Alemanha

Alta rotatividade

Quando comparamos os clubes das Bundesliga com os de outros países europeus, chega-se à conclusão de que eles agem de maneira mais sóbria e prudente. Os investimentos em contratações geralmente são mais tímidos, o uso dos jogadores das categorias de base é mais frequente e os técnicos normalmente têm mais tempo para trabalhar. Em 2010/11, porém, a paciência de alguns clubes parece bem mais curta do que em temporadas anteriores, e a dança das cadeiras no comando das equipes é maior do que o normal.

Das 18 equipes que disputam a competição, oito já mudaram o comando técnico. O último deles foi o Eintracht Frankfurt, que anunciou o experiente Christoph Daum como substituto de Michael Skibbe na última terça-feira. Finalista da Liga dos Campeões e vice-campeão alemão em 2001/02 com o Bayer Leverkusen, Daum tenta voltar aos seus melhores dias e livrar seu novo clube do rebaixamento. O Eintracht, que fez um bom primeiro turno, caiu muito de rendimento no segundo e ocupa uma perigosa 14ª colocação na tabela.

Quem também mudou de técnico recentemente foi o Wolfsburg, que anunciou o velho conhecido da torcida Felix Magath um dia depois da saída dele do Schalke 04, ocorrida na quarta-feira passada. Campeão nacional com os Lobos em 2008/09 e vice com os azuis reais em 2010, Magath tem uma missão parecida com a de Daum: livrar sua equipe, que ocupa a penúltima posição na tabela, da degola. Teoricamente, a tarefa parece ser mais fácil, já que o Wolfsburg possui a segunda maior folha salarial entre os clubes do país e jogadores como Diego e Grafite, mas os últimos resultados e o fato da equipe não ter reagido na competição até agora preocupam a torcida.

No primeiro jogo, a mudança não surtiu muito efeito. Fora de casa, o Wolfsburg empatou por 1 a 1 com o Stuttgart, que já trocou de técnico duas vezes na temporada: Christian Gross e Jens Keller antecederam Bruno Labbadia, que finalmente conseguiu fazer com que o time respire fora da zona de rebaixamento, ocupando o 15º lugar na tabela. O Schalke, na estreia de Ralf Rangnick, perdeu para o Bayer Leverkusen por 2 a 0, mas, levando-se em conta que o adversário é vice-líder da Bundesliga e o jogo foi fora de casa, pode-se dizer que o resultado estava dentro do previsto.

O Hamburg também trocou seu comandante. Armin Veh, demitido após a humilhante goleada sofrida por 6 a 0 contra o Bayern Munique, deu lugar ao interino (pelo menos por enquanto) Michael Oenning. A estreia dele não poderia ser melhor: vitória por 6 a 2 sobre o Köln, que também trocou de técnico na temporada: saiu Zvonimir Soldo e entrou Frank Schaefer, que ajeitou o time e o tirou da zona da degola nesse início de segundo turno com uma ajuda generosa de Lukas Podolski, que enfim faz boa temporada. Lucien Favre, que assumiu o Borussia Mönchengladbach no lugar de Michael Frontzeck, parece fadado ao rebaixamento.

As trocas não se limitam apenas a essa temporada. Já é sabido que Louis van Gaal deixará o Bayern Munique após o fim da Bundesliga e muito provavelmente dará lugar a Jupp Heynckes, que sairá do Bayer Leverkusen. Os Aspirinas serão comandados por Robin Dutt, técnico que faz um trabalho muito consistente no Freiburg. Thomas Tuchel, do Mainz 05, provavelmente continuará por lá.

Diante de todas as mudanças, é de se aplaudir também o esforço da diretoria do Werder Bremen em ter mantido Thomas Schaaf no comando. Em meio a tantas patacoadas – inclusive congelar salários dos jogadores – e derrotas humilhantes, Klaus Allofs bancou o treinador, que parece estar conseguindo reconstituir a equipe pouco a pouco e já conta com uma nova revelação: o extremo Florian Trinks, de apenas 18 anos.

O fim de um ciclo

Mesmo com tropeços nas duas últimas rodadas, o Borussia Dortmund ainda é favoritíssimo ao título da Bundesliga, pois lidera o campeonato com 62 pontos, sete à frente do Bayer Leverkusen, vice-líder. Para um jogador em especial, ser campeão representa, além de mais uma conquista no currículo, o encerramento de um ciclo de 13 anos, repleto de vitórias, derrotas, alegrias, tristezas e tudo mais que um ídolo pode viver em seu clube. Trata-se do brasileiro Dedê, que não renovará contrato no fim de 2010/11.

A história de Dedê se confunde com a história recente do próprio Dortmund, clube que o contratou em 1998 após ele se destacar como lateral esquerdo no Campeonato Brasileiro do ano anterior defendendo o Atlético Mineiro. Nos aurinegros, tornou-se ídolo, foi campeão alemão em 2001/02 como titular da lateral esquerda, migrou para o meio-campo, voltou à lateral e perdeu a posição para Schmelzer, mas não o lugar no coração da torcida.

Na seleção, sofreu com a concorrência de uma das maiores gerações de laterais esquerdos que surgiram no país na história. Além de Roberto Carlos, que reinou absoluto no trono entre 1995 e 2006, Dedê concorria com Junior, Serginho, Gilberto, Athirson e Fábio Aurélio (os dois últimos “tiraram-lhe” a chance de disputar os Jogos Olímpicos de 2000). A única partida com a amarelinha foi contra a Hungria, em 2004, quando já era cogitado para defender a Alemanha e até mesmo o Qatar. Sobre a saída do Dortmund, o lateral lamentou: “É uma pena, achei que fosse encerrar a carreira por aqui”.
 

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