África

Motsepe, presidente da CAF: “Um africano tem que ganhar a Copa do Mundo em breve”

O novo presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, deu uma declaração forte sobre o que pensa para o futuro do futebol do continente. Para o novo dirigente, recém-eleito presidente da entidade, é preciso que uma seleção africana seja campeã do mundo em breve.

“Um africano tem que ganhar a Copa do Mundo em breve”, afirmou o bilionário sul-africano, de 59 anos, em uma coletiva de imprensa como presidente da CAF, em Joanesburgo. Motsepe foi eleito sem qualquer concorrência. A CAF passa por muitas turbulências e enfrentou dois anos de banimento depois de questões de governança. Isso impediu Malagasy Ahmad Ahmad de tentar uma reeleição.

Motsepe prometeu que não tentará se reeleger depois de quatro anos de gestão se a CAF “não fizer progresso real” sob sua gestão. “Nós temos que parar de sermos excessivamente pessimistas e negativos [sobre a Copa do Mundo], não há continente que tenha conseguido insistir em seus fracassos”.

A melhor campanha de seleções africanas na Copa do Mundo é chegar até as quartas de final. Três seleções do continente chegaram até esta fase do torneio: Camarões, em 1990; Senegal, em 2002; e Gana, em 2010. Na última Copa do Mundo, em 2018, todos os cinco africanos classificados para a Copa, Egito, Marrocos, Nigéria, Senegal e Tunísia, foram eliminados na fase de grupos.

“Eu estou confiante que o futebol africano terá sucesso, se tornar autossuficiente e o melhor do mundo”, previu o dono do Mamelodi Sundowns. Uma visão otimista e bem difícil de ser cumprida em médio e mesmo em longo prazo.

Motsepe também respondeu se tem ambição de um dia ser presidente da Fifa. “Absolutamente não. Infantino está fazendo um grande trabalho e deve ser apoiado”, respondeu o sul-africano. A Fifa teve um papel importante na sua eleição, já que precisou intervir na CAF. Em 2019, a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, assumiu a gestão da entidade por seis meses para resolver uma parte do caos.

Queda de braço por causa da Copa Africana de Nações

Um dos pontos mais polêmicos sobre a questão da Copa Africana de Nações é o período da sua realização, além da sua frequência. Motsepe afirmou que pretende continuar com a competição a cada dois anos, apesar da sugestão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que o torneio passe a ser a cada quatro anos, como a Eurocopa e a Copa América (ou como esta deveria ser, já que tivemos diversas edições nos últimos anos).

A CAN era realizada tradicionalmente nos meses de janeiro e fevereiro, mas a última edição, em 2019, foi disputada em junho e julho. Foi uma forma da CAF tentar amenizar a guerra entre as seleções e os clubes europeus, especialmente, que estão em plena temporada nos primeiros dois meses do ano.

Em 2017, por exemplo, Camarões conquistou o título daquela edição sem ter sete jogadores potencialmente titulares, porque eles não quiseram entrar em conflitos com seus clubes para serem liberados. Uma situação que se repetiu com outras seleções em outros anos. Jogadores que desistem de jogar o torneio para não criaram problemas para si mesmos nos seus clubes.

Por isso, o ex-presidente da CAF, Ahmad, mudou a data do torneio para 2019 e foi disputado em junho e julho. O problema passou a ser outro: o calor. Técnicos e jogadores reclamaram do calor de 40 graus nos jogos no Egito.

Por isso, a entidade reverteu a decisão e voltará a fazer o torneio em janeiro e fevereiro a partir da próxima edição – seria neste início de 2021, mas foi adiado por causa da pandemia. Além disso, Camarões, que vai receber a próxima edição, tem problemas de chuvas torrenciais no meio do ano, o que tornaria a competição difícil de ser realizada nesse período.

Champions League e Copa das Confederações da África

Outro tópico que Motsepe falou aos jornalistas foi em relação ao principal torneio de clubes do continente, a Champions League da África e também a segunda competição de clubes, a Copa das Confederações (equivalente à Liga Europa e Copa Sul-Americana). Para o dirigente, as premiações dos dois torneios são “inaceitavelmente baixas”.

“Quando o Sundowns ganhou a Champions League, eu tive que colocar alguns dos meus fundos pessoais aos jogadores, porque a premiação em dinheiro era insuficiente”, disse o dirigente. Atualmente, o campeão da Champions League da África recebe US$ 2,5 milhões e os vencedores da Copa das Confederações recebe US$ 1,25 milhão.

Na Champions League da Uefa, por exemplo, o campeão recebe € 19 milhões (US$ 22,6 milhões). Na Libertadores, o campeão ganhará US$ 15 milhões em 2021, a maior premiação da história da competição.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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