Alemanha

A vingança está completa

Na semana passada, quando o Bayern de Munique virou o placar para cima do Manchester United no último minuto, muito se falou que os bávaros haviam tido a revanche da derrota na final de 1999. Todo esse blábláblá, porém, seria esquecido se os Red Devils vencessem o jogo de volta e seguissem adiante. Com a derrota por 3 a 2 no jogo desta quarta-feira, a classificação para as semifinais da Liga dos Campeões 2009/10 e, principalmente, as circunstâncias nas quais o placar foi construído em Old Trafford atestam que, desta vez, a vingança está completa.

Tudo parecia estar perdido aos dez minutos do primeiro tempo, quando o United já vencia por 2 a 0. O time parecia ter sentido o impacto da surpreendente escalação de Wayne Rooney, que, mesmo machucado, deu o passe para o primeiro gol, marcado por Gibson, e participou do terceiro com um belo corta-luz. Mas quem deitou e rolou no primeiro tempo foi o extremo Valencia, que engoliu Badstuber e Demichelis com farinha durante toda a primeira etapa, tendo feito as assistências para Nani marcar duas vezes e ampliar para 3 a 0.

Os alemães não conseguiam trocar passes em sequência e se limitavam apenas a se defender. No ataque, Robben e Ribéry eram bem vigiados e pouco produziam, enquanto Olic e Thomas Muller eram facilmente anulados. Van Bommel e Schweinsteiger, os volantes de Louis van Gaal, não são exímios marcadores e perdiam duelos no meio, além de terem falhado na cobertura do lado esquerdo. Nada parecia funcionar, e tudo indicava uma goleada inglesa até que o Bayern achou um gol, com Olic, aos 42 minutos do primeiro tempo.

O gol trouxa a confiança necessária para o time. Assim como em Munique, os bávaros assumiram o controle do jogo na segunda etapa e, com a expulsão de Rafael, intensificaram a pressão. O Bayern trabalhava a bola com paciência, mas não tinha muitas oportunidades, até o golaço de Robben, que, assim como contra a Fiorentina pelas oitavas de final, sacramentou a derrota por 3 a 2 que recolocou a equipe entre as quatro melhores do continente após nove anos. Com um jogador a mais em campo, administrar o placar foi uma missão bem mais tranquila do que na partida de Florença.

Seria injusto, porém, dizer que o craque de vidro holandês foi o único herói do triunfo. Não há como esquecer, por exemplo, a participação de Ribéry, que, além de ter cobrado o escanteio para o gol de Robben, empatou o jogo em Munique e ganhou, no grito, o cartão vermelho para Rafael. O papel de Ivica Olic, que virou o jogo na Alemanha e começou a reação em Old Trafford, também foi fundamental, assim como a entrada de Mario Gómez no segundo tempo das duas partidas, substituindo o jovem Thomas Müller, que, apesar do passe para o gol de Olic na Inglaterra, decepcionou.

Na Bundesliga, vitória com autoridade e título próximo

Entre as duas partidas contra o Manchester United, o Bayern de Munique enfrentou o Schalke 04 no último sábado e venceu por 2 a 1, recuperando a liderança da Bundesliga e somando 59 pontos, um a mais do que os azuis reais. E, a exemplo do confronto contra os ingleses, a vitória no duelo de Gelsenkirchen também teve contornos dramáticos, já que os bávaros tiveram Hamit Altintop, expulso ainda no primeiro tempo.

Os comandados de Louis van Gaal souberam se defender brilhantemente na etapa complementar para confirmar a reabilitação no torneio – a equipe vinha de derrotas para Eintracht Frankfurt e Stuttgart – e, restando cinco rodadas para o fim do campeonato, estão com a faca e o queijo na mão para levantarem a taça mais uma vez. Afinal de contas, o principal adversário na disputa é o próprio Schalke, que não vence o campeonato há 52 anos e certamente está com a auto-estima abalada após a derrota do último sábado.

Os azuis reais mostraram, mais uma vez, uma dependência excessiva da dupla de ataque formada por Farfan e Kevin Kuranyi, e sofreram para criar oportunidades, principalmente no segundo tempo. Os meias Ivan Rakitic e Alexander Baumjohann não estavam muito inspirados e tiveram muitas dificuldades para sair da marcação adversária. Na defesa, Bordon comprometeu: além de ter falhado no segundo gol bávaro junto com Rafinha, abusou da violência e foi “premiado” com uma expulsão no final do jogo.

Quem também poderia estar na disputa é o Bayer Leverkusen, que sofreu todas as suas quatro derrotas na competição nas últimas cinco rodadas, perdeu a liderança e agora ocupa a terceira posição com 53 pontos. Ao que parece, os comandados de Jupp Heynckes sofreram uma espécie de “surto defensivo”, e a prova disso é que 17 dos 33 gols sofridos pela equipe aconteceram nas sete últimas rodadas, enquanto os outros 16 ocorreram nas 22 partidas anteriores.

O Werkself tem apenas um ponto a mais do que o Borussia Dortmund, que chega para brigar por vaga na Liga dos Campeões. O time de Jürgen Klopp venceu o Werder Bremen por 2 a 1. O argentino Lucas Barrios já foi às redes em 15 oportunidades e é muito bem municiado pelo egípcio Mohamed Zidan, autor de oito assistências. A temporada também marca a afirmação de jovens como Sven Bender Marcel Schmelzer e Kevin Großkreutz, além da confirmação do talento de Nuri Sahin, Neven Subotic e Felipe Santana.

Hertha Berlim: reação tardia?

Lanterna da Bundesliga deste a sexta rodada, o Hertha Berlim acordou nas últimas três rodadas e conquistou sete pontos em nove possíveis. Destaque para a impiedosa goleada por 5 a 1 diante do Wolfsburg, no dia 21 de março, com três gols de Theofanis Gekas, trazido emergencialmente do Bayer Leverkusen, e dois do colombiano Adrián Ramos. No último fim de semana, a vítima da vez foi o Colônia, batido por 3 a 0 com dois gols de Rafael e um de Cícero.

A reação, porém, parece tardia, já que, com apenas cinco jogos por fazer, o Hertha soma 22 pontos e precisa tirar uma desvantagem de seis em relação ao Bochum, primeira equipe fora da zona da degola. E a tabela dos berlinenses não é nada amigável nessa reta final: enfrentam Stuttgart, Bayer Leverkusen, Schalke 04 e Bayern de Munique. Mas não custa nada sonhar em salvar uma temporada que se mostrou caótica até agora.

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Equipe Trivela

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