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Após atentado em Berlim, a celebração do Natal no estádio do Union teve significado ainda maior

Uma das principais tradições do Natal na Alemanha acontece dentro de um estádio de futebol. Todos os anos, milhares de torcedores se reúnem para celebrar a data na casa do Union Berlim. Para uma torcida que já doou dinheiro para salvar o clube da falência e que já fez mutirão para reformar o estádio, a manifestação natalina é mais uma mostra da fraternidade que conduz os berlinenses. E, em 2016, a reunião no Stadion An der Alten Försterei teve significado ainda maior, depois do atentado (assumido pelo Estado Islâmico) que matou 12 pessoas e deixou dezenas de feridos em uma feira na capital alemã.

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Embora as arquibancadas comportem 22 mil espectadores, o evento na última sexta-feira contou com a participação de 28,5 mil pessoas. Serviu para reforçar não apenas o laço entre os torcedores, mas também o espírito da população no confronto ao terror. “Estou aqui porque é importante estar aqui. É Natal. Essa é nossa cultura. Eu não quero pensar que não posso vir aqui porque existem idiotas. Eu quero ser feliz aqui. É uma afirmação sobre nossa postura”, declarou Mario Schacht, um dos presentes, em entrevista ao The New York Times.

Por conta do ataque terrorista, os dirigentes do Union Berlim cogitaram o cancelamento do evento. Entretanto, decidiram seguir em frente justamente por sua importância diante do momento. Em memória às vítimas, um minuto de silêncio foi respeitado. Além disso, os torcedores também trouxeram mais leveza à noite com velas e tradicionais cânticos natalinos.

A comemoração do Natal no Stadion An der Alten Försterei acontece desde 2003, quando cerca de 80 torcedores do Union Berlim entraram no estádio para confraternizar. A partir de então, o evento cresceu e, nos últimos quatro anos, esgotou entradas. O clube da segunda divisão da Bundesliga costuma cobrar um valor simbólico pelo ingresso, em dinheiro doado a instituições de caridade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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