África

O Zamalek pôs fim à hegemonia do Al Ahly e faturou o Campeonato Egípcio após seis anos de jejum

Após um pentacampeonato dos rivais, além do bi na Champions Africana, o Zamalek volta a celebrar a liga

Os últimos anos foram bastante duros ao Zamalek. O clube permaneceu as últimas temporadas convivendo com o sucesso do rival Al Ahly no Campeonato Egípcio, com um pentacampeonato nacional. Como se não bastasse, no maior clássico da história do Cairo, os Diabos Vermelhos também venceram os rivais na decisão da Liga dos Campeões da África em 2020. Nesta terça, ao menos, a torcida dos Cavaleiros Brancos teve um alento. O Zamalek voltou a conquistar o Campeonato Egípcio, naquele que é apenas seu segundo título nos últimos 16 anos. A taça foi comemorada com uma rodada de antecedência, após a vitória sobre o Entag El Harbi por 2 a 0.

É verdade que o título do Zamalek acontece numa temporada em que o rival Al Ahly não deixou de comemorar. Há pouco mais de um mês, os Diabos Vermelhos conquistaram o bicampeonato da Liga dos Campeões da África, em seu décimo título na competição. Ainda assim, considerando a seca das duas últimas décadas, o Zamalek tem motivos para festejar o Campeonato Egípcio. Embora os Cavaleiros Brancos tenham conquistado seis títulos da Copa do Egito entre 2013 e 2019, a liga vinha escapando de maneira constante. Desde o bicampeonato em 2003/04, o Zamalek só tinha ficado com o troféu da competição uma vez, em 2014/15. Neste ínterim, o Al Ahly aproveitou para se distanciar como o maior vencedor nacional.

O Zamalek fez uma campanha bastante consistente no atual Campeonato Egípcio, mesmo sem vencer o Al Ahly – com uma derrota no primeiro turno e um empate no segundo. Os Cavaleiros Brancos assumiram a liderança no fim do primeiro turno, com 12 vitórias em 17 partidas. Já na segunda metade da competição, a equipe permanece invicta. Foi importante a arrancada desde junho, com oito triunfos consecutivos. Com uma vantagem de seis pontos sobre o vice-líder Al Ahly (e de 26 pontos sobre o Smouha, o terceiro colocado), a expectativa foi grande durante as últimas semanas até que o título se confirmasse nesta terça.

Vale destacar a segurança defensiva do Zamalek. O time sofreu apenas 20 gols em 33 partidas, com um desempenho assombroso fora de casa. A equipe seria vazada apenas seis vezes como visitante. Já em seu campo, o destaque ficou para o ataque, com 42 dos 60 gols anotados ao longo da liga. Considerando a maneira como o Al Ahly debulhou recordes no último pentacampeonato, era realmente necessário que os Cavaleiros Brancos tivessem um desempenho acima da média para superar a equipe dirigida por Pitso Mosimane.

O treinador do Zamalek é o francês Patrice Carteron, que trabalhou em diferentes clubes africanos desde a última década, inclusive no Al Ahly. Ele assumiu após a saída de Jaime Pacheco em março e se manteve no cargo mesmo com a eliminação na fase de grupos da Champions Africana. Além da troca no comando, os Cavaleiros Brancos também enfrentaram turbulências em seus bastidores. O clube teve três diretorias diferentes ao longo da temporada, o que ainda assim não atrapalhou o rendimento coletivo.

Dentro de campo, o marroquino Achraf Bencharki foi o principal destaque do Zamalek, com 15 gols anotados. Já a braçadeira de capitão ficou com o veterano Shikabala, que segue botando respeito nos zagueiros adversários mesmo aos 35 anos. Vale mencionar também o zagueiro Mahmoud Hamdi, o volante Tarek Hamed, o meia Youssef Obama e o ponta Zizo entre os protagonistas egípcios. O tunisiano Ferjani Sassi era outra referência, mas acabou vendido no meio da campanha.

Este é o 13° título do Zamalek no Campeonato Egípcio. O clube é o segundo maior campeão, mas bem longe dos 42 troféus do Al Ahly – 20 deles acumulados nos últimos 27 anos. Resta saber se o feito dos Cavaleiros Brancos será apenas um ponto fora da curva ou o indício de mais competitividade no clássico. Uma das maiores rivalidades do mundo geraria mais interesse com um pouco mais de disputa, o que se perdeu com o crescimento (sobretudo continental) do Al Ahly nas duas últimas décadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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