Alemanha

A vida e a obra do criador dessa obra-prima: o Estádio Olímpico de Munique

Adolf Hitler tinha paixão pelo mundo clássico. A arquitetura da Roma Antiga o encantava, e as obras de sua Alemanha nazista tomavam inspiração no império dos césares. Pedra, concreto, peças estruturais pesadas, colunatas, pórticos com imagens mitológicas, tudo isso era largamente utilizado nos projetos assinados por Albert Speer. Tudo feito para impressionar, mas que causava um grande incômodo para um jovem piloto da Luftwaffe que havia sido preso em combate e passado dois anos em uma prisão militar francesa antes de estudar engenharia e arquitetura em Berlim.

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Frei Otto aprendeu a ver as estruturas de outra maneira. Para ele, as formas naturais e orgânicas representavam o ideal para a arquitetura. Elas permitiam edificações leves, baratas e democráticas. Podiam até ser temporárias, uma condição que lhe permitia ousar sem o risco de eternizar algo que eventualmente não funcionasse como imaginado. Inspirado em elementos como bolhas em uma sopa e teias de aranha, viu um futuro em forma de membranas sustentadas por estruturas leves metálicas.

O alemão nascido em 1925 em Siegmar se tornou o grande mestre das coberturas tensionadas. Sua primeira obra de destaque foi o pavilhão da Alemanha Ocidental na Exposição Universal de 1967, realizada em Montreal. Cinco anos depois, foi chamado para o projeto que definiria seu trabalho, se tornaria a referência da tecnologia que ajudou a levar ao mundo: a cobertura do Parque Olímpico de Munique.

Frei Otto durante cerimônia de premiação no Japão, em 2006 (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Frei Otto durante cerimônia de premiação no Japão, em 2006 (AP Photo/Shizuo Kambayashi)

O local reúne algumas as principais instalações utilizadas nos Jogos Olímpicos de 1972. O complexo de membranas, dispostas como uma grande tenda, dão um sentido de conjunto ao local. Essa cobertura conduz o visitante ao grande palco, o estádio Olímpico, casa do Bayern de Munique de 1972 a 2005, sede de duas finais de Copa/Liga dos Campeões (1979 e 1997), de uma Eurocopa (1988, o Holanda x União Soviética do gol antológico de voleio de Van Basten em Dassaev) e de uma Copa do Mundo (1974).

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O estádio era lindo e icônico, mas ruim para o torcedor. Com arquibancada distante do gramado, ele não proporcionava uma boa visão do campo e ainda dificultava ao público transmitir energia para os jogadores. Ficou defasado e foi substituído pela Allianz Arena, construída para a Copa do Mundo de 2006. Falou-se em destruir o Olímpico, mas seu valor arquitetônico o salvou. Hoje, está subutilizado, mas é palco de shows, eventos esportivos diversos e foi o local para reunião de torceedores alemães verem jogos da Copa de 2014 pelo telão.

Frei Otto faleceu nesta segunda, aos 89 anos. No dia seguinte, a organização do Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial, o anunciou como vencedor de 2015. A entrega ocorreria em maio, e o arquiteto já teria sido informado do resultado em janeiro. Ao menos, a ele soube em vida da homenagem que só recebeu oficialmente após sua morte.

Confira abaixo detalhes do trabalho de Otto no Olímpico de Munique, além de outras obras importantes do arquiteto:

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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