Alemanha

A garotada segue resolvendo

Uma vitória, um empate e uma derrota. Analisando apenas os resultados, é possível dizer que os clubes alemães tiveram um início razoável na Liga dos Campeões. Se levarmos em conta os adversários e as circunstâncias da partida, a tendência é se aproximar ainda mais dessa conclusão. Assim como é possível presumir que, atualmente, a presença ou ausência de jovens craques nas equipes é determinante, e quem não aposta neles está, nesse momento, dando um grande tiro no escuro. E não é preciso ser nenhum Einstein para chegar a esse raciocínio.

O Bayern de Munique, por exemplo, tem Thomas Müller, que surpreendeu Louis van Gaal no início da temporada passada, conquistou a posição de titular, convenceu Joachin Löw a convocá-lo para a Copa do Mundo e saiu da África do Sul como goleador do torneio. Ao retornar a Munique, passou a atuar na mesma posição na qual jogava na seleção, do lado direito do campo, aproveitando a lesão de Arjen Robben, que foi incontestavelmente o melhor jogador dos bávaros em 2009/10.

Nesta quarta-feira, Müller fez o gol mais bonito da Liga dos Campeões até agora, acertando um chute de três dedos no canto esquerdo de Julio Sérgio e abrindo caminho para a vitória por 2 a 0 sobre a Roma aos 34 minutos do segundo tempo. O lance, além de plasticamente espetacular, impressiona pelo grau de dificuldade e, se a justiça for feita, será indicado como um dos tentos mais bonitos da temporada 2010/11 após o fim das competições. Miroslav Klose, que ameaça cada vez mais a posição de Ivica Olic, fez o segundo aos 38 e deu números finais à partida.

O Werder Bremen, que empatou com o Tottenham por 2 a 2 em Londres, conta com Marko Marin. Reserva da seleção alemã que foi à África do Sul ele fez uma bela temporada em 2009/10, mas foi ofuscado por Mesut Özil. Nesse ano, porém, está sem companhia na criação de jogadas da equipe e resolveu assumir o papel de protagonista, jogando um futebol exuberante nas primeiras partidas de 2010/11 e tornando-se a referência ofensiva de um meio-campo que conta com excelentes volantes, como Frings, Bagfrede e Wesley.

Foi de Marin o gol de empate contra os Spurs, assim como também foi dele a jogada do gol da classificação dos Verdes para a fase de grupos, marcado por Claudio Pizarro, na partida contra a Sampdoria. Jogando com total liberdade, ele cai pelas pontas o tempo inteiro e se mostra cada vez mais desinibido e eficiente ao tentar jogadas individuais. Não é exagero afirmar que a sorte do Werder Bremen nessa temporada dependerá muito do desempenho de seu camisa 10.

Diferentemente dos outros dois, o Schalke 04 não tem ninguém. E paga muito caro por isso. A derrota por 1 a 0 para o Lyon confirma uma fragilidade que já era vista nos três primeiros jogos do time na Bundesliga, em que os azuis reais foram derrotados por, respectivamente, Hamburgo, Hannover 96 e Hoffenheim. Nesta terça-feira, a falha infantil de Moritz no gol de Michel Bastos e a expulsão estúpida de Höwedes pioraram ainda mais a situação e, com um a menos, foi impossível qualquer tentativa de reverter o quadro.

O setor que merece ser mais criticado, porém, é o ataque. Kevin Kuranyi, artilheiro do time na temporada passada, foi embora, e o clube resolveu apostar pesado em Raúl e Huntelaar, torcendo para que eles voltassem à boa forma de outros anos. Ambos, até agora, não conseguiram render, e o time vive de lampejos do peruano Farfán, que pode ser, no máximo, um bom coadjuvante.

A realidade fica ainda mais dura se pensarmos que os azuis reais praticamente “deram” Mesut Özil para o Werder Bremen por € 4,3 milhões em janeiro de 2008. E parecem não ter aprendido a lição, pois Lewis Holtby, que está emprestado ao Mainz 05 e faz um excelente início de Bundesliga, é desprezado dentro do clube, enquanto jogadores limitados como Hao, Edu ou Jermaine Jones seguem tendo chances. É necessário que Felix Magath repense sua postura, que desagrada vários jogadores do elenco, para que o time ainda consiga, de alguma maneira, salvar a temporada.

Bundesliga: Hoffenheim e Mainz na liderança

Depois de três rodadas disputadas, a Bundesliga apresenta um cenário surpreendente na ponta da tabela, com Hoffenheim e Mainz 05 como os únicos times a terem 100% de aproveitamento. Ambos estão com nove pontos, mas o Hoffe, que derrotou o Schalke 04 por 2 a 0, lidera o campeonato em função do melhor saldo de gols – 6 contra 3 -. No último domingo, o Mainz derrotou o Kaiserslautern por 2 a 1 de virada, em jogo que parecia perdido até a metade do segundo tempo.

As duas equipes também apresentam bons jovens jogadores. No Hoffe, um dos grandes destaques é o atacante Peniel Mlapa, de 19 anos, que chegou do 1860 Munique nessa temporada e já ganhou a posição de titular. Nascido em Togo, ele imigrou com a família para a Alemanha ainda na infância e já defendeu as seleções alemãs de base. Alto, forte, rápido e dono de boa técnica com a bola nos pés, Mlapa já marcou um gol na Bundesliga, na vitória por 4 a 1 sobre o Werder Bremen.

A grande sensação do campeonato até aqui, porém, é André Schürrle, atacante de 20 anos do Mainz 05, que, nos últimos dias, tem sido sistematicamente comparado a Thomas Müller pela mídia alemã. Ele foi o responsável direto pelas viradas do Mainz contra, respectivamente, Wolfsburg e Kaiserslautern, o que atraiu o interesse de clubes maiores do país. O Bayer Leverkusen, mais esperto do que a concorrência, chegou primeiro, fechou negócio e Schürrle jogará por lá a partir da temporada 2011/12.

Quem parece estar se recuperando é o Borussia Dortmund, que, depois de perder em casa para o Bayer Leverkusen na estreia, se recuperou com uma vitória por 3 a 1 sobre o Stuttgart e, no último sábado, derrotou o Wolfsburg por 2 a 0 no Signal Iduna Park. O japonês Shinji Kagawa, autor de um dos gols, já mostrou que foi um acerto da diretoria aurinegra. E esse parece ser o ano de Nuri Sahin, que ta gastando a bola no meio-campo e aparenta estar disposto a provar que é do mesmo nível de Bastian Schweinsteiger, como declarou na pré-temporada.

Três times que foram bem nos últimos campeonatos, porém, começaram o ano de maneira desastrosa: o Schalke 04, já citado no texto acima, o Wolfsburg, que paga pelos erros de sua defesa e pela má forma física de Josué, que aparenta estar no fim da carreira, e o Stuttgart, que parece ter sentido demais a saída de Sami Khedira. A temporada passada dos dois últimos mostra que pode haver margem para reação, mas é certo que eles pagarão por esses tropeços no futuro.

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Equipe Trivela

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