Auf Wiedersehen, Michael

Depois de trocentas especulações e um número inimaginável de conversas de bar sobre o assunto por todos os guetos e quebradas da Alemanha, eis que Joachin Löw finalmente anuncia o veredicto sobre Michael Ballack e afirma que o antigo camisa 13 e capitão do Nationalelf não mais defenderá a seleção alemã. No jogo de despedida, o meio-campista enfrentará o Brasil. Nada mais simbólico, afinal de contas ele estava suspenso na final da Copa do Mundo de 2002, disputada entre as duas seleções.
O argumento de Löw para justificar a decisão é simples e faz muito sentido. Os alemães possuem atualmente a melhor seleção jovem do futebol europeu e a posição de Ballack é atualmente muito bem servida. Bastian Schweinsteiger, Sami Khedira, Toni Kroos, Sven Bender e alguns outros jovens jogadores podem atuar por ali sem problemas, como fizeram os dois primeiros na Copa do Mundo, garantindo a estabilidade do meio-campo e partindo para o ataque com muita qualidade e dinamismo tático, como puderam comprovar da maneira mais cruel ingleses e argentinos.
Essa boa performance mostrou que os alemães não são mais reféns do talento (limitado) do veterano de 34 anos, que já não tem mais como se garantir como titular absoluto da equipe. Vale ressaltar que, na Copa do Mundo de 2014, Ballack teria 37 anos, e um jogador com essa idade só atua num Mundial em três circunstâncias: ou ele é um fora de série como Lothar Matthäus, ou não há nenhuma opção melhor para o lugar dele, ou então o técnico do momento é um teimoso, turrão e intransigente que o convocaria só por birra. Não parece ser nenhum dos três casos
Além disso, convocá-lo nesse momento seria ter que lidar com a obrigação simbólica de escalá-lo como titular da equipe. Se Ballack sentar no banco de reservas e os alemães estiverem perdendo em campo, logo o nome dele seria evocado. O que, obviamente, poderia criar um mal estar com algum desses jovens jogadores citados acima, que, a rigor, representam o presente e o futuro da seleção alemã pelos próximos cinco ou dez anos e obviamente precisam ser tratados como prioridade.
Dentro de campo, o time ficaria mais parado, menos dinâmico e com menos poder de marcação, além de possuir um comandante que não é querido por todos e poderia entrar em atrito com Philipp Lahm, por exemplo, para voltar a ter a braçadeira de capitão. Fato que denota a vaidade excessiva de um jogador que está na fase final da carreira e mostra que os efeitos colaterais que poderiam ser gerados com sua presença são potencialmente nocivos. Trocando em miúdos, Ballack é bom, mas não é gênio, e chiliques assim só são tolerados quando o cara é gênio. Ainda assim, só às vezes.
Pesa também contra o hoje volante o fato dele ter atuado pouco pelo Bayer Leverkusen na última temporada, tendo desfalcado o time por causa de mais uma contusão. Outra lesão, completamente diferente da que o tirou da Copa do Mundo. Ofuscado por Arturo Vidal e Renato Augusto, Ballack até cumpriu um bom papel na temporada, embora discreto, e não mostrou nada que saltasse aos olhos do mundo do futebol ou provocasse uma comoção em torno de seu nome, embora o burburinho seja inevitável.
Nada disso, porém, mancha a belíssima história que Ballack construiu com a camisa do Nationalelf. No total foram 98 partidas, sendo 55 delas como capitão e 42 gols marcados, o que o torna o sétimo maior artilheiro da história da seleção alemã, junto com Lukas Podolski. A aposentadoria internacional, embora “forçada” por Löw, vem no momento certo, ideal para que o meia permaneça como uma boa lembrança no imaginário dos torcedores.
Mundial Sub-17
Neste sábado, começa o Mundial sub-17 2011, competição que será disputada no México, e a Alemanha inicia sua participação no torneio na próxima segunda-feira, às 17h, contra o Equador. O time chega badalado pela conquista do vice-campeonato europeu da categoria, em maio, e é cercado de boas expectativas sobre si, ainda mais se levarmos em conta o sucesso que as gerações anteriores já fazem na Bundesliga e na seleção principal com nomes como Mario Götze, Toni Kroos e Mesut Özil.
Individualmente, o melhor jogador da equipe é o atacante Samed Yesil, do Bayer Leverkusen, que já é comparado a Gerd Muller pela eficiência que demonstra dentro da área, tendo marcado 11 gols em dez partidas pelo Europeu da categoria. O meia Emre Can, do Bayern Munique, é outro que merece ser visto com muita atenção, pois comanda toda a distribuição de jogadas do time e às vezes ainda aparece para chutar de fora da área com precisão.
Fora das quatro linhas, o comandante da equipe é Steffen Freund, que como jogador foi um volante aplicado taticamente que fez sucesso no Tottenham e foi campeão da Liga dos Campeões pelo Borussia Dortmund em 1996/97.



