A maior goleada de toda a Bundesliga não serviu de nada
Uma das maiores goleadas da história da Bundesliga não foi dada pelo Bayern Munique num adversário sem expressão. Se engana quem pensa que os bávaros sempre dominaram a Alemanha e massacraram seus rivais durante os 50 anos desde a estruturação do campeonato alemão na forma como conhecemos hoje.
Nos anos 70, um time ameaçou a hegemonia do Bayern e bateu de frente até o início da década seguinte: cinco vezes campeão alemão entre 70 e 77, o Borussia M´gladbach teve o seu auge doméstico e por pouco não conquistou a Europa em 77, quando foi derrotado na decisão da Copa dos Campeões pelo Liverpool.
A última rodada da edição 1977/78 viveu uma grande disputa entre o Köln de Harald Schumachar, Dieter Müller e Pierre Littbarski contra o M´gladbach de Berti Vogts, Rainer Bonhof e Allan Simonsen. Os Bodes visitavam o St. Pauli e os Potros recebiam o Borussia Dortmund, que na época era um time que brigava pela metade inferior da tabela. No dia 24 de abril de 1978, os aurinegros passaram o que seria a maior vergonha de toda a vida do clube.
Um goleiro decepcionado
Promovido à elite em 1976, o Dortmund chegava sem muita expectativa ao fim da temporada sob o comando de Otto Rehhagel. E antes daquela tarde no Rheinstadion, visto que o habitual campo do M´gladbach, o Bökelberg, estava em reforma, o goleiro Peter Endrulat teria a chance de ser titular na equipe aurinegra. Rehhagel bancou sua titularidade, mas não sabia que a diretoria do Dortmund havia recusado uma renovação de contrato com o jogador. Reserva e renegado, Endrulat não chegou a propositalmente facilitar os gols que aconteceriam, mas também não fez o máximo que poderia.
Uma missão impossível
Enquanto o Köln chegava em vantagem para a última rodada, o pessoal do M´gladbach sabia que teria de vencer, torcer por uma derrota ou empate dos Bodes e ainda reverter um saldo de 10 gols abaixo dos concorrentes ao título. Era uma missão quase impossível, mas o técnico Udo Lattek acreditava que seus comandados poderiam chegar lá. Com um minuto de jogo, Jupp Heynckes abriu o placar e deu esperanças aos torcedores.
M´gladbach terrível ou Dortmund rendido?
Com 32 minutos do primeiro tempo, o placar estava 5 a 0 para o M´gladbach. Heynckes fez três gols, Nielsen e Del´Haye completaram. Pressionado, o Köln precisou de 28 minutos para vencer o bloqueio defensivo do St. Pauli no Millerntor-Stadion, em Hamburgo. Ao intervalo, os placares estavam assim: 6×0 para o M´gladbach e 0x1 para o Köln. O objetivo já não era tão inalcançável assim.
O tempo passou e o Köln desandou a marcar gols no St. Pauli. Okudera e Flohe ampliaram a vantagem e fizeram 3×0 com 25 minutos do segundo tempo. A essa altura o placar no Rheinstadion estava 9×0 para os Potros. Foi aí que Heynckes resolveu perguntar ao pessoal do banco de reservas quanto ainda faltava para que eles atingissem o saldo necessário: “Quando perguntávamos ao banco com 9×0 o que precisávamos fazer, responderam que ainda queriam mais três gols para ultrapassarmos o Köln. Vocês estão malucos?”, comentou o atacante ao Rheinische Post em 2008.
Frustração com 12-0
E eles fizeram esses três gols. O próprio Heynckes se encarregou de marcar o décimo. Lienen marcou o 11º e Kulik completou já nos acréscimos. A torcida do Dortmund já havia ido embora após o intervalo e nem quis permanecer para ver o resto do vexame. O problema é que Cullmann e Okudera ampliaram para 5×0 e mantiveram a distância necessária para garantir a salva de prata para o Köln, que terminou aquela Bundesliga com os mesmos 48 pontos do M´gladbach, só que com duas vitórias e três gols a mais.
A apreensão do banco de reservas do M´gladbach foi algo comovente. Nunca um time foi tão longe em busca de um objetivo e a postura dos Potros em campo era semelhante a de um clube que nunca havia conquistado tal título, como se a vida dependesse disso.
Do lado perdedor, muitas mudanças. Rehhagel foi demitido e Endrulat foi parar no Tennis Berlin, na terceira divisão, onde se aposentou em 1981, com apenas 27 anos de idade. Era o seu sexto jogo pelo Dortmund, quando ele substituía o titular Horst Bertram, lesionado. Endrulat preferiu ficar em campo nos 45 minutos finais, apesar do pedido de Rehhagel que ele saísse. Mal sabia que isso mudaria toda a sua carreira.




