O maior campeão da história da África conquistou nesta sexta-feira a mais trepidante de suas finais continentais. O Al Ahly enfrentava um desafio inédito, ao encarar o Zamalek, seu arquirrival e segundo na lista de maiores campeões africanos. A dinastia e a freguesia se ampliaram, com o nono troféu do Al Ahly na Liga dos Campeões da África, o primeiro desde 2013. Numa partidaça digna das expectativas, o empate prevaleceu até a reta final do segundo tempo no Estádio Internacional do Cairo. Um tirambaço de Mohamed Magdy permitiu a vitória por 2 a 1 e a façanha do treinado por Pitso Mosimane. O Egito não irá dormir, com o triunfo do clube mais popular do país, no duelo mais importante da história do dérbi.

Infelizmente, a maior parte das arquibancadas no Estádio Internacional do Cairo estava vazia. Por conta da pandemia, apenas um público restrito foi permitido nas tribunas, suficiente para fazer barulho, mas ocupando uma área que mal aparecia nas câmeras. Além disso, as duas equipes precisaram lidar com desfalques importantes causados pela . Pitso Mosimane não teria à disposição três titulares do Al Ahly, mesmo número de ausentes no Zamalek de Jaime Pacheco.

O Al Ahly começou a partida no controle, pressionando no ataque e buscando o gol rápido. Ele saiu logo aos cinco minutos. Depois de uma grande defesa do goleiro Mohamed Abou-Gabal, do Zamalek, os rivais ganharam um escanteio. Ali Maaloul cobrou e Amr El-Sulaya desviou na área. Depois do gol, o Zamalek não demorou a sair ao ataque e a incomodar. A equipe era superior, mas não conseguia acertar as conclusões. Quando conseguiu, Shikabala foi brilhante. O tento de empate saiu aos 31. O atacante pegou a bola na direita e foi abrindo espaço com seus dribles, fazendo fila, até acertar um chutaço da entrada da área. A bola entrou no ângulo, sem chances de defesa.

O primeiro tempo terminou com a superioridade do Zamalek, e a equipe ensaiava a virada no início da segunda etapa, rondando a meta de Mohamed El-Shenawy. Só que o Al Ahly lamentaria uma enorme chance perdida aos nove, quando Hussein El-Shahat apareceu em ótimas condições e carimbou a trave. Não demoraria para que o Zamalek também carimbasse o poste, numa bomba de Ahmed Zizo de fora da área. A partida era aberta, mas os dois times pareciam sentir o desgaste com o passar dos minutos.

O gol do título, enfim, saiu aos 41 do segundo tempo. Mohamed ‘Afsha’ Magdy anotou um golaço. Pegou uma sobra de bola na entrada da área e, depois do primeiro toque, emendou o sem-pulo indefensável. Uma pintura à altura da ocasião. No fim, enquanto o Al Ahly tentava gastar o tempo, o Zamalek partiu a uma pressão desordenada. Não conseguiria muito para evitar a decepção.

O Al Ahly soma nove títulos da Champions Africana em 13 finais disputadas. Havia sido vice em 2017 e 2018, dando a volta por cima desta vez. Suas últimas conquistas tinham acontecido em 2012 e 2013, no bicampeonato ocorrido na esteira da de Port Said, sob a liderança de Mohamed Aboutrika. Já o Zamalek segue com cinco títulos, o último deles em 2002, perdendo sua terceira final no torneio.

O técnico Pitso Mosimane levou seu segundo título continental, após faturar a taça com o Mamelodi Sundowns em 2017, em cima do próprio Zamalek. O zagueiro Saad Samir e o meia Walid Soliman são os únicos remanescentes das últimas conquistas do Al Ahly, mas nenhum deles esteve em campo nesta sexta – titular, Soliman era um dos desfalques por COVID-19. Já na entrega da taça, o proporcionou um momento tocante. Ex-jogador do Al Ahly, Mo’men Zakaria foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica em 2019 e precisou encerrar a carreira por causa da doença degenerativa – como conta o ótimo Ponta de Lança. Homenageado já na comemoração dos gols, ele daria o troféu ao campeão. No fim, foi convidado para levantar o prêmio ao lado dos antigos companheiros. Cena marcante que deve anteceder um fim de noite em transe no Cairo, com um feito de dimensões únicas.