AfricaEliminatórias da Copa

O Egito já alcançou seu primeiro milagre para ir à Copa

O Egito precisará fazer o impossível para conquistar a classificação à Copa de 2014. A derrota por 6 a 1 para Gana, em Acra, deixou pouquíssimas esperanças aos Faraós, que precisam vencer por 5 a 0 ou por qualquer outro placar com seis gols de diferença. Para que a façanha aconteça, porém, os egípcios já alcançaram um pequeno milagre. A seleção ganhou permissão para mandar o jogo de volta no Cairo, apesar das questões de segurança que afetam o país.

O Campeonato Egípcio foi interrompido depois do novo golpe militar no país, ocorrido em junho. Ainda assim, as restrições a presença dos torcedores no estádio eram grandes, depois do massacre de 74 pessoas na partida entre Al Ahly e Al Masry. Nos últimos meses, os clubes do país na Liga dos Campeões da África vinham mandando seus jogos em El Gouna, cidade à beira do Mar Vermelho e a 430 km do Cairo.

Jogar no coração do país é importante ao Egito. Não que a torcida da Península do Sinai não representasse bem as cores. Mas estar próximo da massa populacional, que ajudou a construir uma revolução nos últimos anos, talvez aumente a motivação dos jogadores sobre a representatividade que uma goleada pode ter.

Agora, cabe à Fifa garantir as condições de segurança na capital. Inspetores da entidade visitaram o país e garantiram a possibilidade de se realizar o jogo no Cairo, apesar dos pedidos dos ganeses para que a decisão fosse disputada em um país neutro. A escolha ajuda o Egito ao poder utilizar sua casa. Mas a Fifa também deve estar preparada para enfrentar a violência – o que não seria nenhuma surpresa se os egípcios dessem outro vexame em campo. A ver se o milagre não dará a passagem aos egípcios novamente ao inferno.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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