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A Bundesliga será outra vez dominada pelo Bayern?

Nenhum time europeu chama tanta atenção neste início de temporada quando o Bayern Munique. Pudera. Não bastasse a sequência de títulos dos bávaros nos últimos meses, o clube tirou Pep Guardiola de seu ano sabático. Time campeão e técnico vencedor, fórmula básica para o sucesso, certo? O futebol não é tão lógico assim, ainda mais quando se junta o desejo dos rivais por desbancar um gigante com tanta badalação.

O primeiro grande desafio do Bayern acontece nesta sexta, com a abertura da Bundesliga. Reconquistar a Alemanha talvez seja a maior obrigação da equipe, considerando as dificuldades da Liga dos Campeões e a menor relevância da Copa da Alemanha. Os Roten têm grandes motivos para confiar no bicampeonato, mas também possuem barreiras consideráveis no caminho até a Salva de Prata.

Por que acreditar em um novo título alemão do Bayern? E por que não acreditar? Apresentamos cinco argumentos contrários e outros cinco favoráveis ao time de Pep Guardiola. O especial desta sexta introduz o Guia do Campeonato Alemão, que será publicado na próxima semana, em conjunto com um pacote de especiais sobre as grandes ligas europeias. Aguarde e aproveite.

Por que acreditar no bicampeonato do Bayern?
Jupp Heyckes levanta a Salva de Prata (AP Photo/Matthias Schrader)
Jupp Heyckes levanta a Salva de Prata (AP Photo/Matthias Schrader)
– A manutenção do elenco

Pep Guardiola chegou, mas conta com um grupo de jogadores tão ou até mais qualificado do que o treinado por Jupp Heynckes na última temporada. A única perda significativa foi Mario Gómez, que cansou de ficar no banco de Mario Mandzukic e rumou à Fiorentina. Em compensação, chegaram Thiago Alcântara e Mario Götze, que rejuvenescem e adicionam ainda mais técnica ao meio-campo. Poupar titulares (se é que existirão titulares) não será problema algum para o Bayern.

– Os recordes da temporada passada

O Bayern não foi “só” dono da Tríplice Coroa em 2012/13. Os bávaros quebraram todos os recordes possíveis e imagináveis da Bundesliga na temporada passada: de pontos, de vitórias, de triunfos consecutivos, de número de gols sofridos. Sem dúvidas, a equipe mais avassaladora da história do Campeonato Alemão. Depois de fazer tanto meses atrás, o que é para os Roten levantar outra vez a Salva de Prata? Parece até simples e a torcida se contentará da mesma forma se novas marcas não forem quebradas.

– O abismo econômico para os adversários

A Bundesliga é, de fato, a mais democrática entre as ligas europeias na distribuição do dinheiro da televisão. O que não garante o equilíbrio financeiro entre os clubes. Dono da maior torcida da Alemanha e clube local com maior exposição internacional, o Bayern é o clube que mais fatura no mundo com acordos comerciais. Suas receitas são 94,7% maiores que as do Borussia Dortmund (total de € 180 milhões), em um abismo que aumenta ainda mais em relação aos pequenos. Essa diferença tem refletido diretamente em campo, com diversos massacres.

– A Copa do Mundo

O Mundial só acontece em junho, mas pode ter uma influência psicológica em vários jogadores do Bayern. A Alemanha é uma das favoritas à Copa e a base da seleção está justamente na Baviera. Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller, Manuel Neuer, Phillip Lahm, Toni Kroos, Jérôme Boateng e Holger Badstuber deverão se empenhar no entrosamento, algo que só tende a beneficiar o clube. Afinal, se o Bayern quebrou a pecha de time que chega com banca e perde nas finais, está na hora do Nationalelf fazer o mesmo.

– O peso da camisa

Já diria o filósofo: “O Bayern é o Bayern”. Dirigido por um dos melhores técnicos da história e com craques de sobra, os bávaros não precisam se valer tanto deste bem imaterial. Mas sabem que, se o calo apertar, o distintivo vermelho e azul intimidará. Poderá abrir o caminho em uma arbitragem aqui, fazer um rival tremer acolá. Ser dono de 22 taças nos últimos 44 anos ajuda a demonstrar o significado da camisa.

Por que não acreditar no bicampeonato do Bayern?

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– O Borussia Dortmund

Parece óbvio, não? O Borussia Dortmund não tem o status do Bayern Munique atual, mas nem de longe pode ser descartado na Bundesliga. Afinal, os aurinegros foram bicampeões nos anos anteriores à retomada dos bávaros e tinham totais condições de batê-los na final da Liga dos Campeões. A prova da competitividade do time de Jürgen Klopp veio na Supercopa da Alemanha, apesar de que o Bayern tivesse seus desfalques. A base do elenco está mantida e os reforços devem potencializar as características de uma equipe incisiva. Se Mario Götze saiu e Robert Lewandowski está insatisfeito, Marco Reus está pronto para assumir o protagonismo e Ilkay Gündogan dá mostras que pode crescer ainda mais. Todo cuidado é pouco ao Bayern.

– Os métodos de Pep Guardiola

No Barcelona, Pep Guardiola era rei. Um homem da casa, formado no clube e que reformulou uma filosofia para se tornar um dos técnicos mais vencedores da história. As expectativas sobre seu trabalho são grandes, mas as ressalvas começam a aparecer. Segundo a imprensa alemã, as constantes mudanças e adaptações não têm agradado tanto os jogadores. Por sua inteligência fora do comum, logicamente, Guardiola tem os elementos para ter muito sucesso na Baviera. Mas mudar completamente um time multicampeão pode ser um tiro pela culatra.

– Os bastidores turbulentos

Talvez o grande mérito de Jupp Heynckes à frente do Bayern Munique tenha sido controlar os egos e formar um time conciso, mesmo com vários jogadores de renome no banco. E superando um vestiário conturbado em 2011/12, quando os bávaros ficaram com o “tri vice”. Franck Ribéry deu uns sopapos em Arjen Robben, um ano antes de fazer jogadas decisivas para o holandês se consagrar na final da Champions. A paz será mantida, mesmo com Götze e Thiago Alcântara chegando para disputar um lugar ao sol? E, para piorar, ainda há a questão envolvendo o presidente Uli Hoeness, suspeito de uma fraude fiscal na casa das centenas de milhões de euros. As acusações cairão como bombas sobre a Allianz Arena.

– A fúria dos médios e dos pequenos

O Bayern está para os outros clubes da Alemanha assim como o Corinthians está para os paulistas ou o Flamengo em relação aos cariocas. O ódio destinado aos bávaros, time mais midiático, é gigantesco. E pode ser potencializada pela hegemonia construída em 2012/13. Times de tradição terão mais gana de barrar os Roten e conseguir pontos preciosos para ir à Champions, como Schalke 04, Bayer Leverkusen, Werder Bremen, Stuttgart, Wolfsburg e Hamburg. E os nanicos também vão querer tirar uma casquinha. Até por que os jogadores que realmente se destacarem contra os gigantes talvez sejam levados à Baviera em 2014/15.

– A pressão do legado de Heynckes

É lógico que ser campeão de tudo é motivo de festa. Porém, de certa forma, também é de preocupação depois da ressaca. O Bayern será bastante cobrado a repetir a série de conquistas nesta temporada, ainda mais por ser treinado por Pep Guardiola, que fez o mesmo em seu primeiro ano no Barcelona. O grupo precisa se manter alheio às críticas, que deverão acontecer diante de qualquer tropeço. Principalmente quando seu passado aponta a fama de amarelão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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