A punição à Muralha Amarela motivou protestos contra a federação em vários estádios alemães

Durante o último sábado, o Borussia Dortmund cumpriu a pena imposta pela federação alemã após os incidentes na visita do RB Leipzig ao Signal Iduna Park. Os aurinegros fecharam a famosa Südtribune, a Muralha Amarela, em punição aos ataques à torcida visitante do clube da Red Bull – que, segundo os relatos, foi atingida no entorno do estádio por pedras, garrafas, fogos de artifício e outros objetos. A rodada da Bundesliga, no entanto, acabou marcada por protestos. Não apenas contra os Touros Vermelhos, mas também aos próprios dirigentes do futebol alemão e ao modelo de punição adotado. Ação em conjunto das torcidas, que se espalhou por vários estádios.
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O movimento mais significativo aconteceu no próprio Signal Iduna Park, onde o Borussia Dortmund venceu o Wolfsburg. Os grupos de ultras, sem poder ocupar a Südtribune, se deslocaram a outro setor do estádio. Ocuparam justamente o trecho das arquibancadas dedicado à torcida visitante, com a permissão dos 2 mil seguidores dos Lobos presentes, que ficaram em outra parte. Maneira encontrada pelos aurinegros para escancarar o seu descontentamento, realizando a tradicional festa na tribuna norte, logo atrás do gol. Ergueram várias faixas, mandando mensagens aos cartolas, inclusive do próprio clube: “Visitantes no próprio estádio: obrigado DFB e BVB”, “Sem a Südtribune não existimos”, “Não à violência, não à punição coletiva”, entre outras.
A principal bronca dos aurinegros se concentra sobre o fato de que os indivíduos responsáveis pela violência já haviam sido identificados e detidos pela polícia alemã no próprio final de semana do episódio. Mesmo com a possibilidade de puni-los especificamente, os dirigentes também impuseram uma restrição a milhares de torcedores que não se envolveram no incidente. Além disso, vale ressaltar que o restante dos frequentadores da Muralha Amarela condenou a violência dias depois, durante o duelo com o Hertha Berlim pela Copa da Alemanha.
Já nas outras partidas, a manifestação mais forte aconteceu no domingo, quando o Borussia Mönchengladbach recebeu o RB Leipzig. Os alvinegros ergueram suas faixas na Nordkurve, setor tradicionalmente ocupado pelos ultras. “Nós condenamos cada pedra atirada…”, dizia a primeira parte da mensagem principal, completada por: “…que não acertaram vocês!”. Depois, outras tantas bandeiras de protesto foram penduradas nas arquibancadas: “Paixão versus dinheiro”, “Lutamos radicalmente por nossos valores”, “O Borussia não vive de eventos, desenvolve futebol com os torcedores”, “Entre corrupção, marketing e repressão, a Red Bull é um sintoma. O problema é o sistema!”, “50+1: não existe quebra de lei em Leipzig, DFB?”, “O que aprendemos com o RB: o futebol não deve se afastar dos fãs”, “Parabéns DFB e seus trolls da mídia, sua criança favorita agora virou vítima” e “Tradições não são apenas uma ilusão? A crítica ao Red Bull precisa ser só o começo!”.
Além disso, as manifestações se espalharam por estádios da primeira e da segunda divisão. Ultras de clubes como Bayern de Munique, Eintracht Frankfurt, Colônia, Hertha Berlim, Kaiserslautern, Greuther Fürth e Eintracht Braunschweig participaram da mobilização. A maioria das mensagens se direcionava contra o “totalitarismo” da federação e os protecionismos ao RB Leipzig. Os protestos, inclusive, superaram as fronteiras da Alemanha. Na Escócia, os torcedores do Celtic ofereceram seu apoio ao Dortmund contra os banimentos coletivos.






