330 vezes Zé Roberto

No último dia 19, Zé Roberto deixou sua marca na goleada do Hamburg por 6 a 2 sobre o Köln. O gol, de pênalti, não foi tão determinante assim no resultado, e poderia até passar despercebido, não fosse por ter acontecido no dia em que o meia igualou um recorde: com 330 partidas ele é, junto com o bósnio Sergej Barbarez, o estrangeiro com mais partidas na Bundesliga, e se isolará com o recorde na próxima rodada, quando os Rothosen enfrentam o Hoffenheim fora de casa.
A marca serve para coroar de vez a carreira de sucesso do meia, que está no país há 13 anos e só saiu para uma rápida passagem pelo Santos, entre 2006 e 2007. No total, Zé Roberto faturou quatro títulos nacionais, quatro Copas da Alemanha e duas Copas da Liga Alemã, tudo isso pelo Bayern Munique, clube que defendeu em duas oportunidades: de 2002 a 2006 e de 2007 a 2009, ano em que, talvez pressentindo que perderia espaço com a chegada de Louis van Gaal, mudou-se para o norte do país.
Sua história na Alemanha, porém, começou em 1998, quando, logo depois de ter disputado a Copa do Mundo como reserva da lateral esquerda, transferiu-se do Real Madrid para o Bayer Leverkusen. Nos Aspirinas, fez fama: formou um belo meio-campo que, entre várias formações, contou com nomes como Michael Ballack, Emerson e Bernd Scneider. A consagração com títulos, porém, não veio: foi vice-campeão da Liga dos Campeões em 2001/02 e perdeu incrivelmente a Bundesliga daquela temporada para o Borussia Dortmund.
No Hamburg, Zé Roberto segue em boa forma, e fez uma boa temporada em 2009/10, apesar da bagunça generalizada que reina dentro da administração do clube. Poderia ter até disputado sua terceira Copa do Mundo, na África do Sul, mas renunciou à seleção brasileira na Copa América de 2007, achando que não conseguiria manter-se jogando em alto nível por mais três anos. Se arrependeu, mas já era tarde demais, e isso não mancha, de maneira nenhuma a carreira brilhante que ele teve com a amarelinha. No total, foram 84 jogos disputados e seis gols marcados, além da brilhante performance na Copa do Mundo de 2006, quando finalmente calou os críticos que o rodeavam.
Mais do que um recorde, a marca simboliza a vitória de uma opção. Afinal de contas, jogar por 13 anos numa liga que pratica um futebol diferente da do seu país de origem, atuar por três clubes que geralmente figuram na parte de cima da tabela e ser respeitado nos três não é para qualquer um. E as homenagens rendidas mostram que a escolha de voltar a morar na Alemanha após a passagem pelo Santos se revelou acertada não só para a família, mas também para ele, que, além da comodidade e da segurança, tem prestígio suficiente para continuar por lá após a aposentadoria.
Às vésperas de completar 36 anos, Zé Roberto já planeja a aposentadoria, mas mostra dentro de campo que ainda tem muita lenha para queimar e ainda pode jogar tranquilamente por mais algum tempo. Mas certamente já tem a consciência tranquila de que contribuiu muito para o futebol, e a falta do título mundial com a seleção brasileira ou da Liga dos Campeões com o Bayern Munique é irrelevante perto da carreira grandiosa que foi construída ao longo dos últimos 16 anos.
Mesmo antes de se aposentar, porém, já é certo que ele faz parte da galeria dos brasileiros que fizeram mais sucesso na Bundesliga e conta com a companhia de nomes como Aílton, Dedê, Paulo Sérgio, Bordon, Amoroso, Jorginho e Élber, entre outros. Todos construíram longas trajetórias no país, que, embora o estereótipo diga o contrário, é cada vez mais receptivo a profissionais que buscam sucesso e afirmação não apenas da boca para fora.
Experimental e frustrante
A derrota para a Austrália por 2 a 1 certamente frustrou os torcedores que foram prestigiar a seleção alemã no Borussia Park, em Mönchengladbach. Mais do que isso, deve ter deixado o técnico Joachin Löw em estado de alerta, pois vários dos jogadores testados por ele não corresponderam e alguns inclusive tiveram atuação comprometedora na partida.
Quem de fato decepcionou foi Mats Hummels. Disparado o melhor zagueiro da Bundesliga em 2010/11, ele teve uma chance no time titular, mas não passou a segurança que exibe no Borussia Dortmund, embora tenha tido também bons momentos na partida. É certo, porém, que se mantiver o nível na liga nacional, merece uma chance numa equipe mais coesa e menos experimental para mostrar se é realmente o principal defensor do país.
O meia Christian Träsch, do Stuttgart, também esteve longe de seus melhores dias e acabou falhando em um dos gols australiano. E atuar mal no meio-campo, diante da concorrência que qualquer posição possui na Alemanha no momento, pode significar uma perda significativa de espaço. Sven Bender, por sua vez, teve atuação discreta, mas não comprometeu.
A exceção pareceu ser André Schürrle, que deu o passe para Mario Gómez abrir o placar para o Nationalelf. Rápido, habilidoso e corajoso, Schürrle entra na briga por uma vaga no time titular e poderá, em breve, incomodar o outrora soberano Lukas Podolski e formar a linha de 3 no meio-campo com Özil e Thomas Müller, ou Mario Götze, ou Lewis Holtby, ou algum outro garoto que surja no país como fenômeno nos próximos anos.
Heynckes no Bayern Munique
Depois de muita conversa, agora é oficial: Jupp Heynckes voltará ao comando do Bayern Munique em 2011/12 no lugar de Louis van Gaal, que realmente tem se superado nas invencionices nos últimos tempos. Heynckes, 65 anos, volta aos bávaros por cima da carne seca após ter sido campeão nacional em 1988/89 e 1989/90 e ter tido uma rápida passagem como interino em 2009.
O bom trabalho no Bayer Leverkusen e o histórico na carreira o credenciaram a isso. Campeão da Liga dos Campeões pelo Real Madrid em 1997/98, Heynckes sempre foi considerado um técnico taticamente inteligente e vencedor, ainda que a falta de marketing pessoal e o não aproveitamento de algumas oportunidades tenham prejudicado um pouco a sua carreira. De qualquer maneira, é uma boa escolha, embora longe de ser uma unanimidade, como Ottmar Hitzfeld.



