Alemanha

Após rodar a Europa, Kevin-Prince Boateng retorna para onde tudo começou: o Hertha Berlim

Mais de 5.000 dias depois de seu último jogo pelo Hertha Berlim, o veterano de 34 anos está de volta

Não dá para fazer a brincadeira dos carimbos no passaporte porque foi quase tudo dentro da União Europeia, mas a lista de clubes que Kevin-Prince Boateng é enorme: Milan, Las Palmas, Tottenham, Portsmouth, Sassuolo, Fiorentina, Monza, Besiktas e Barcelona. Dentro da Alemanha, também rodou bastante. Defendeu Borussia Dortmund, Schalke 04 e o Eintracht Frankfurt. Após se juntar a Mario Balotelli no novo clube de Silvio Berlusconi na segunda divisão, o Monza, resolveu completar o círculo e voltar para onde tudo começou, o Hertha Berlim.

Nascido em Berlim, Boateng foi formado nas categorias de base do Hertha pelo qual estreou em agosto de 2005, pelo Eintracht Frankfurt. Seu primeiro gol na Bundesliga, aliás, foi contra o Eintracht Frankfurt. Seu último jogo pelo Hertha Berlim, em maio de 2007, última rodada do Campeonato Alemão, foi contra o… Eintracht Frankfurt. Seu único título na Alemanha? Com a camisa do Eintracht Frankfurt, em 2017/18, na Copa da Alemanha.

Só uma curiosidade que eu achei interessante. “Sendo honesto, não consigo acreditar”, afirmou Boateng, em longa entrevista ao site do Hertha Berlim, após assinar contrato até 2022. “Seis anos atrás, a ideia de que gostaria de voltar um dia amadureceu na minha cabeça. E chegou o momento. Provavelmente vou acreditar apenas quando estiver no centro de treinamento e vestindo a camisa novamente. A sensação é definitivamente maravilhosa. Estou voltando para casa”.

“O Hertha não é um clube qualquer para mim. Estou aqui para retribuir. Aprendi muito ao longo dos anos, mas devo tudo isso, toda a minha carreira, a este clube. Nunca me esqueci disso. O Hertha sempre esteve no meu coração. O contato nunca foi rompido, acompanhei todos os jogos e desenvolvimentos sempre que possível”, completou.

Boateng parece muito consciente do momento da sua carreira. Passou a última temporada na Serie B da Itália tentando levar o Monza à elite – foi por pouco: derrota nas semifinais dos playoffs do acesso para o Citadella, após ser terceiro colocado. Atuou 25 vezes, geralmente como titular, embora tenha completado 90 minutos em apenas duas rodadas.

O seu papel no Hertha Berlim será principalmente de liderança para tentar ajudar um núcleo jovem que conta com jogadores como Matheus Cunha (22 anos) e Dodi Lukebakio (23). “Sabemos que não sou um jogador como qualquer outro. Trago muito hype e glamour comigo porque tive uma boa carreira e sou conhecido como alguém meio louco. Berlim sempre me amou e eu retribuo esse amor. Eu não vim para o Hertha como a diva, a superestrela que tem que jogar todos os jogos. Os chefes sabem disso. Como eu disse: estou aqui para retribuir. Se o treinador não me escalar, quero ajudar os jovens. Temos alguns jovens talentosos que quero formar. Acho que eles vão me ouvir”, disse.

“Quero incentivar esses jovens. Eles devem ser corajosos e ousados, mas também precisam saber o que significa o escudo no peito. Também tenho outras qualidades, sei liderar um time. Os loucos e os menos loucos. Passei um tempo com todos eles na minha carreira”, acrescentou.

Boateng sabe muito bem o que significa o escudo no peito: tatuou um do Hertha Berlim bem no meio do seu. “Doeu muito, mas é apenas um símbolo da minha conexão com o Hertha. Foi o destino que este local ainda estivesse vago (ele tem umas 20 tatuagens) porque nada acontece sem motivo. A tatuagem mostra que este clube e esta cidade são a minha casa”, afirmou.

Em Berlim, Boateng encontrará algumas caras conhecidas, como o treinador Pál Dárdai e o assistente Andrea “Zecke” Neuendorf, ambos jogadores do Hertha quando ele despontou. Mais uma coincidência: Neuendorf foi quem substituiu Boateng aos 14 minutos do segundo tempo do seu último jogo pelo Hertha, aquela vitória por 2 a 1 sobre o Frankfurt na 34ª rodada da Bundesliga de 2006/07. Outro velho colega será o diretor-esportivo Fred Bobic, com quem trabalhou no Frankfurt.

“Boateng conhece o Hertha, a Bundesliga e Berlim. Não demorará muito para se acostumar. Com suas qualidades de liderança de vestiário e fora de campo, ele é um grande trunfo para nossa equipe. Em campo, se provou no mais alto nível ao longo de muitos anos. O pacote geral desta transferência é absolutamente correto”, afirmou Bobic, que retornou ao Hertha no começo de junho após cinco anos no comando do projeto esportivo do Frankfurt.

O Hertha Berlim fez contratações que chamaram a atenção desde que passou a receber o investimento do empresário Lars Windhorst, mas o projeto esportivo ficou à deriva. A tentativa com Jürgen Klinsmann como treinador foi desastrosa. Bruno Labbadia começou bem, mas terminou mal. Para a nova temporada, buscou novos rumos com o retorno de Dárdai ao cargo de técnico principal e a contratação de um novo diretor-esportivo.

Também houve uma escassez de lideranças dentro do vestiário. O clube tentou resolver esse problema com a contratação de Khedira, mas o campeão do mundo se aposentou em poucos meses. Agora, essa missão será de Boateng.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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