Alemanha

A partida do xerife

No futebol profissional, o intervalo entre uma temporada e outra geralmente vem acompanhado de muitas despedidas de jogadores que se transferem ou encerram a carreira, e quando dado em comum acordo, o “adeus” é feito de maneira civilizada, sem nenhum tipo de chiliquinho. Foi o caso de Grafite, que deixou o Wolfsburg há cerca de dez dias, e é agora o caso de Torsten Frings, capitão do Werder Bremen nos últimos cinco anos, que acertou transferência para o Toronto FC, clube da Major League Soccer.

É o fim de um ciclo que teve duas passagens, cada uma de cinco anos. No total, Frings vestiu a camisa dos Verdes em 326 oportunidades, marcando ao todo 36 gols. Na maioria dessas partidas, mandava prender e soltar no meio-campo, exercendo uma liderança natural e se firmando como um dos melhores volantes do futebol alemão nos anos 2000. Prova disso é que disputou as Copas do Mundo de 2002 e 2006, além das Eurocopas de 2004 e 2008, e só não foi ao Mundial de 2010, na África do Sul porque brigou publicamente com Joachin Löw. A personalidade forte, de fato, lhe trouxe alguns efeitos colaterais durante a carreira.

Essa personalidade temperamental o tirou, por exemplo, da semifinal da Copa do Mundo de 2006 contra a Itália. Nas quartas de final, diante da Argentina, Frings teria agredido o atacante Julio Cruz, fato negado pelo próprio Cruz e não visto pelo árbitro da partida. Ainda assim, o comitê disciplinar da Fifa o suspendeu previamente por seis meses, e depois por duas partidas. O volante deu declarações polêmicas sobre a decisão. “Foi uma questão política. Eles queriam mostrar que não havia nada a favor da Alemanha, que não tínhamos tratamento especial”, disse na época. Vale lembrar que o julgamento foi apenas um dia antes da partida contra os italianos e não houve tempo, por isso, para apelação. É um exagero e uma mera especulação, no entanto, afirmar que o Nationalelf venceria a partida com ele em campo.

Nos Verdes, o volante é ídolo e sempre será. Capitão da equipe, foi campeão da Copa da Alemanha em duas oportunidades, além do vice-campeonato da Bundesliga em 2007/08. Era a garantia de estabilidade no meio-campo, qualidade na saída de bola e um bom chute de fora da área. Personificava o jogador ambicioso, aquele capaz de pisar na cara de quem tentasse atravessar o seu caminho rumo à vitória, o que certamente também ajuda a explicar a adoração que a torcida tem por ele. Com Frings em campo e o meio-campo dominado, até Tim Borowski chegou a parecer bom de bola em alguns momentos e Daniel Jensen parecia melhor do que realmente é.

O momento da partida, porém, parece adequado. Na última temporada, o volante atuou muito bem contra a Sampdoria, na fase preliminar da Liga dos Campeões, mas depois murchou junto com o time. Expulso em algumas partidas, lento em outras, manteve o temperamento de xerife, mas sem o futebol de outrora, o que prejudicou a equipe em alguns momentos, pois a presença dele impunha uma titularidade que já não fazia por merecer. A ausência de um substituto escancarava ainda mais essa deficiência e não havia mais como continuar, a não ser que os Verdes se planejassem para outra temporada medíocre como a de 2010/11, o que não parece ser o caso.

No Toronto FC, Frings vai poder encontrar tudo o que precisa. Paz, qualidade de vida, uma liga mais fácil e Jürgen Klinsmann, que foi seu treinador na seleção alemã na Copa do Mundo de 2006 e atualmente é responsável pela administração do clube. A amizade entre os dois foi, obviamente, preponderante para que o negócio pudesse sair, de acordo com declarações do próprio volante, que afirma ter sido procurado também por outros clubes da Bundesliga e por equipes dos Emirados Árabes Unidos.

Ao Werder Bremem, resta encontrar um substituto à altura. Como a temporada começou há pouco tempo, não se sabe ao certo como Thomas Schaaf irá agir, mas em princípio, com o elenco que tem em mãos, há duas escolhas: o alemão Philipp Bagfrede, que foi muito bem em 2009/10, mas não teve o mesmo desempenho na temporada passada, e o ex-santista Wesley, que já está mais adaptado ao futebol alemão e, caso seja o escolhido, tem a oportunidade de deixar a lateral direita e mostrar seu futebol na posição em que rende mais. Na teoria, dois bons substitutos, embora sem a mesma grife do ex-capitão, mas que podem, caso o time se acerte, dar conta do recado tranquilamente, embora a contratação de mais um nome para o setor seja recomendável.

Klopp: “Estamos mais fortes que no ano passado”

O técnico do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp, deu esta declaração no início da temporada da equipe, que, apesar da perda de Nuri Sahin para o Real Madrid, se reforçou bastante e agora já pode dizer que possui um elenco jovem e vitorioso. A má campanha na Liga Europa, no entanto, deixa todos com um pé atrás em relação ao que esse time poderá fazer na próxima Liga dos Campeões, mas ninguém ousa mais duvidar da capacidade de Götze, Barrios, Kagaw Hummels e companhia.

Para a temporada 2011/12, a política de contratações manteve-se sóbria. O investimento maior foi no croata Ivan Perisic, trazido do Club Brugge por € 5 milhões e que poderá ser uma alternativa para recompor o meio-campo ofensivo, que foi muito prejudicado por lesões na temporada passada. Para substituir Sahin, chega, Ilkay Gündogan, destaque do Nürnberg nos dois últimos anos e objeto de desejo das seleções turca e alemã. Aos 21 anos, ele ainda não decidiu por qual seleção jogará nos profissionais, embora já tenha defendido o Nationalelf em categorias menores.

Os outros reforços são bem mais “undergrounds”, apostas pessoais de Klopp. O teenager Moritz Leitner, meia que surgiu como promessa na 2. Bundesliga, o lateral esquerdo Chris Löwe, que jogou bem a terceira divisão pelo Chemnitz e virá para ser o reserva de Schmelzer, além do também meio-campista Marvin Bakalorz, vindo das divisões de base do próprio clube. Parece pouco para dar um salto de qualidade, mas os pretos-amarelos já mostraram que não se pode duvidar deles em momento algum.
 

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Equipe Trivela

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