Colocação final: 18º, com 29 pontos
Técnico: Holger Stanislawski
Maior vitória: 3×0 Köln (20ª rodada)
Maior derrota: 1×8 Bayern Munique (33ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Gerald Asamoah
Decepção: Deniz Naki
Artilheiro: Gerald Asamoah (6 gols)
Líder em assistências: Gerald Asamoah
Nota da temporada: 1
Promovido à elite alemã em 2009/10, o St. Pauli cometeu um erro crucial que muitos times já cometeram na história do futebol mundial. Por negligência ou falta de capacidade financeira, o clube não reforçou o elenco da forma que deveria e achou que bastava um ou outro bom jogador a mais para se manter na primeira divisão. Não bastou, e como se a queda não fosse suficiente, a equipe ainda foi humilhada com uma goleada por 8 a 1 sofrida dentro de casa diante do Bayern Munique na penúltima rodada.
O veterano Gerald Asamoah, ex-Schalke 04 foi o destaque solitário do time, com seis gols marcados e seis assistências na temporada. O lateral esquerdo Bastian Oczipka, que estava emprestado pelo Bayer Leverkusen, também fez boa temporada e provavelmente voltará a defender os aspirinas em 2011/12. No mais, as promessas Deniz Naki e Richard Sukuta-Pasu decepcionaram.



