Alemanha

Histórico! 13 anos depois, o progressista St. Pauli volta à Bundesliga

Conhecido por ser inclinado à esquerda na política, o St. Pauli levará seus ideais para primeira divisão da Alemanha em 2024/25

A velha máxima de “futebol e política não se misturam” nunca valeu para o St. Pauli. O clube, muito conhecido por suas raízes à esquerda no espectro político, é uma voz no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. Para a temporada 2024/25, eles levarão suas ideias ainda mais longe, pois, neste domingo (12), venceram o Osnabrück por 3 a 1, pela 33ª rodada da segunda divisão da Alemanha, e confirmaram o retorno à Bundesliga pela primeira vez desde 2011.

Os Piratas chegaram aos 66 pontos e lideram a competição. O Fortuna Düsseldorf, terceiro já garantido nos playoffs, tem 60 e não pode mais os alcançar. A luta pelo título irá para última rodada, já que o Holstein Kiel, o segundo e também garantido na Bundesliga pela primeira vez na história (já jogou a primeira divisão antes da era moderna), soma 65.

O acesso do St. Pauli, com direito a invasão da torcida no gramado do Millerntor-Stadion, teve um gostinho ainda mais especial porque o maior rival Hamburgo não subiu pela sexta temporada seguida e continuará na Bundesliga 2 por mais um ano.

Para vencer o Osnabrück hoje, os Piratas, treinados pelo jovem Fabian Hurzeler, de 31 anos, contaram novamente com o melhor jogador da campanha. O meia Marcel Hartel marcou o terceiro gol da vitória e chegou aos 17 em 33 rodadas da segunda divisão. Ele ainda distribuiu 12 assistências, soma média de 2.9 passes decisivos e, por isso, é um dos candidatos também a ser o melhor jogador do torneio.

Mas neste domingo quem realmente chamou a responsabilidade foi o inglês Oladapo Afolayan, cravando duas vezes e se tornando o vice-artilheiro da campanha com nove (empatado com Johannes Eggestein).

Até aqui em toda Bundesliga 2, o St. Pauli tem a melhor defesa, vazada 35 vezes, e uma das estratégias do time é se defender com a bola, já que tem a segunda maior média de posse (57.1%) e de passes certos (454.3) na competição.

Na rodada final, decisiva para o título, a equipe de Hamburgo visita Wehen Wiesbaden, time na luta para ver se será rebaixado direto à terceira divisão ou fará os playoffs contra o 3º colocado da 3. Liga. O rival direto pela taça, Holstein Kiel, joga fora com o Hannover 96, que não tem mais pretensões na competição.

Por que o St. Pauli é de esquerda?

Bandeira LGBTQIA+ na torcida do St. Pauli (Foto: Icon Sport)

Ao vermos jogos do St. Pauli, fica explícito como boa parte de sua torcida pensa. Há bandeiras de Che Guevara, a figura da Revolução Cubana em 1959, do arco-íris do movimento LGBTQIA+, com mensagens contra o capitalismo, com suásticas nazistas destruídas, contra todo o tipo de preconceito (isso, inclusive, faz parte do estatuto do clube), enfim.

As décadas de 80 e 90 foram a mudança para que um clube “comum” virasse um militante à esquerda. Nos anos 80, a cidade de Hamburgo virou palco sobre discussões de terrenos sem uso serem ocupados por movimentos sem teto e trabalhadores em geral. Nesse cenário, parte desse grupo migrou para as arquibancadas do Millerntor.

A partir daí, alguns torcedores lideraram um movimento para expulsar o fascismo dentro da própria torcida – e conseguiram. Na sequência, proibiu-se a venda de ingressos ou a aceitação de sócios para pessoas que tivesse alguma conexão com ideais da extrema-direita. O St. Pauli também teve um presidente gay por oito anos, Corny Littman, que comandou o clube na ascensão até a última vez que disputaram a Bundesliga.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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