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As lágrimas de Guardiola, o mérito de Tuchel e uma final de Copa da Alemanha eletrizante

Guardiola chorou. Por longos minutos. Em seu último jogo como treinador do Bayern de Munique, as lágrimas saíram no momento em que Douglas Costa marcou o pênalti da vitória e demoraram para cessar. Deixa para trás um trabalho vitorioso, com altos e baixos, e sete novos troféus para a sua recheada prateleira. A decisão da final da Copa da Alemanha contra o Borussia Dortmund foi difícil. Era sua despedida. E também porque, do outro lado, havia um treinador à altura.

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Ter sucesso no Bayern de Munique era importante para Guardiola. Nascido, criado e desenvolvido no Barcelona, seu primeiro trabalho foi brilhante, mas em um ambiente que lhe era totalmente familiar. Conhecia cada detalhe do clube catalão. Com ambição de ser mais do que apenas um ótimo treinador do Barça, Guardiola aceitou o desafio na Alemanha, uma cultura totalmente diferente. Cometeu erros, a ausência de pelo menos uma final de Champions League decepciona, mas venceu, várias vezes, implantou um estilo de jogo e fez partidas memoráveis.

Precisou da disputa de pênaltis para levantar o último troféu porque Thomas Tuchel mostrou a capacidade de aprender com os próprios erros. No seu primeiro encontro com o Bayern de Munique como técnico do Borussia Dortmund, levou uma goleada implacável por 5 a 1. Mas ajustou os ponteiros. Empatou sem gols no segundo turno, e neste sábado, conseguiu mais uma vez suportar a pressão durante os 90 minutos. Na verdade, durante 120 minutos.

O encaixe entre os dois times é sempre o mesmo: o Bayern de Munique fica com a bola, o Borussia Dortmund defende-se e contra-ataca. Poucas vezes esse encontro viu outra dinâmica desde a chegada de Guardiola à Allianz Arena. E não seria no último encontro do espanhol com o Dortmund que seria diferente. O Bayern dominou as ações de um primeiro tempo morno, com uma cabeçada de Müller, em escanteio de Douglas Costa, como o lance mais perigoso da etapa.

O jogo ficou mais quente depois do intervalo, e o Bayern de Munique teve pelo menos duas grandes oportunidades de fazer o gol do título. Ribéry ficou cara a cara com Bürki, que fez grande defesa. Em um cruzamento da esquerda, Lewandowski mal conseguiu alcançar a bola e desviou rente à trave. A resposta do Dortmund veio em contra-ataque puxado por Sokratis, que deixou Aubameyang livre, na cara de Neuer. O artilheiro chutou por cima.

A prorrogação seguiu na mesma toada, e cada lado teve pelo menos uma grande chance de definir a partida. Lewandowski recebeu na entrada da área, de frente para Bürki, mas foi travado com um belo carrinho de Dürm. A dois minutos do fim do primeiro tempo, Castro achou Mkhitaryan pela direita da área, o armênio dominou e chutou cruzado, com muito perigo. Sem pernas, e com jogadores sentindo lesões, o Borussia Dortmund basicamente se defendeu durante os últimos 15 minutos, buscando disputar a taça nos pênaltis. Conseguiu.

Faltou qualidade nas cobranças. Bender tentou o canto esquerdo de Neuer, mas bateu mais para o meio e foi frustrado pelo goleiro alemão. Sokratis, talvez o melhor em campo com a bola rolando, tentou tirar demais e acertou o lado errado da trave. Kimmich, com uma cobrança ridícula no meio do gol, ainda deu esperanças para o Borussia Dortmund, mas Douglas Costa, uma aposta de Guardiola, foi responsável pelo gol do título.

O técnico espanhol despede-se da Alemanha com sete títulos: três Bundesligas, duas Copas da Alemanha, uma Supercopa Europeia e um Mundial de Clubes. Levou cinco de nove, entre os mais importantes. Não é pouco, e as lágrimas que derrubou ao final da partida comprovam que sentirá saudades da torcida do Bayern de Munique. Carlo Ancelotti vem aí para dar continuidade à semente plantada por Guardiola, mas tem que tomar cuidado: o técnico do Borussia Dortmund também é excelente e sabe reagir muito bem.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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