Arjen Robben e a malemolência holandesa

Arjen Robben, quando quer e o corpo permite, é um jogadoraço. Arranque de caça F5, coice de mula no pé esquerdo e um descaramento que a sua aparência careca e sisuda não sugerem. É um sujeito folgado, debochado talvez seja o termo mais preciso. E quando está a fim de decidir, poucos são capazes de detê-lo. Os críticos dizem que ele sempre dá o mesmo drible, sempre faz a mesma coisa, mas o fato é que funciona. Corte para dentro, chute com a perna esquerda, e gol. Não é mais desse jeito.
O Robben de 2009 era assim. Chutava de qualquer lugar do campo e levava perigo. Decidiu com um chutaço contra a Fiorentina nas oitavas de final, um golaço de sem pulo contra o Manchester United nas quartas e foi importante com um chute de fora da área contra o Lyon – contou com uma pequena colaboração de Hugo Lloris, é verdade. Contra a Internazionale na final, não conseguiu furar a boa marcação da defesa montada por José Mourinho e teve de se contentar com o vice-campeonato. Ainda assim, arrebentou depois na Copa de 2010 do mesmo jeito.
O Robben de 2012 é diferente. Estava jogando mal até outro dia, e de repente recuperou a confiança. Ao contrário do jogador que driblava e decidia – percebeu que vem errando muitos chutes de longe -, procura mais a tabela com os companheiros e usa o arranque que nem as seguidas lesões foram capazes de tirar para levar vantagem e receber a bola de volta na cara do gol. Assim foi no segundo gol contra o Olympique de Marseille, quando Thomas Müller o serviu, e agora ele soma oito em fases eliminatórias da Liga dos Campeões. Só está atrás de Kaká, com nove, e Frank Lampard, com 14.
No primeiro, o holandês mostrou outra faceta de sua genialidade. Achou Mario Gómez na área, e o melhor troglodita do mundo contou com a generosa ajuda do goleiro Elinton para abrir o placar. Um belo “cala-boca” naqueles que, como Franz Beckenbauer, o chamaram de “egoísta”. Não acharam o lance tão espetacular assim? Então vejam o passe de letra que ele deu para abrir o placar contra o Hannover 96 pela Bundesliga no último sábado. De cinema.
Contra o Olympique, Robben foi de longe o principal jogador do time. Não contou com o auxílio de Frank Ribéry, que deu umas 4487 declarações sobre como seria difícil enfrentar seu ex-clube antes e depois do jogo – durante também, talvez – e fez um joguinho discreto. Thomas Müller, esse sim, melhorou, mas foi coadjuvante, assim como o excelente Toni Kroos, que faz uma Liga dos Campeões espetacular. Manuel Neuer, sempre seguro no gol, e Philipp Lahm, completam o grupo dos que jogaram bem, e Mario Gómez fez uma partida correta, perdendo uma chance e aproveitando outra.
A única coisa a se lamentar da boa fase do holandês é que ela venha depois da saraivada de cornetadas que ele recebeu em Munique. Agora, com as boas atuações, ele aproveita para sentar na cara dos que o criticaram, encampa o discursinho vagabundo do “essa foi para calar os críticos” e ameaça sair do clube caso seja cobrado novamente. “É uma guerra pessoal contra mim”, já disse certa vez. A prática, comum entre jogadores comuns ou enganadores, não condiz com o futebol praticado por ele dentro das quatro linhas, e ele, macaco velho no futebol, deveria saber disso. Se o Bayern Munique vencer a Liga dos Campeões, será ele um dos responsáveis e a turma da corneta não terá outro remédio que não seja dar o braço a torcer. Só depende dele.
Kagawa e mais dez
Quando Mario Götze se machucou, muito se temeu pelo futuro do Borussia Dortmund, que ficou sem seu principal jogador até aquele momento. Quem iria armar o time e acrescentar genialidade ao jogo intenso e mecânico dos comandados de Jürgen Klopp? A resposta foi dada rapidamente. Shinji Kagawa assumiu a responsabilidade de criar as jogadas e ajudou o time a manter a invencibilidade que já dura 22 jogos.
Faltava, porém, a exibição de gala. E ela veio na goleada sobre o Köln por 6 a 1. Foram os melhores 45 minutos de Kagawa em sua curta história no futebol alemão – e olha que ele já teve vários grandes momentos -. Dois gols, duas assistências e uma jogada criada, fora o show. Quando Götze voltar – especula-se que seja no dia 10 de abril contra o Bayern Munique, o meio-campo aurinegro será ainda mais difícil de ser parado.



