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A continuação de uma era: Joachim Löw renova seu contrato com a seleção alemã até 2020

Treinar a seleção da Alemanha não costuma ser um mero emprego. Basta olhar para própria a história. Mais do que um técnico, o homem à frente do Nationalelf geralmente coordena um projeto nacional de futebol. E de longo prazo. Desde que Otto Nerz se tornou, em 1926, o primeiro comandante em tempo integral da equipe alemã, apenas outros nove treinadores ocuparam a cadeira. Longevidade altíssima, cuja média vai aumentar ainda mais nos próximos anos. Joachim Löw ampliou o seu vínculo com a federação e permanecerá na direção ao menos até a Euro 2020.

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Cumprindo o seu contrato até o fim, Löw completará 14 anos de seleção. Em tempo, se tornará o segundo técnico mais duradouro do Nationalelf. Igualará o lendário Helmut Schön, responsável pela conquista da Euro 1972 e da Copa do Mundo de 1974. Permanecerá abaixo apenas de Sepp Herberger, que, descontando o período em que a seleção alemã esteve fora de ação por conta da Segunda Guerra Mundial, passou 20 anos no comando – de 1936 a 1942 e de 1950 a 1964.

Já levando em conta os jogos, Löw deve se tornar o técnico que mais vezes esteve à frente da Alemanha. Atualmente, o tetracampeão mundial soma 141 partidas (com 94 vitórias e 66,7% de aproveitamento), duas a mais que Schön e 26 a menos que Herberger. Considerando o número jogos que uma equipe nacional costuma disputar por ano, o recorde poderá ser batido em 2018. O único treinador acima do veterano alemão em total de partidas por uma mesma seleção é Óscar Tabárez, que soma 171 aparições em suas duas passagens pelo Uruguai.

Löw chegou ao comando da seleção alemã para substituir Jürgen Klinsmann, de quem era assistente, após a Copa do Mundo de 2006. E ainda que o seu currículo fosse um tanto quanto pobre, com o melhor trabalho realizado à frente do Stuttgart no final dos anos 1990, o novato conseguiu se sair bem na sequência do projeto. Manteve o processo de renovação do elenco, intensificado por seu antecessor, desenvolvendo um estilo de jogo mais ofensivo e obtendo sempre ótimas campanhas. Que o primeiro título tenha demorado a vir, Löw sempre colocou o Nationalelf ao menos nas semifinais dos torneios que disputou. Até a glória na Copa do Mundo de 2014.

O trabalho de Löw no Brasil esteve longe de ser unânime. Entretanto, é impossível negar a influência do treinador no crescimento de produção que o time teve durante a campanha. Exceção feita à circunstancial goleada diante de Portugal, a Alemanha enfrentou dificuldades contra Gana, Estados Unidos e Argélia. Até o dedo do treinador fazer efeito, tanto por algumas mudanças de peças (especialmente, com o retorno de Lahm à lateral) quanto por decisões táticas. O Nationalelf precisou ser pragmático para derrotar a França e foi incessante para engolir o Brasil. Até travar a decisão contra a Argentina, em tarde na qual os germânicos mantiveram o controle, apesar de alguns apuros. E a escolhas de Löw nas alterações se mostraram vitais, com Schürrle e Götze participando da jogada do gol do título.

O momento recente da Alemanha não vem sendo tão impressionante. Mas Löw permanece com suas virtudes em outro processo de renovação desde a Copa de 2014, mesmo insistindo mais do que deveria com alguns medalhões. A campanha na Euro 2016 não foi tão deslumbrante, mas só se encerrou nas semifinais. E, de qualquer forma, não se duvida nem um pouco da presença dos alemães no Mundial de 2018 (até para um país que não perde nas Eliminatórias desde os fatídicos 5 a 1 da Inglaterra em 2001), assim como, desde já, do favoritismo do Nationalelf no Mundial.

“Eu gostaria de agradecer a confiança e o apoio da federação na extensão do meu contrato. Também gostaria de agradecer toda a comissão técnica. Nossa cooperação se baseia no conhecimento e queremos confirmar o sucesso que tivemos no Brasil também durante a Copa do Mundo da Rússia. Estou muito feliz por poder continuar desenvolvendo o time e os jogadores. Agora, o próximo objetivo é qualificar a equipe como líder de seu grupo nas Eliminatórias”, declarou Löw, em entrevista ao site da federação alemã. Uma era que poderá continuar rendendo frutos durante mais quatro anos, e com a Copa das Confederações de 2017 também pelo caminho.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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