Amistoso “pero no mucho”

O duelo alemão contra a Argentina na Allianz Arena, em Munique, era pra ser um simples jogo preparatório para Copa da África do Sul, mas não teve nada de amistoso. Parecia até uma partida de mata-mata de Mundial, com as equipes muito nervosas em campo e querendo ganhar a qualquer custo. No total, foram seis cartões amarelos, três para cada equipe.
Pior para a Alemanha, que perdeu em casa e começa o ano da Copa sob olhares de desconfiança pelo mau futebol apresentado diante de sua torcida – mais de 60 mil pessoas estiveram no estádio do Bayern de Munique. A Nationalelf teve poucas chances de gols, e as jovens apostas Kroos, Ozil e Muller se acanharam diante de um adversário de tradição.
A pouca inspiração dos três fez com que Klose, Podolski e Gomez mal pegassem na bola. Podolski, aliás, levou para seleção o mesmo futebol fraco que apresenta no Colônia nesta temporada. Além das decepções no setor de criação, a dupla de volantes formada por Ballack e Schweinsteiger não funcionou, assim como Boateng na lateral-direita.
Por incrível que pareça, o melhor jogador alemão em campo foi o brasileiro Cacau, que entrou aos 22 minutos do segundo tempo e deu uma cara nova à equipe. Chutou duas bolas com perigo e não se intimidou com a cara feia dos argentinos. Talvez tenha garantido sua vaga. Kiessling não teve chance para mostrar seu futebol e nem entrou.
Nos últimos seis jogos entre as duas equipes, foram três empates e três vitórias dos argentinos.
De bonito mesmo na seleção alemã, só o uniforme. O time jogou com uma camisa preta, nova, e que provavelmente será utilizada em alguns jogos da Copa.
Antes da estreia na Copa do Mundo contra a Austrália, em 13 de junho, a Alemanha tem mais três amistosos para se ajustar. Pega a fraca Malta em 12 de maio, a Hungria no dia 28 do mesmo mês, e encerra a preparação contra a Bósnia, de Dzeko e Ibisevic, no dia 2 de junho.
Por falar em Bósnia e Ibisevic, o atacante marcou um dos gols da sua seleção no triunfo por 2 a 1 sobre Gana, adversária da Alemanha na Copa. Além dos africanos, os outros dois rivais germânicos na fase de grupos entraram em campo. A Austrália venceu a Indonésia, enquanto a Sérvia fez 3 a 0 na Argélia.
Atuações individuais dos alemães
Adler (nota 5) – Até que não foi muito exigido no jogo, mas falhou no gol da Argentina, anotado por Higuaín. O goleiro tentou antecipar o atacante fora da área, mas foi driblado e viu a bola morrer no fundo de suas redes;
Boateng (nota 3) – Foi o pior em campo. Talvez pela idade e pela inexperiência, errou demais. Não conseguia dar passes de 10 metros e tentava se livrar da bola;
Mertesacker (nota 6,5) – O mais consciente e seguro do setor defensivo. Parou bem Messi, Tevez e cia;
Tasci (nota 6) – Não comprometeu, mas ainda se mostrou inseguro;
Lahm (nota 4) – Levou um baile do argentino Di Maria. Jogando pela esquerda, sua posição de origem, foi muito mal. Uma das piores atuações do jogador com a camisa da seleção;
Ballack (nota 5) – O capitão jogou como primeiro volante e estava muito nervoso em campo. Quando avançava para o ataque, era desarmado facilmente;
Schweinsteiger (nota 5,5) – Atuou na função de segundo volante, mais recuado como de costume, e pouco chegou com perigo no setor ofensivo. Arriscou dois chutes bizarros, muito longe do gol;
Ozil (nota 4) – A perna canhota não funcionou e o jogador do Werder Bremen foi presa fácil aos defensores argentinos, que o anularam;
Muller (nota 5,5) – Bem que tentou uma jogada ou outra de velocidade, mas estava em uma noite pouco inspirada;
Klose (nota 4) – Fugiu da sua característica saindo da área. Por isso, pouco fez;
Podolski (nota 3,5) – Uma atuação ridícula, lembrando sua fase final de Bayern de Munique e a atual temporada no Colônia. Não ganhou uma bola dos defensores e não fez nada, absolutamente nada na partida;
Gomez (nota 5) – Entrou no intervalo e funcionou bem como pivô em algumas oportunidades. Mas só;
Kroos (nota 4) – Jogou metade do segundo tempo e mal encostou na bola. No máximo, cobrou dois escanteios;
Cacau (nota 7) – Se movimentou, brigou pela bola, marcou, arriscou… foi o melhor em campo, apesar de ter jogado pouco. Mostrou muita vontade e boa técnica no domínio da bola;
Khedira (nota 6) – Jogou por 15 minutos e melhorou a qualidade do passe e a marcação no meio de campo.



