A resposta para Götze preencher a lacuna aberta desde 2014 não está apenas em campo

Quando Mario Götze anotou aquele gol no Maracanã, em 13 de julho de 2014, não parecia apenas um passaporte para a história. Dava a impressão que as portas se abriam para ele fazer ainda mais história. Pouco mais de um mês após completar 22 anos, o meia já tinha uma trajetória brilhante. Aquele arremate cheio de categoria, após o passe por elevação de André Schürrle, só sublinhava o talento daquele que se acostumou a ser chamado de Wunderkind, o “garoto prodígio”. Se quisesse fazer ainda mais, o jovem já tinha a parte mais importante: decidir uma Copa do Mundo, mesmo tão cedo.
O sucesso de Götze, no entanto, não dependia apenas do querer. Ou ao menos isso foi revelado nesta segunda, em nota oficial do Borussia Dortmund. O clube confirmou que o seu jogador vem sofrendo com alterações metabólicas. Precisará ser afastado do elenco para focar no problema, realizando os exames pertinentes e buscando uma solução para o entrave. Neste momento, até pelas poucas informações divulgadas, pairam muitas dúvidas.
É verdade que, desde antes da Copa do Mundo, o rendimento de Götze vinha caindo. No Bayern de Munique, o garoto viveu alguns bons momentos e duas primeiras temporadas razoáveis, ainda que abaixo do esperado pelas expectativas que foram criadas. E, em um elenco abundante de talento, faltou espaço para continuar sob as ordens de Carlo Ancelotti. De fato, o encaixe do meia vinha sendo cada vez mais difícil. Então, os céus se abriram novamente no Signal Iduna Park, onde o prodígio teve suas camisas queimadas e seu nome gritado como Judas. Não seria fácil. Ainda assim, boa parte da torcida do Borussia Dortmund abriu os braços.
Götze fez o caminho regresso que tantos outros repetiram nas últimas temporadas, mas que não necessariamente repetiram os sucessos da primeira estadia em Dortmund. Assim vinha acontecendo com o prata da casa. Ganhou a confiança de Thomas Tuchel no início da temporada, mas viveu somente de lampejos. Fez uma ou outra partida realmente boa, contribuindo pouco ao ataque. Até que sua ausência começasse a causar estranhamento. As lesões eram tão persistentes assim? Surgiram, mais uma vez, as especulações de que deixaria o Signal Iduna Park. Até o Borussia Dortmund apontar que a discussão está distante de ser tão simples.
As contusões recentes e as dificuldades de Götze para perder peso talvez não sejam mera coincidência. Há chances de que as alterações no metabolismo tenham afetado isso. O desequilíbrio hormonal, aliás, pode gerar uma série de consequências, não apenas físicas, mas também psicológicas. A descoberta, neste momento, se faz fundamental para encontrar as respostas sobre as muitas interrogações que pairavam sobre o meia. “Nós estamos felizes em saber a verdadeira razão para os problemas de Mario e estamos convencidos que isso nos dará mais possibilidades para recuperar suas habilidades excepcionais. Todos nós do clube desejamos que Mario se recupere rápido e daremos o máximo de apoio”, declarou o diretor Michael Zorc.
A preocupação maior se concentra sobre a própria saúde de Götze. Depois, entra o seu futuro como atleta, sobre as alterações na rotina e a recuperação. E não há dúvidas que talento não falta ao jovem, sobretudo por aquilo que fez e conquistou em seus primeiros anos no Borussia Dortmund. A lacuna após a Copa do Mundo de 2014 permanece aberta. Resta torcer para que, com o diagnóstico desta semana, ela possa ser preenchida de maneira plena nos próximos anos.



